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Manaus
dissídio sem acordo

Paralisações do transporte coletivo devem atingir até 70% da frota

Trabalhadores querem reajuste de 10%, enquanto os empresários buscam redução dos salários por conta da crise. Reunião de conciliação na sede do TRT hoje (13) não teve acordo 13/05/2016 às 16:33 - Atualizado em 13/05/2016 às 16:35
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Foto: Euzivaldo Queiroz
Isabelle Valois Manaus (AM)

A população de Manaus, precisará se adequar e se preparar a qualquer momento para a paralisações dos rodoviários. Isso porque a categoria e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) não conseguiram um acordo do dissídio de 2016. Por conta disso, os cobradores e motoristas do sistema irão manter as paralisações de até 30% da frota em horário de maior movimento (horário de pico) e de até 70% em horário de pouco movimento.

A informação foi reforçada, na manhã desta sexta-feira (13), pelo presidente do sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, durante audiência na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 11ª região, Zona Centro-Sul da capital.

O encontro foi agendo com o objetivo de promover conciliação econômica da categoria dos rodoviários como também discutir as paralisações nos últimos dias consideradas de forma irregular para o Sinetram.

Os rodoviários pedem um reajuste no mínimo de 10%, mas o Sinetram apresentou uma proposta de redução salarial para a categoria, afirmando não haver condições cabíveis para manter o reajuste, após toda a situação de crise no país.

O presidente do Sinetram, Carmnine Furletti, disse para a desembargadora-presidente do TRT, Maria das Graças Alecrim Marinho, que conduziu a reunião, que não havia condições de ter o reajuste, pois até o momento não houve o reajuste da tarifa.

“Em Natal, houve essa proposta de redução do salário para a categoria e foi aceito em juízo. É preciso entender que estamos em uma situação delicada em todo o País, poderíamos até discutir essa situação depois de seis meses, quando acreditamos que tenha melhorado a situação do país, mas como não houve o reajuste da tarifa, fica completamente difícil realizar um acordo deste reajuste”, reforçou.

Em resposta, o presidente do sindicato dos rodoviários informou que a Prefeitura de Manaus, nos últimos anos tem buscado mecanismos para aumentar o lucro das empresas. “Além da faixa azul, PIS e Cofins, ISS, não pagam o IPVA além da diminuição do valor do diesel. Os empresários tem muitos benefícios. A passagem é altíssima e quando chega no momento do dissídio coletivo não querem dar o reajuste e por isso vamos aderir a paralisação”, disse.

Sem o acordo, a desembargadora comentou para os representantes das entidades, que as duas categoria precisam antes de tudo entender a situação financeira no qual se encontra o País.

“Quem sofre com reajuste das tarifas é o pobre que está desempregado. É necessário entender que a população não criou este momento de crise, então eles não tem culpa, mesmo sendo os que mais são afetados. A qualidade do transporte público da capital é precária, os ônibus são velhos, as ruas estão com buracos, pois com a crise falta dinheiro para investir na melhoria da cidade, é preciso refletir sobre isso. Mas, antes de tudo acredito as duas categorias precisam sentar, conversar para que talvez se tenha um acordo, caso contrário será decidido em juízo”, disse a magistrada.

O processo foi encaminhado para ser julgado no tribunal. Antes porém, os representantes dos empresários e dos trabalhadores, juntamente a representante do Ministério Público do Trabalho (MPT), Fabíola Bessa Samito, devem se reunir nos próximos 10 dias para novamente tentar um acordo.