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'Vamos votar em candidato ficha limpa', diz padre Sérgio Lúcio

Um dos religiosos mais queridos de Manaus e que hoje vive na Itália, padre salesiano celebra neste domingo (30) a missa solene do evento ‘Fest Louve’ 30/09/2012 às 18:50
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Padre salesiano celebra neste domingo (30) a missa solene do evento ‘Fest Louve’
Náferson Cruz Manaus (AM)

Conhecido por atrair milhares de católicos às novenas de São José, o padre Sérgio Lúcio desembarcou neste domingo em Manaus para celebrar a missa solene do evento “Fest Louve 2012”, às 19h, na Avenida das Flores, no Conjunto Tiradentes, Coroado, Zona Leste. Em entrevista exclusiva à A CRÍTICA, Sérgio Lúcio  expressa o sentimento dele pelo Estado e fala dos momentos que o consagraram no oficio sacerdotal. Sérgio Lúcio comentou sobre sua transferência e o período que passou longe do Brasil, em Turim, na Itália. Confira a entrevista.

Estamos diante de mais uma eleição, o que o senhor pensa a respeito deste período?

A conquista popular da Lei da Ficha Limpa foi um ganho maravilhoso para a nossa democracia. E graças a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e tantas outras entidades de cidadania e direitos civis, o Brasil está avançando. Embora, com uma certa morosidade vemos também o Poder Judiciário em nosso País condenando exemplarmente crimes contra o erário público e a má gestão político partidária. Vejo com muito otimismo esses sinais, e acredito que estamos a cada eleição melhorando cada vez mais nossa capacidade de escolher o melhor para o País. Fico com a recomendação da CNBB: vamos votar em candidatos com a Ficha Limpa.

Qual é a expectativa do senhor nesse retorno?

Manaus é minha cidade de nascença e onde tenho tantos e queridos parentes e amigos. Sou amazonense e amo nosso modo de ser; nossa cultura, valores e história. Tenho também um grande sentimento de amor e admiração pelo trabalho de evangelização de tantos e heróicos missionários leigos e sacerdotes de nossa Amazônia. Amo muito a nossa Igreja.

Que reflexão o senhor faz de 17 anos de sacerdócio?

Fui ordenado no dia 15 de junho de 1995, no querido Colégio Dom Bosco, onde fui aluno do ensino fundamental  ao médio. São João Maria Vianney dizia que “Sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”. Ser padre é querer cada dia mais ser um instrumento dócil, nas mãos de Deus, para a obra de evangelização e santificação do mundo. É saber que o ministério é um dom de Deus e que deve estar a serviço do próprio Reino de Deus.

Em 2005, o senhor participou de um evento da Igreja Católica, no sambódromo, com mais de 100 mil pessoas, aquilo significou um reconhecimento para o senhor?

São aquelas experiências que marcam e ficam para sempre. Acredito que o evento foi uma manifestação muito bonita da fé cristã do nosso povo amazonense, pois havia pessoas não só de Manaus, mas do Careiro, Iranduba, Barcelos, Rio Preto, Itacoatiara, Manacapuru, enfim tantos outros municípios que faziam também suas caravanas a cada dia 19 do mês, na tradicional Novena de São José. É o reconhecimento do nosso povo devoto que experimentou o amor de Cristo através do louvor, da pregação da Palavra, da fraternidade e da poderosa intercessão que São José, Pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, tem junto de Jesus no céu.

 Em seu livro “Depressão, a cura pela palavra”, há orientações para que o leitor siga o caminho das orações, mas quais outras vertentes podem sustentar a paz?

Eu acredito que enquanto o ser humano não tiver um encontro pessoal com Jesus ressuscitado a sua vida jamais terá paz e sentido. Santo Agostinho dizia: “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti, Jesus”. Claro que Deus deu e dá a inteligência aos médicos para administrarem as curas e terapias que a ciência oferece, contudo, em minha opinião, nesses 17 anos de padre eu já vi, que sem Deus só os resultados medicinais não sustentam a paz que o ser humano anseia.

  Como foi o período em Turim?

Passei um tempo de direção espiritual, reforço na espiritualidade e de trabalho pastoral junto ao Santuário de São João Bosco, em Castelnuovo Don Bosco. Tempo abençoado e de muita fraternidade, e que sou sempre grato, pois na Congregação Salesiana sempre recebi carinho e acolhida dos meus irmãos .

 Que legado o senhor deixou em Manaus?

Uma das minhas grandes alegrias e ver como a sementinha da prática da Novena de São José que nós plantamos no dia 19 continua viva. Fico feliz em saber que a paróquia continua levando a frente esse projeto de evangelização e espiritualidade popular. Parabéns a toda a comunidade salesiana e paroquial por isso. Acredito que o objetivo de um sacerdote não é atrair fiéis para si, mas sim levá-los a fazer uma experiência com Deus, inserindo-os assim na comunidade de fé, que é a Igreja.

 O senhor tem pretensão de atuar novamente em Manaus?

Uma das bênçãos que recebi de Deus em minha vida é a compreensão que não existe nada melhor para ser feliz que fazer a vontade de Deus. É aprender com humildade com nossos erros, e saber que a nossa força e vitória reside unicamente no amor e seguimento a Ele. Hoje sigo feliz anunciando o evangelho de Cristo aonde a sua graça vai me conduzindo. Servir ao Senhor aonde Ele indicar e chamar. Ele tem propósitos em tudo o que nos permite viver.  O segredo é estar sempre aberto a tudo o  que Deus vai nos propondo e permitindo.

Perfil

Idade:46

Nome: Sérgio Lúcio Alho

Estudos: Filosofia e Teologia

Experiência: Padre salesiano desde 1995, é radialista e mestre em Comunicação Social pela Universidade Pontifícia Salesiana de Roma, Itália. De 1999 a 2005 serviu a igreja de Manaus, na Paróquia Salesiana de São José Operário, na Praça 14, Zona Sul.