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Usuários do transporte coletivo não gostaram da desativação do terminal de ônibus da Matriz, em Manaus

Para os passageiros, o terminal deveria estar liberado porque as águas do rio Negro não atingem mais a plataforma central de passagem dos ônibus na Matriz 22/06/2012 às 07:27
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A Prefeitura de Manaus interditou definitivamente o terminal e iniciou o desmonte dos telhados das paradas
Maria Derzi Manaus

A interdição do terminal de ônibus da praça da Matriz desagradou os usuários de transporte coletivo que vão continuar usando as paradas improvisadas da praça da Heliodoro Balbi (praça da Policia).

A maioria esperava a normalização do sistema após o início da vazante do rio Negro e ficou decepcionada com a decisão anunciada pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) quarta-feira. Para os passageiros, o terminal deveria estar liberado porque as águas do rio Negro  não atingem mais a plataforma central de passagem dos ônibus na Matriz.

O funcionamento das paradas improvisadas é  considerado confuso e traz mais problemas para quem depende do transporte coletivo para se locomover na cidade.

Reclamações
A  principal reclamação dos usuários é a falta de sinalização, já que a Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas, que administra a praça da Polícia, determinou a retirada das placas instaladas para informar os passageiros sobre os pontos de cada rota. O padeiro Edi Carlos Lopes Vieira considera que a situação do transporte coletivo só tende a piorar. “Vai ficar mais difícil, porque aqui, na praça da Polícia, não tem sinalização, os ônibus param longe da calçada, a via é muito estreita”, analisou .

Outro problema apontado pelos passageiros é a falta de abrigo para comportar os passageiros. “Ficamos  aqui, debaixo de sol, de chuva. Não tem nenhum abrigo para a gente esperar os ônibus que estão demorando muito a chegar. Eles deviam entregar logo esse terminal para as coisas se normalizarem”, defendeu  a cozinheira fluvial Eliana Pimentel.

Sofrimento também é o que define a situação conforme o carregador Hiran Miranda.  “Poxa, eles (a prefeitura) disseram que era uma situação provisória. Está muito ruim porque vai  trabalhar lá na área de baixo, tem que subir para pegar o ônibus. É um sacrifício para o trabalhador. E, aqui, os pais de família, que vêm com crianças fazem o sinal aqui na calçada e o infeliz do motorista só para lá na frente, quase no sinal, fazendo com que o senhor tenha que correr com as crianças atrás do ônibus, em tempo de cair, se acidentar e causar morte”, ressaltou.

Para as mulheres, que geralmente estão acompanhadas por crianças, a situação da parada de ônibus na 7 de Setembro é considerada perigosa. “A gente fica perdida aqui, sem saber o que fazer, principalmente quem anda com criança. Temos de correr atrás dos ônibus. Ninguém enxerga isso?”, questionou a funcionária pública municipal  Alcilene Wanderley.

O projeto anunciado pra revitalizar o Centro da capital amazonense pretende, conforme a Prefeitura de Manaus,  reduzir os transtornos na área ocasionados  durante os próximos períodos de cheia do rio Negro.

O presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Manoel Ribeiro, disse ontem que as obras para substituir as galerias de esgoto construídas pelo ingleses por um sistema de drenagem mais moderno sairia mais caro aos cofres públicos. Ele também informou que a execução do projeto deve ser orçada em até R$ 5 milhões.

Para revitalizar o Centro, conforme o Implurb, aproximadamente  1,4 mil bancas de camelôs que hoje estão instalados nas avenidas Eduardo Ribeiro e 7 Setembro serão transferidas para a praça Tenreiro Aranha, localizada na e rua Teodoreto Souto (ao lado do extinto hotel Amazonas).

A feira de artesanato da praça Tenreiro Aranha vai passar a funcionar no antigo terminal central com a instalação de mais de 40 boxes

Da cheia até a decisão de fechar o terminal da Matriz

29 de maio -  O rio Negro atinge a cota máxima de  29,97 metros, permanecendo assim até 2 de junho

30 de maio - A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos anunciou  plano emergencial de limitação da circulação de 129 rotas e de 99 veículos articulados e biarticulados. Eles deixaram de de circular no terminal.

31 de maio - Retirada dos camelôs do lado da Praça da Matriz, na avenida 7 de setembro

2 de junho - O rio Negro inicia vazante.

2 de junho - Manaustrans, SMTU e Defesa Civil de Manaus  interditaram o terminal de Ônibus da praça da Matriz transferindo o fluxo de ônibus para a avenida 7 de Setembro

8 de junho - Manaustrans anuncia que realizará levantamento das vias danificadas pelas águas, pricipalmente no Terminal da Matriz.

Especialista vê ‘bom começo’
Mesmo com as mudanças no tráfego de carros e ônibus, a retirada de camelôs das calçadas e a extinção do terminal da Matriz, especialistas em urbanismo apontam que as medidas divulgadas, quarta-feira, pela Prefeitura de Manaus não são suficientes para garantir a revitalização do Centro da cidade.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), Jaime Kuck, o projeto anunciado pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) representa apenas “um bom começo” para a área central da capital. “Certamente é um projeto importante, mas não é ainda tudo que o Centro precisa”, disse.

O urbanista defende que para revitalizar a área também é necessário a ocupação de imóveis abandonados. Segundo ele, o número de prédios históricos desativados no Centro de Ma naus chega a 50. “O Centro tem uma vida escondida. Nesse projeto de melhoria  precisa incluir habitação pois é uma área que está esvaziada por moradores”.

A medida, segundo Jaime Kuck, teria impacto no trânsito da área central, pois reduziria  certa quantidade de carros durante o horário comercial, período em que motoristas enfrentam um caos na área. “Tendo mais gente morando no Centro reduz a quantidade de pessoas que trabalham nessa área saindo de casa em seus carros”, diz.

Outras opções que também podem ser levadas em consideração são a implantação do programa Zona Azul, que prevê a criação de 30 mil vagas de estacionamento no Centro por meio de um sistema de rodízio, um transporte intermodal pelos bairros com destino ao Centro de barco e implantação de ciclovias. É o que aponta Jaime Kuck. “Daqui alguns anos também pode ser restrita a circulação de veículos de passeio, mas isso é uma medida a médio prazo”, completou.

Região precisa de espaços  atrativos
O urbanista Carlos Antônio Araújo  aponta que outra medida importante para a revitalização do Centro é a construção de espaços atrativos para a população e turistas. “Não adianta fazer um esvaziamento daquela área se não tem nenhum atrativo. Isso não traz revitalização”.