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Manaus
GREVES RELÂMPAGOS

Vereador chamará rodoviários para discutir precariedade de condições de trabalho

Apenas 2% da frota, cerca de 30 veículos, foi renovada em 2017, contrariando a Lei Orgânica do Município (Lomam) que preconiza 25% da renovação da frota anual 07/03/2018 às 10:08 - Atualizado em 07/03/2018 às 10:10
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Trabalhadores rodoviários interditaram a avenida Constantino Nery, no trecho do Terminal de Integração 1, até o início da tarde. (Foto: Euzivaldo Queiroz: 28/fev/2018)
Larissa Cavalcante Manaus

As paralisações no transporte público vai ser tema de audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Autor da proposta, o vereador Jaildo dos Rodoviários (PCdoB) informou que pretende chamar  a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), o Ministério Público Estadual (MP-AM) e a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) para discutir o assunto. 

Na última quarta-feira, trabalhadores rodoviários interditaram a avenida Constantino Nery, no trecho do Terminal de Integração 1, até o início da tarde. A justificativa do ato foi o adiamento de uma audiência para discutir o dissídio coletivo da categoria (reajuste buscado pela via judicial) no Tribunal Regional do Trabalho (TRT 11).

“Essa greve relâmpago foi a revolta dos funcionários. Eles estão recebendo com atraso e já vai chegar o outro dissídio e não se resolve. Ano passado teve o reajuste da tarifa e não repassaram para o trabalhador. Também não é correto penalizar a população. Se a audiência pública não resolver o entrave, iremos instaurar uma CPI”, disse o parlamentar.

Colapso

Para o vereador Bessa (sem partido), o assunto não pode ser tratado isoladamente. Ele ressaltou que regulamentação dos aplicativos de transporte de passageiros precisa seguir as mesmas regras dos demais modais.

“Vamos ter um colapso no sistema. Temos que tratar o transporte público com bastante cuidado. O modal vem perdendo passageiros, cobradores e motoristas estão sendo demitidos. Os veículos são sujos e não são modernos. Ainda estamos convivendo com o transporte clandestino em diferentes pontos da cidade. Isso é reflexo de todas as modalidades que estão quebradas. Se o presidente Temer tem 45 dias para sancionar a lei, como que o prefeito Artur Neto tem que resolver o problema em 30 dias. Não tenha pressa prefeito. A população está sendo mal tratada nesses veículos e tem coisa muito séria para tratar”, declarou.

Sem renovação

Em pronunciamento na tribuna, o vereador Doutor Ewerton Wanderley (PPL) disse que o sistema de transporte coletivo em Manaus encontra-se na “UTI” ao criticar a má qualidade dos serviços prestados pelas empresas de ônibus. O parlamentar também reprovou o valor da passagem que não condiz com a qualidade do serviço. 

O parlamentar destacou que apenas 2% da frota, cerca de 30 veículos, foi renovada em 2017, contrariando a Lei Orgânica do Município (Lomam) que preconiza 25% da renovação da frota anual.

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 “A relação  da prefeitura com as empresas de transporte público é algo apodrecido. Tem que implodir para começar do zero com novas regras e com um bom projeto operacional para garantir eficiência. É preciso um novo arcabouço jurídico com novas regras. Empresário não tem que vender passagem de ônibus. Isso é absurdo e depois ele mesmo se paga. Fala-se tanto de modelos de referência como o da Colômbia. É preciso ter disposição política e eu nunca vi isso no Artur. A verdade é que precisamos olhar para o transporte público e vê que o problema está se agravando. A cidade não pode ficar assustada de tempos em tempos com paralisações. Não dá para os empresários não cumprirem as suas obrigações para com os trabalhadores e com a população”, disse o vereador pelo PMN Chico Preto.

Paradas em série

A CRÍTICA mostrou, na edição do dia 25 de fevereiro, que até então, no “aniversário” de um ano do reajuste que elevou a tarifa para R$ 3,80, haviam sido registradas pelo menos cinco paralisações neste ano. O aumento do preço foi acompanhado de promessas de melhorias no sistema, mas na prática, o que aconteceu foram paralisações em série. Em 2017, foram registradas 66 suspensão dos serviços pelos trabalhadores rodoviários, que causaram prejuízos para uma média de 37,8 mil usuários do sistema por cada parada.

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