Publicidade
Manaus
Manaus

Vereadores entram em novo confronto na CPI da água em Manaus

Presidente e relator da comissão parlamentar de inquérito da Água apresentam datas diferentes para entrega do documento  16/08/2012 às 07:17
Show 1
Leonel Feitoza pediu mais um mês para conclusão do relatório final da CPI
AUGUSTO COSTA ---

Passados 11 dias do encerramento das atividades da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Água, o presidente e o relator da CPI se desentendem sobre a data de apresentação do relatório final das investigações. Leonel Feitoza, que preside comissão, quer empurrar a entrega do relatório para daqui a um mês. Marcel Alexandre, o relator, disse que dá para concluir o documento em 11 dias. A CPI, que já teve até convocação de morto para depor, agora expõe mais um desencontro. Leonel Feitoza enviou memorando aos membros da comissão pedindo adiamento da entrega do relatório, que deveria ter sido concluído ontem, alegando que os técnicos que estão realizando a análise da documentação não conseguiram terminar os trabalhos.

Em resposta ao memorando do presidente, o vereador Marcel Alexandre, relator da CPI, encaminhou outro documento sugerindo que o fechamento do texto que apontará os problemas da concessão de água em Manaus pode acontecer antes do prazo solicitado pelos técnicos e disse que a apresentação do relatório pode ser feita no dia 27. Leonel Feitoza, que já culpou a presidência da CMM e a imprensa pelo fracasso da CPI, argumentou que está apenas seguindo a orientação dos técnicos que pediram mais 30 dias para poder avaliar toda a “volumosa” documentação.

“Pelo que estou notando o que estão querendo alguns membros da CPI é fazer palanque eleitoral e isso eu não vou deixar. Eu falei desde o começo que a comissão não era eleitoreira e nem palanque eleitoral”, disse Feitoza. Ele disse que o vereador Marcel Alexandre estava na reunião em que os técnicos pediram prorrogação do prazo. “A decisão está tomada não é minha é dos técnicos da comissão. O vereador Marcel Alexandre tava na reunião e foi embora, quando deveria ter ficado. Não tem porque eu tentar procrastinar. Estou fazendo o que os técnicos mandaram”, contou o presidente.

Já Marcel Alexandre afirmou que não sabia da decisão de adiar a entrega do relatório. Ele disse que foi informado apenas através de memorando. “Eu só recebi a informação de um memorando da secretária da CPI que foi entregue no meu gabinete. Agora vou em busca dessas informações junto aos técnicos para saber o que aconteceu. Eu não concordo com esse prazo que está muito longo. Quero que a comissão feche com os técnicos que eles encerrem os trabalhos para apresentação do relatório final no dia 27 deste mês e nada mais. Mas eu acatarei a decisão da comissão que é soberana”, explicou o relator. Para o vereador, as novas informações avaliadas pelos técnicos darão mais sustentação ao relatório. “Esses documentos aprofundam o relatório. O meu relatório, que não vou desistir dele, terá muito embasamento com provas”, disse.

Relator descumpre prazo de entrega
 O relator da CPI da Água, vereador Marcel Alexandre (PMDB), havia confirmado a imprensa no dia 1º de agosto que o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito seria concluído até o dia 14 deste mês. Marcel Alexandre chegou a afirmar que estava seguindo o calendário da CPI e que não haveria necessidade de prorrogar este prazo e que agora seria a sua hora de avaliar as informações levantadas. Sobre o questionamento de que a CPI da Água atual seria apenas uma replica da CPI sobre o mesmo tema realizada em 2005, que foi confirmado até mesmo pelo presidente da comissão Leonel Feitoza, o relator afirmou que relatório dele contém fatos novos que serão divulgados no momento em que o relatório final for entregue e apresentado no plenário. Em 2005, a CPI sugeriu o rompimento do contrato de concessão.

Leonel culpa os membros da comissão
Depois de culpar a falta de apoio da presidência da CMM e até a imprensa pelo fraco desempenho da CPI da Água, o presidente Leonel Feitoza (PSD) começa a colocar a culpa nos membros da comissão dizendo que estão querendo fazer palanque político. Marcada por polêmicas e trapalhadas, a CPI da Água está terminando da mesma forma que começou com desencontro de informações enquanto cerca de 400 mil pessoas padecem com a falta de água na cidade. Leonel Feitoza acusou a imprensa de tentar descaracterizar o trabalho da comissão que, na sua avaliação, apesar dos contrastes e acusações de “politicagem”, fez um trabalho sério. A falta de apoio da presidência da Casa também foi outra crítica de Leonel Feitoza para justificar o resultado dos trabalhos da comissão.

Membro da CPI Waldemir José
 “A mim não falaram nada” O vereador Waldemir José (PT) disse ontem que os demais membros da CPI da Água devem se manifestar a favor da proposta do vereador Marcel Alexandre para que o relatório parcial da comissão seja apresentando o mais rápido possível. “Espero que esse relatório seja votado no dia 27 deste mês como determinou o relator Marcel Alexandre. Vou sugerir que seja marcada uma reunião para que todos os membros da CPI definam a data data exata em que este relatório seja concluído”, cobrou Waldemir José. O vereador disse que também não sabia da decisão do presidente da CPI, Leonel Feitoza, de adiar a entrega do relatório. “A mim não falaram nada. Me informaram que foi passado esse memorando para os gabinetes, mas eu não estava sabendo de nada. Precisa haver mais comunicação entre os membros da CPI para que esse tipo de desencontro não aconteça”, disse.

Saiba mais  
A polêmica envolvendo quanto foi gasto até agora nas atividades da CPI da Água também tem sido motivo de atrito entre os vereadores Leonel Feitoza e o presidente da Casa, Isaac Tayah (PSD), que confirmou ontem que os gastos com a Comissão Parlamentar de Inquérito deverão chegar aos R$ 300 mil.