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Vereadores prometem vistoriar aterro feito na Ponta Negra

A última morte reforçou os alertas públicos de perigo, que motivaram o vereador Waldemir José (PT) a solicitar uma audiência pública, realizada ontem, para identificar as razões para tantas mortes e atribuir responsabilidades aos órgãos competentes 30/10/2012 às 08:43
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No final de semana, mais de cinco mil banhistas passaram pela Ponta Negra, segundo estatísticas da Prefeitura
Florêncio Mesquita Manaus, AM

O número de mortes por afogamento na praia Ponta Negra chegou a um nível insustentável de insegurança, que levou a Câmara Municipal de Manaus (CMM) a chamar a prefeitura e o Corpo de Bombeiros para encontrar uma solução e evitar que mais pessoas morram no balneário.

No domingo, com o afogamento de Erikson da Silva Santos, 18, o total de mortes de banhistas subiu para 12 desde a reabertura da praia, em junho. Mesmo depois dos reparos feitos na praia, três pessoas morreram afogadas no local.

A última morte reforçou os alertas públicos de perigo, que motivaram o vereador Waldemir José (PT) a solicitar uma audiência pública, realizada ontem, para identificar as razões para tantas mortes e atribuir responsabilidades aos órgãos competentes.

Durante a audiência, ficou agendada uma visita ao local por membros da Comissão de Serviço Público da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e técnicos, às 15h de domingo. O objetivo é percorrer a orla, de barco, e avaliar se a obra da praia artificial vem facilitando as mortes. Um relatório da vistoria será elaborado e encaminhado para a prefeitura, Corpo de Bombeiros e Ministério Público Estadual (MPE).

Segundo o vereador, a intenção da audiência foi descobrir se as mortes são fruto de negligência dos próprios banhistas, como alega a prefeitura de Manaus por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), ou se, de fato, trata-se de uma obra mal executada, que expõe os banhistas ao risco de morte.

Para Waldemir José, não há como aceitar o consumo de álcool como única causa das  mortes e não investigar se a obra realizada pela prefeitura está influenciando as mortes.

Obra da discórdia

A prefeitura de gastou R$ 12 milhões somente com a areia usada para aterrar uma área que, hoje, forma a praia permanente da Ponta Negra, o que corresponde a 980 mil metros cúbicos de areia. A praia foi entregue à população em junho deste ano.

Depois de nove mortes por afogamento, a prefeitura interditou a praia e adicionou mais 60 balsas, com 1,5 mil metros cúbicos de areia. A nova camada de areia deveria corrigir ondulações e buracos na areia, que representavam risco de afogamento.

No entanto, novas mortes voltaram a acontecer, até com crianças e, portanto, banhistas não alcoolizados. A maioria das pessoas que entra na água afirma que existem buracos submersos que oferecem risco de afogamento. O aterro com a nova camada de areia teria criado uma espécie de declive, onde as pessoas podem afundar e se afogar.

Desde que a prefeitura rompeu o contrato com a empresa mineira Piu Invest Empreendimentos e Incorporações S/A., a Ponta Negra está sendo administrada pelo Implurb.