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Vanessa Grazziotin apresenta suas propostas de governo para prefeitura

Oriunda dos movimentos populares, a candidata Vanessa Grazziotin afirma que sua administração será marcada pela inclusão social e participação da sociedade 15/09/2012 às 19:08
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Vanessa Grazziotin
MARIANA LIMA ---

Aos 51 anos de idade,  a catarinense Vanessa Grazziotin (PCdoB) quer entrar para história como a primeira mulher a ocupar a cadeira de prefeita de Manaus. Parlamentar há 23 anos, a senadora afirma que, se eleita, implantará uma gestão descentralizada, com a ajuda da população e dos vereadores, e adotará mecanismos democráticos como o orçamento participativo.

Militante histórica do movimento de luta pelos direitos da mulher, Vanessa afirma que,  além dos desafios próprios de uma campanha eleitoral, também enfrenta, em alguma medida, o preconceito das pessoas que acham que uma mulher não é capaz de andar com as próprias pernas. “Dificilmente isso seria dito para um homem”, enfatizou Vanessa. A seguir trechos da entrevista concedida  para A CRÍTICA pela candidata da coligação “Melhor pra Manaus”.

Por que a senhora quer ser prefeita de Manaus?

Primeiro porque eu entendo que a gente vive um processo de mudança e transformação no País muito importante. É um projeto político muito claro que é a busca do desenvolvimento com a inclusão social. Falo de Brasil e de Amazonas porque desde 2002, quando nosso candidato a presidente da República se elegeu (Lula) e no Amazonas se elegeu o Eduardo Braga, tanto o Governo Federal quanto o Governo Estadual vêm trabalhando de mãos dadas e a prefeitura não. Sempre na contramão, sempre com problemas, e isso é visível porque a cidade tem parado. Então eu decidi e aceitei (ser candidata a prefeita) para fazer com que Manaus entre no caminho do desenvolvimento com inclusão social.

 

A sua candidatura nasceu de uma composição entre o governador Omar Aziz e o senador Eduardo Braga. A senhora vai administrar de forma independente?

Nós decidimos a candidatura em uma reunião de todos os partidos com a presença do PT, PMDB do senador Eduardo Braga e o PSD do governador Omar Aziz que foi a primeira pessoa a levantar o meu nome.  O que não significa dizer que eu não terei autonomia e nem que não terei pulso nem força para administrar. Eu tenho muita independência, muita autonomia, muito pulso e muita força. Sendo mulher, inclusive, porque eu sei que muito dessas críticas é uma forma de atingir diretamente não somente a mim, a candidata, mas de atingir a mulher dizendo que as mulheres não têm capacidade, independência.

Manaus conseguirá se preparar a tempo para a Copa do Mundo?

Vai. Claro que a gente não vai poder resolver tudo aquilo que gostaríamos de ter pronto na Copa do Mundo. Por exemplo, o novo modal do transporte coletivo. Isso talvez não fique pronto até lá, mas nós vamos ver o que é possível fazer, pelo menos um bom trecho, pelo menos uma boa parte dele.

Muito se especula que o legado da Copa do Mundo serão dívidas. A senhora concorda com isso?

Não para o município. Acho que aí é uma questão de Estado porque a maior parte das obras, por exemplo, a Arena da Amazônia, que é a parte mais cara, é de responsabilidade do Governo do Estado. Agora eu vejo que o legado de coisas boas que a cidade vai ter é bem superior do que o legado de endividamento. O BRT e o próprio monotrilho são obras que não começaram, mas em breve começarão, com recursos do Governo Federal. Acho que isso vai melhorar muito a vida das pessoas. Acho que se tivesse havido mais empenho, a administração municipal poderia ter capitado muito mais recursos para a própria reconstrução do Centro de Manaus.

O que a senhora pretende fazer na área da saúde?

Eu preciso e vou resolver o problema da saúde. Nós vamos ampliar o número das unidades básicas, chamadas de Casonas da Família e o número de equipes. Eu sei que vou ter dificuldades com profissionais, principalmente médicos, mas eu estarei pressionando o Governo Federal para encontrar uma  solução porque o povo não pode ficar sem médico. A pessoa tem que entrar na fila para marcar consulta e depois entra em outra fila para dois meses depois ter aquela consulta com um profissional e sai de lá não tem remédio, isso não está certo.

Como  melhorar o transporte coletivo na cidade?

Primeiro implantando um método de engenharia de transito eficiente e eficaz. Isso dá para fazer em um curto espaço de tempo, com sinalização inteligente, mudança de fluxo das vias em determinados horários e ter um plano viário feito em conjunto com o Governo do Estado. Já tem a continuidade da avenida das Torres, a avenida das Flores, o anel viário. Mas em paralelo ao trabalho do governo  vamos tentar resolver alguns problemas, como o do complexo Gilberto Mestrinho. Não podemos ficar engarrafados em cima do viaduto como ficamos todos os dias. Tem a implantação do BRT, a modernização do transporte coletivo e a retomada para a prefeitura do controle do transporte coletivo. Porque o transporte coletivo urbano é uma concessão municipal, mas quem controla é o Sinetram.  Eu vou retomar para a prefeitura uma obrigação que é da prefeitura.

Que modelo de gestão a senhora pretende implantar?

Vou fazer as administrações regionais, a descentralização administrativa, o orçamento participativo honesto não aqueles orçamentos participativos que as pessoas não veem o resultado, com muita participação da população da Câmara dos Vereadores porque eu sei que há muitos vereadores que se elegem por região, por bairro, por local e eu tenho que respeitar e valorizar porque são lideranças locais então quero trabalhar muito com eles.

Que projetos a senhora tem para os camelôs?

Vou tratá-los com respeito sem nenhuma violência. A alternativa que vamos implantar é aquela que for escolhida entre nós, prefeitura, camelôs, comerciantes e os moradores, todos que interagem com o Centro de Manaus. E para eles eu não quero só dar um local digno para trabalhar. Vou dar toda a condição. Está errado dizer que vai ser só um grande shopping popular. Porque só isso não resolve. Isso vai acontecer com muito respeito, sem violência, para não repetir fatos que aconteceram na nossa história e que, apesar de acharem que se perdeu, não se perdeu. Ficou muito marcado porque a democracia tem que respeitar as pessoas de fato não só no discurso.

Quando a presidente Dilma Rousseff se candidatou foi estigmatizada. A senhora tem percebido algo parecido em sua candidatura?

De forma subliminar, sim. Hoje a sociedade não permite que as pessoas falem claramente que duvida da nossa capacidade, da capacidade de uma mulher, mas ainda tem muito isso. Este fato de dizer que eu ando de muleta e não ando com as próprias pernas,  por exemplo, isso dificilmente seria dito para um homem. Porque quando você faz a política, você faz trabalhando e só nós mulheres sabemos disso. Nós mulheres somos obrigadas a trabalhar, não em dobro, mas o triplo do que os homens trabalham para a gente ser reconhecida.  É assim no trabalho: a mulher para subir na carreira tem que trabalhar, trabalhar e trabalhar.

A senhora conheceu uma militância que ia para as ruas empunhar bandeiras por acreditar em causas. Como  avalia esse outro tipo de militância que recebe dinheiro para ser cabo eleitoral?

A militância continua na rua. Mas é óbvio que na nossa época era diferente porque as campanhas eram maiores. Tinha mais tempo, havia seis meses de campanha. A gente fazia campanha no horário do almoço, no fim do expediente, no fim de semana e agora não, a campanha é muito rápida e você precisa de pessoas que se ajudem. Mas uma coisa a gente tem que compreender que hoje a realidade é diferente do que era na minha época de movimento estudantil.

Manaus está inserida numa região metropolitana. A senhora leva isso em conta no seu plano de governo?

Tenho discutido bastante e  perdido horas de sono quando penso em relação a isso, principalmente na área de saúde.  A facilidade com que as pessoas vêm de Iranduba e Manacapuru para Manaus é muito maior e isso  impacta diretamente o sistema de saúde e para isso existem regras no Sistema Único de Saúde. Há procedimentos quanto a isso estabelecidos pelo próprio Ministério da Saúde, mas Manaus não trabalha com nenhum deles.

Curiosidades

Confissões de uma comunista que torce pelo Corintians

A senhora é a favor da descriminalização do aborto?

Nunca fui, porque sou mulher e sei o que representa ter um filho. Acho que nós precisamos dar condições para as pessoas mais humildes que fazem o aborto de maneira mais insegura, agressiva à saúde e muitas morrem por conta disso.

E sobre a legalização da maconha?

De jeito nenhum.

O que a senhora pensa sobre o casamento homossexual?

Casamento é entre homem e mulher. Eu sou contra a outro tipo de casamento. O que você pode ter é contrato de pessoas que podem viver juntos. Contrato para você ser dependente de outro em um plano de saúde e ter direito sucessório aos bens daquela pessoa e isso não se dá somente entre pessoas do mesmo sexo que optam por morar juntas. Isso se dá entre tio e tia,  avó e neta.

A senhora está lendo algum livro?

Atualmente eu tenho lido muitas coisas na Internet, muito jornal. Eu comprei três livros novos para começar ler, mas ainda não consegui. Neste período é impossível.

Qual é o seu time?

Eu sou corintiana. Eu torço, mas não sou fanática. Meu pai era corintiano e eu queria ser que nem ele então comecei a torcer por esse time por causa dele. Eu acompanho bem, não me considero fanática.

A senhora tem tempo para ficar com a sua família? Como administra isso?

O tempo é pouco, mas é muito bem usado. A gente aproveita bem quando está junto. E quando eu não estou em atividade na rua eu não sou uma pessoa de frequentar outros lugares. Gosto de ficar em casa. Faço pipoca, pizza, sanduichinhos para comer vendo televisão ou assistindo jogo.

Quais sãos os seus cuidados com a pele durante as caminhadas?

A tecnologia hoje é bacana, uso protetor solar. Eu nem boto chapéu, porque eu não gosto de boné e só coloco quando não tem jeito mesmo. Protetor é bom porque ajuda muito.