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Vandalismo nas paredes das Igrejas em Manaus

Igrejas dos Remédios e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foram pichadas com tintas vermelhas jogadas por idoso 29/03/2012 às 07:37
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Tombada pelo patrimônio histórico, a Igreja dos Remédios só pode ser pintada novamente com o auxílio de técnicos de órgãos especializados em patrimônio
Ana celia ossame Manaus

Há duas semanas, o templo da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, situada no bairro de Educandos, Zona Sul, foi atacado com jatos de tinta vermelha. O mesmo ato já havia sido praticado outras duas vezes, ano passado, e também contra a Igreja dos Remédios, tombada pelo patrimônio histórico, que tem suas paredes laterais marcadas pela tinta vermelha. O caso foi registrado na polícia, mas segundo o arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, o homem, chamado Francisco, tem 70 anos e seria doente.

“Ele se acha perseguido pelos padres, chegou a mandar cartas para mim dizendo isso. Nosso medo é que ele mate um padre ou mesmo a mim sob a justificativa de que está sendo ameaçado por nós”, afirmou.

Dom Luiz disse que esses atos de vandalismo vêm acontecendo desde o ano passado, acompanhado das cartas nas quais o cidadão diz-se ameaçado. Ele chegou a colocar cartazes na frente da casa do arcebispo, mas uma investigação mostrou que o autor é desequilibrado e por isso não haveria o que fazer. Os padres das paróquias atingidas pela tinta chegaram a registrar Boletins de Ocorrência (BO) nas delegacias dos bairros onde estão situadas, mas não viram providências. Na verdade, segundo o arcebispo, parece que ninguém sabe o que fazer por se tratar de uma pessoa idosa e doente.

Sobre as cartas, dom Luiz diz que revelam o adoecimento do autor, pois ele fala em perseguição e que usa a tinta vermelha para mostrar que os padres teriam as mãos sujas de sangue, o que é um evidente absurdo, argumenta o religioso, que cobra das autoridades policiais uma providência efetiva.

Patrimônio
O pároco da Igreja dos Remédios, no Centro, Zona Sul, Bento Pavão, 61, na paróquia desde último mês de janeiro, lamenta que o ato de vandalismo atinja não só um templo religioso, mas também um patrimônio histórico e artístico do Estado. 

A Igreja dos Remédios tem 130 anos de construção e uma história intimamente ligada à da cidade de Manaus, disse o padre, natural de Jundiaí (SP), lembrando que restaurar a pintura vai exigir a mobilização de técnicos do patrimônio histórico.

“Tiveram que colocar grades aqui para evitar que os moradores de rua dormissem  nas calçadas e fizessem todo tipo de sujeira”, observou ele, lamentando a situação.

O aposentado Lourenço Gonçalves, 71, morador do bairro de Educandos, lamenta ver esse tipo de atitude contra um templo católico. “Essa é a terceira vez que fazem isso, numa completa falta de respeito que deveria ser investigada e punida”, afirmou.

O padre Ronaldo Mendonça de Oliveira, da paróquia de Nossa Senhora de Aparecida, no bairro do mesmo nome, Zona Sul,  é outro preocupado com a situação. Ele questiona o fato de o cidadão  ser capaz de praticar esse ato de violência por ser considerado doente mental e por isso ficar inimputável. “Mas, e se tiver um ato agressivo contra uma vida, quem se responsabilizará?”, finaliza.

Praça abandonada
Outro problema que preocupa os religiosos é o abandono de locais históricos como a Praça dos Remédios, situada à frente da Igreja dos Remédios. Os sinais de vandalismo são visíveis nos bancos quebrados, ferros retorcidos e as pichações, que agora encobrem os avisos de conservação do patrimônio público.

De acordo com moradores da área,  a praça está sem qualquer intervenção pública há quase nove anos e é tomada por alcoólatras e mendigos. Segundo eles,  a Praça dos Remédios,  que é uma das mais antigas de Manaus, já foi um espaço ocupado pelas pessoas, para passeios e bons bate-papos. 

Eles esperam que a transformação da antiga Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em museu possa ser o início de uma revitalização da área, tão signitivativa para a história de Manaus. 

Assaltantes visam os templos
Os templos religiosos vêm sendo alvos de assaltos nas últimas semanas. No último dia 20, a Igreja de São João Batista, no bairro da Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, foi arrombada, assaltada e os bandidos, identificados como da “Gangue da Marreta”, levaram um microsystem e o sacrário do templo com 40 hóstias consagradas pelo padre Geraldo Bendaham. O que deixou a todos mais indignados foram as inscrições com desenhos pornográficos deixados no local. 

De acordo com o pároco da Igreja de Nossa Senhora das Graças, padre Geraldo Bendaham, o ataque ao templo foi descoberto na terça-feira, 20, no horário da tarde, quando uma das ajudantes foi ao local para prepará-lo para a novena das 19h, e encontrou o lugar arrombado e pichado.

No último final de semana, 24, a igreja atacada por criminosos foi a Pentecostal Cristo Vive, na comunidade Santa Cruz, Flores, Zona Centro-Sul. Seis homens invadiram o templo no último fim de semana por seis homens que residem na área e que até o momento estão foragidos da polícia. Parte dos objetos roubados foi recuperada, mas a polícia não prendeu nenhum dos bandidos.