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Manaus
DISCUSSÃO

Vereadora Joana D'Arc tem microfone cortado e é chamada de mentirosa na CMM

Proposta de uma audiência pública para tratar da LGBTfobia em Manaus gerou discussão; Câmara nega cerceamento da palavra e diz que cumpriu regimento 23/04/2018 às 16:58 - Atualizado em 23/04/2018 às 18:12
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(Foto: Divulgação / CMM)
Larissa Cavalcante Manaus (AM)

Na manhã desta segunda-feira, a vereadora Joana D’Arc (PR) teve a palavra cerceada durante discursos na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Ela teve o microfone cortado e, no decorrer da discussão dos requerimentos de sua autoria, também foi chamada de mentirosa pelo vereador Felipe Souza (PHS) que estava no comando da mesa diretora da Casa.

Felipe comandava a sessão uma vez que o presidente da Casa, Wilker Barreto  (PHS),  estava em reunião no gabinete da presidência. A Câmara Municipal, em nota, negou que tenha havido cerceamento da palavra da vereadora.

O corte no microfone de Joana D'Arc aconteceu durante o discurso que ela fazia na tribuna da Casa. Ela havia levado para a apreciação do plenário, nesta segunda, a proposta da realização de uma audiência pública para tratar a LGBTfobia no âmbito do município de Manaus.  Na apresentação da proposta, houve discussão no plenário.

O vereador Marcel Alexandre (PHS) fez um  apelo aos demais vereadores para que votassem contra o requerimento. Segundo Alexandre, o ato é para marcar posição do segmento cristão evangélico na Casa.

“Pedi aos meus pares que me acompanhassem em respeito ao que aconteceu no cenário nacional com o uso indevido dos símbolos cristãos pelo movimento LGBT. O respeito e a tolerância deve ser uma via de  mão dupla. Eles eram recebidos pelo movimento evangélico, agora eles fazem o que fizeram com os símbolos sagrados da massa. Então marcamos posição e votamos contra”, defendeu ele. .

Segundo a vereadora, para não deixar de atender às minorias será realizado uma audiência pública em frente à CMM para tratar do combate a ‘LGBT fobia’. Ela pretende convocar parlamentares da CMM, autoridades, representantes do movimento e a população em geral.

Em relação à conduta de  Felipe Souza, a vereadora informou que ela pediu  a retirada de um de seus requerimentos da pauta, e o vereador teria dito que não viu ela se manifestar sobre o assunto. A parlamentar conta que foi nesse momento ele a chamou de “mentirosa”.

Votação

Votaram contrários a realização da audiência pública os vereadores Claudio Proença (PR), Daniel Vasconcelos (PMN), Dallas Filho (MDB), Fred Mota (PR), João Luiz (PRB), Joelson Silva (PSDB), Marcel Alexandre (PHS),  Missionário André (PTC), Professor Samuel (PHS), Professor Fransuá (PV), Roberto Sabino (PHS), Rosivaldo Cordovil (PODE), Sassá da Construção Civil (PT) e  Wallace Oliveira (PODE).

E favoráveis ao debate público, os vereadores Coronel Gilvandro Mota (PTC), Dr. Ewerton Wanderley (PHS), Elias Emanuel (PSDB), Everton Assis (DEM), Glória Carratte (PRP), Hiram Nicolau (PSD), Plínio Valério (PSDB), Professora Jacqueline (PHS), Professora Therezinha Ruiz (PSDB) e o Sargento Bentes Papinha (PR), segundo informações passadas pela assessoria da parlamentar

Problema constante

De acordo com a vereadora, os cortes em seu microfone são constantes durante pronunciamentos no plenário. Na semana passada, a prática gerou a manifestação de outros parlamentares, inclusive da vereadora Professora Jaqueline (PHS). Ela  também se expressou ao dizer que não teve a oportunidade em discutir o projeto de sua autoria que estava na pauta do dia.

“Não é só cortar o microfone, muitas vezes o presidente fala por cima do que eu estou falando, sou vista como chata por exigir questões de regimento e pedir a contagem dos vereadores (quórum) para votação. Infelizmente, a Câmara Municipal não está refletindo as vontades do povo. Eu vejo mais como prejuízo às pessoas e não a mim”, afirmou Joana D’Arc.

A vereadora informou que vai manifestar-se junto à Procuradoria da Mulher, no Senado, sobre os constrangimentos que vem ocorrendo com frequência na CMM. “Estou juntando os discursos, as provas, relatos e testemunhos e vou cobrar os meus direitos porque já vi que na Câmara Municipal eu não vou conseguir exercê-los”, disse.

Histórico

Em maio de 2017, a vereadora também teve a fala cortada pelo presidente Wilker Barreto (PHS) que encerrou a sessão e não permitiu que ela se manifestasse ao microfone em relação à CPI da Água. À época, o vídeo divulgado viralizou nas redes sociais e a atitude do presidente foi classificada como machista e autoritária.

“Estou como representante do povo e vejo que enfrento dificuldade pelo fato de ser mulher, nova, por defender as minorias, por não aceitar o sistema, votar contra e não aceitar o errado. Após esses acontecimentos, me sinto mais forte e consigo me impor”, avalia.

Outro lado

Em nota, a Câmara Municipal de Manaus nega veemente qualquer tipo de cerceamento à palavra dos vereadores durante sessões plenárias pela mesa diretora da Casa. "Reforça, no entanto, a importância de diferenciar o cerceamento de palavra com cumprimento de regimento interno. A Casa leva em consideração sempre, sem distinção de posicionamento político ou orientação sexual, o Regimento da Casa, acreditando que isso, resguarda direitos iguais a todos", diz o posicionamento da Casa.

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