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‘Vamos cancelar o contrato com a Manaus Ambiental’, diz candidato Luiz Navarro

Abrir a caixa preta do setor de transporte coletivo da cidade é outro compromisso do candidato a prefeito de Manaus Luiz Navarro. Ele também quer salário maior para professores 19/08/2012 às 13:12
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Candidato a prefeito de Manaus Luiz Navarro
Lúcio Pinheiro Manaus (AM)

Quase convicto de que a eleição deste ano é a última em que se candidata, o mestre de obras Luiz Navarro (PCB), aos 70 anos de idade, expôs em entrevista a A CRÍTICA, os principais pontos da administração que planeja para Manaus, caso receba, em outubro, a chance de comandar a prefeitura da capital amazonense. A seguir, leia trechos da entrevista onde o comunista fala do que planeja fazer em áreas como habitação, transporte e de arrecadação de impostos.

Qual programa de habitação o senhor tem para a cidade de Manaus?

Nós pretendemos discutir com o conselho popular de construção civil se vamos urbanizar áreas para entregar à população ou se vamos construir. Já que quem tem uma estrutura organizada de construção civil para habitação é o Estado. O município, até o presente momento, não se organizou. E se se organizou, está mal organizado, porque não vem cumprindo com a necessidade de uso de habitação pela população.

O seu plano de governo fala em taxação progressiva dos impostos sobre a propriedade. Com seria isso?

Se a propriedade está mantida, cercada, ou abandonada apenas para uso especulativo, é natural que nós enviemos uma mensagem à Câmara para exatamente aumentar os impostos sobre essas áreas para que os proprietários, não podendo arcar com o valor do pagamento das taxas, as entregue ao poder público para que possa, enfim, urbanizar e construir casas para pessoas que delas necessitem.

O senhor defende a criação de empresas públicas. Eleito, renovará os contratos com as empresas que administram o transporte público em Manaus?

Existe uma caixa preta que até hoje não foi aberta. É preciso saber se a passagem está além daquilo que deveria ser cobrada ou se está aquém. E isso nós examinaremos por meio do conselho popular dos cidadãos eleitos pela comunidade.

O Estado se queixa de ter as unidades de saúde superlotadas porque o município falha no atendimento básico à saúde? Como mudar isso?

Nós mantemos a proposta da campanha passada. Nós deveremos discutir a ampliação do horário de atendimento da população. Esses postos, normalmente, quando dá 17h está fechando. Nós deveremos manter esses postos abertos até à meia-noite.

É possível melhorar os salários e a capacitação dos professores da rede municipal de ensino?

Não tenha dúvida disso. Na campanha passada nós falávamos que iríamos pagar três salários mínimos, mais 50%, pois isso constava na Lei Orgânica do Município. Infelizmente, o prefeito que estava na época, na calada da noite, retirou esse dispositivo que beneficiava os professores. É nosso propósito, ao chegar à prefeitura, reunir todas as categorias, não só os professores, para discutir um aumento emergencial.

O BRT resolverá o problema do transporte coletivo de Manaus?

O BRT não é suficiente. Pretendemos criar o transporte coletivo hidroviário. Esse transporte seria feito da Zona Leste para o Distrito Industrial e posteriormente ao porto de Manaus. A outra linha seria da Zona Oeste para o porto de Manaus, posteriormente ao Distrito. Com isso, entre 350 e 400 mil pessoas deixariam de tomar ônibus e carro. Monotrilho, BRT e transporte hidroviário resolverão definitivamente esse caos.

Manaus continua sem creches. Quantas podem ser construídas em um mandato?

Olha, mil creches não dá para construir num mandato de quatro anos. Mas eu acredito que dá para construir e atender à necessidade da população. E veja bem, a verba para esse tipo de construção não é do município. Está disponível pelo Governo Federal. O gestor atual estava dormindo e não sabia da existência desse recurso, prometeu construir mil e, quando acordou, estava no fim do mandato dele.

O senador Eduardo Braga fala que o município teve condições de fazer obras iguais ao Prosamim e não fez. O senhor vai ampliar esse projeto?

O governo Braga fez o Prosamim, mas não foi com recurso do Estado. Foi recurso do Banco Mundial. É gracioso dizer que o município teria condições de arcar com esse tipo de construção. O município não tem condição, a não ser que abandone como está abandonada hoje a periferia.

Que proposta o senhor tem para os camelôs que atuam do Centro de Manaus?

A única coisa que não se pode pensar é em dar porrada para retirar eles dali. Os camelôs estão ali por culpa da própria cidade, dos gestores. A primeira coisa que tem que fazer é reunir com a categoria para uma decisão imediata e, em 120 ou 180 dias, a questão ser solucionada.

O que o senhor pretende fazer com projetos  como o “Leite do Meu Filho” e “Bolsa Universidade”?

Se possível ampliá-los. São projetos que beneficiam a população. Mas acho que a população deveria ter bons salários. Esse negócio de bolsa disso ou daquilo cria uma dependência entre o favorecido e quem o favorece. Fica uma chantagem política. Agora esses projetos não poderão ser retirados de imediato sob pena de levar as pessoas ao desespero.

Sua administração terá cargos comissionados?

Nós somos favoráveis à extinção de um bocado de cargos comissionados. Veja bem: o gestor, quando assume, a primeira coisa que ele faz é levar os seus amigos para dentro da prefeitura para esses cargos. Enquanto isso, o funcionário concursado, mais competente, está aí a espera de uma oportunidade para mostrar o seu valor. E não existe nenhum plano de cargos, carreira e salários para esse pessoal que está abandonado.

O senhor manterá a concessão do serviço de abastecimento de água à Manaus Ambiental?

Esse é um caso de polícia. O serviço foi privatizado para dar melhor condição à população. Não tivemos melhoria e ampliação da rede. A prova disso é que na Zona Norte se paga carros pipa para ter água em casa. O que conseguimos com isso é que o serviço de água cobra três vezes mais do que pagávamos. Se a companhia não cumpriu com a parte dela, de ampliar a rede e tratar o esgoto, já é motivo de cancelamento do contrato. E nós o faremos.

O que fazer para melhorar o serviço de abastecimento de água em Manaus?

Eu pretendo estatizar o serviço. Há uma briga entre o Governo do Estado e a concessionária. O governo gastou alguns milhões do nosso dinheiro na nova tomada d'água. Parece-me que isso viria resolver a contento, desde que houvesse ampliação da rede. Mas a companhia não está querendo receber a nova tomada d'água. Nós eliminaríamos isso revogando o contrato com a companhia. Nós absolveríamos essa construção do Governo do Estado e de imediato procuraríamos ampliar a rede.

Projetos aprovados na administração atual que preveem cobrança de taxas de estacionamento e de coleta de lixo serão colocados em prática na sua administração?

Isso será questão de estudo. Nós não pretendemos nem dizer que vamos manter nem que vamos eliminar. A priori, esses impostos serão eliminados. Mas falta estudo para saber em que se baseou o atual prefeito para criar essas duas taxas. A população paga taxa demais.

Por isso o senhor defende no seu programa isenção de taxa de água e luz para desempregados?

Isso é um projeto do partido que eu abraço. Como é que uma pessoa desempregada vai poder pagar taxa de água e de luz? Vejo que é uma crueldade do sistema. Mas nós criaremos mecanismos para gerar empregos para essas pessoas. Não pretendemos isentar indefinidamente essas pessoas.

Curiosidades

Um mestre de obra que gosta das letras

Repreendido pelo filho, há 11 anos, o comunista Luiz Navarro deixou de fumar e, garante, foi uma decisão sábia. Leitor voraz de livros, o candidato do PCdoB à Prefeitura de Manaus tem como hobby ir às livrarias, com os filhos.

O senhor pratica esporte?

Tenho duas bicicletas ergométricas em casa e as uso todos os dias. Também sou adepto da técnica do bêbado.

Como funciona a técnica do bêbado?

Fico cambaleando, como um bêbado tentando andar. Os movimentos em várias direções fortalecem a musculatura.

Onde o senhor aprendeu isso?

Eu li.

Mas é esse o nome?

Não. Eu que batizei assim (risos).

Por que o seu primeiro casamento (de 13 anos) não deu certo?

Incompatibilidade de gênios. Casamento é loteria.

Quantos filhos o senhor tem?

Do primeiro casamento tenho quatro. Um morreu. Do atual tenho dois, um garoto de 15 anos e uma menina de 10 anos.

Que programa o senhor faz com os filhos mais novos?

Eles gostam de lê. Eu costumo levá-los à livraria. Meu filho passa horas por lá.

E os filhos do primeiro casamento?

Tenho filha em cargo de direção da Recofarma. Outra, de 24 anos, é pastora evangélica nos EUA, mas não tenho nada a ver com isso (risos).

O senhor acredita em Deus?

Eu vejo uma exploração do nome de Deus constante. Hoje as igrejas evangélicas estão organizadas para apoiar este ou aquele candidato. Existe um desenfreado aproveitamento do nome de Deus. Neste Deus que permite que seu nome seja usado para a exploração dos crentes nós não acreditamos.

O senhor fuma?

Parei aos 59 anos, quando fui repreendido pelo meu filho, que tinha 5 anos de idade. Estava tossindo muito e acendi um cigarro perto dele e ele disse que nunca tinha visto doente fumando. Desde aquele dia, parei de fumar.

O senhor ainda trabalha? O que faz?

Sim. Compro um terreninho, construo e vendo. Eu já tive duas construtoras, mas vendi.

Então, ficou rico?

Não, não. Eu sempre cobrei o preço justo para esses serviços, sem explorar ninguém. Sem especular.

Perfil    

Nome: Luiz Manoel Navarro

Idade: 70 anos

Estudos: ensino médio Incompleto

Experiência: Trabalhador de construção civil. É presidente do PCB no Amazonas. Disputou três eleições em Manaus, mas nunca ocupou um cargo eletivo. Foi candidato a senador em 2006, a prefeito em 2008 e ao Governo do Estado em 2010.