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Manaus
DESCIDA DAS ÁGUAS

Vazante está lenta, mas famílias da orla de Manaus começam a voltar à rotina

Desde que começou a secar, no dia 6 de junho, até hoje, o nível do rio Negro baixou 79 centímetros 17/07/2017 às 19:49 - Atualizado em 17/07/2017 às 19:51
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Moradores relatam que antes dos anos 2000 as águas não avançavam tanto e muitos abandonam as casas nesse período. Foto: Silane Souza
Silane Souza Manaus (AM)

A vazante do rio Negro em Manaus segue em ritmo lento, secando entre dois a três centímetros por dia, mas muitas pessoas que moram em áreas de inundação já  tiveram suas casas livres das águas. Desde que começou a secar, no dia 6 de junho, até  ontem, o nível do rio baixou 79 centímetros, deixando a cota em 28,21 metros, de acordo com dados da medição do Serviço de Hidrologia no Porto Privativo, no Centro.

No fim da rua Humberto de Campos, no bairro São Jorge, Zona Oeste, o nível da água baixou e  a maioria das casas que foram atingidas pela água estão em terra. As famílias agora  tentam voltar à rotina. “Conseguimos sair de casa sem precisar mais de ponte e canoa. Isso é muito bom. Mas está secando muito devagar a vista de outros anos”, comentou o sucateiro Francisco Silva do Nascimento, 53.

O pintor de carro Jorge Martins, 60, voltou para casa há um mês. De acordo com ele, teve que sair quando a água atingiu o imóvel. “Antes a água não avançava tanto. A partir de 2000, as cheias começaram a inundar as casas. Toda vez que acontece isso muitos saem de suas casas e vão morar com parentes ou de aluguel, como é o meu caso. E quando as águas descem voltamos”, contou.

No interior do Estado, como mostra o último boletim de acompanhamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgado no último dia 14, a vazante também segue em processo regular, como nos rios Purus e Madeira. Nas bacias do Amazonas, as estações monitoradas estão em início de período de vazante, e na do Solimões, o processo de vazante segue em toda a sua extensão.

Ao contrário do que se vê em Manaus, o rio Negro, no alto e médio curso, encontra-se em processo de enchente, mas já estabilizando nas estações de Moura e Barcelos nas últimas semanas, conforme informações do boletim do CPRM. No porto da capital amazonense, o rio Negro baixou 79 centímetros entre os dias 6 de junho e 17 deste mês e segue apresentando processo de vazante.

Em todo o Estado, 38 municípios ainda continuam em estado de emergência, com 62.632 mil pessoas afetadas pelos altos níveis dos rios amazonenses, e recebendo ajuda humanitária, de acordo com a Defesa Civil do Amazonas. Nove cidades seguem em situação de alerta e duas em situação de atenção.

Aumento das chuvas

No período de 20 a 28 deste mês, o modelo climático do Center for Ocean-Land-Atmosphere Studies (Cola) mostra uma leve redução da massa de ar seco, aumentando o volume de chuvas na faixa norte e noroeste do  território do Estado do Amazonas.