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Manaus
CHEIA GRANDE EM 2017

Alerta de Cheia: cota máxima do rio Negro deve chegar aos 29,93 metros

O primeiro Alerta de Cheia foi divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) 01/04/2017 às 05:00
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Ao menos 15 bairros de Manaus serão afetados pela enchente 2017 (Márcio Silva)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Ao menos 15 bairros de Manaus serão atingidos, nos próximos meses, pelas águas do  rio Negro se  a cota máxima dele chegue aos 29,95 metros previstos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e divulgada, ontem, no primeiro Alerta de Cheia deste ano.

O gerente de respostas aos desastres da Defesa Civil do Município, Ariomar Nobre, esteve presente a divulgação do alerta e informou que, na próxima semana, a secretaria irá retornar aos bairros que anualmente são atingidos pela cheia com o objetivo de levantar os dados necessários de atendimento e dar início a construção das pontes de acesso aos lugares mais vulneráveis. “Precisamos de um dado físico o quanto antes para iniciarmos  as ações de ajuda humanitária. Após esse levantamento, vamos realizar o cadastramento das famílias nos locais em que a situação for crítica” , disse Ariomar Nobre, acrescentando que as ações podem se limitar a concessão de ajuda humanitária, mas também ao deslocamento para  moradias temporárias com vistas a  evitar o contato direto com águas  insalubres.

Depois de iniciar a vazante, provavelmente no segundo semestre, a secretaria realizará a dedetização das moradias atingidas pelas águas do rio. “Caso a família necessite de nossa ajuda, pode entrar em contato com a nossa central no 199. Estamos trabalhando com todos os setores de forma integrada para minimizar qualquer situação de risco”, disse.

Conforme o gerente são pelo menos 80 pontos de risco em Manaus. “Estamos retornando a esses lugares pontuados tanto como área de risco por alagamento como também por desabamento para verificar a atual situação. Nos últimos anos, tivemos a retirada de muitas famílias dessas áreas, por conta disso não podemos afirmar no momento um número exato de quantos devem ser afetados com essa cheia”, comentou.

 O alerta
A pesquisadora do CPRM, Lunna Gripp, responsável por divulgar o primeiro alerta de cheia garantiu que o rio deve atingir uma cota entre  29,25 metros e 29,95 metros. “É importante alertarmos o quanto antes a população, principalmente os ribeirinhos para que possam se preparar, pois a cheia será bem a cima da cota máxima de 2016. Nossa previsão e de pelo menos 2,41 metros a cima da cheia do ano passado, algo próximo a cheia recorde”, detalhou.

Durante a explanação dos dados da cheia, a pesquisadora apresentou gráficos de monitoramento das principais estações de análise dos rios Negro e Solimões. Quando comparados com os resultados de 2012, as estações de Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, nesses três primeiros meses os de 2017 ultrapassam a do ano da cheia histórica.

Marco Antônio Oliveira - Superintende do CPRM
Para Marco Antônio de Oliveira, o rio Negro deverá oscilar entre a cota 29,25 metros e 29,95 metros. “O que queremos indicar nesse alerta é que vamos ter uma cheia grande (quando ultrapassa os 29 metros) e que deverá atingir toda população de Manaus e também do interior, pois quem controla a subida das águas do rio Negro é o Solimões. Então,  se o rio Negro reflete uma cheia grande, logo o mesmo processo deve ocorrer em toda calha do Solimões, de Tabatinga até o baixo Amazonas”, analisou . Ontem, o Negro subiu 8 centímetros e foi  a cota de 27,27 metros, 40 centímetros abaixo da marca registrada no mesmo dia em  2012, ano da maior cheia. No dia 30 de Abril o Serviço Geológico do Brasil irá divulgar o segundo alerta de 2017, quando o processo de subida das água estará mais consolidado.

Temporada de Chuva deve se estender 
De acordo com o chefe da divisão de meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Dallarosa, a previsão e de muita chuva para os próximos meses em toda o Estado do Amazonas. “Teremos um efeito residual do fenômeno ‘La Niña’, que sempre produz aumento nas chuvas na região Amazônica e esteve bastante ativo nas Amazônias peruana e colombiana. Por conta dela, os rios começaram o ano com nível relativamente elevado, como foi o caso do Juruá, do Solimões, Amazonas e o próprio rio Negro. A expectativa para os próximos três meses é termos a permanência desta situação”, avaliou o meteorologista do Sipam.

Para Dallarosa, o fato de estarmos na estação chuvosa deixa a situação mais preocupante. Até o mês de maio deverá chover bastante na região. “Serão chuvas abundantes e por isso a preocupação com os volumes das águas e principalmente as populações ribeirinhas a serem afetadas”, disse. A contribuição da chuva será significativa no início desse trimestre para o aumento do volume das águas dos rios da região.

Defesa Civil monitora os municípios
O secretário-executivo de Defesa Civil do Amazonas, Fernando Pires, divulgou um  balanço da enchente de 2017. Até ontem, os municípios de Guajará, Ipixuna, Eirunepé e Itamarati estavam em Situação de Emergência, com  5.970 famílias afetadas. Dez municípios se encontravam em Situação de Alerta e sete em Situação de Atenção. 
Manacapuru está em  emergência devido a deslizamentos de terra e 41 famílias estavam afetadas. 

“Estamos  realizando um levantamento de acordo com os diagnósticos das calhas dos rios. Tudo está ocorrendo conforme as previsões. A primeira calha observada foi a do Juruá onde temos hoje quatro municípios em  emergência e mais dois em alerta. A primeira assistência foi encaminhada para esses municípios. A próxima calha em observação é a do alto Solimões e estamos preparados para as próximas situações no alto e  médio Solimões”, informou.

Conforme Pires, a Defesa Civil irá iniciar os trabalhos juntamente aos órgãos da prefeitura de Manaus para atender a capital. “A probabilidade é muito grande de um evento de grande magnitude na capital. Após destinarmos nossas atividades em Manaus iremos seguir com as calhas do baixo Amazonas e, diga-se de passagem, já se encontra em uma situação atípica, pois não era para estar  em Situação de Atenção”, comentou.

Pires informou que em Parintins o nível da água se encontra bem próximo a cota de alerta e da cota de transbordamento. “Estamos trabalhando em Parintins para um evento de cheia gradativa”, completou. A única calha sem preocupação para a Defesa Civil é a do Madeira. “A  enchente lá  está dentro da normalidade”, relatou o secretário.