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Vias públicas do Centro guardam parte da história da Manaus original

A rua Bernardo Ramos  é o marco inicial da urbanização de Manaus. Calçamento e casario são, praticamente, originais 21/10/2012 às 10:52
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A rua Bernardo Ramos é o marco do início da urbanização de Manaus. Calçamento e casario são, praticamente, originais
Náferson Cruz Manaus (AM)

Manaus, que na língua nativa significa “Mãe de Deus”, completa 343 anos na próxima quarta-feira (24) ainda conserva viva parte da história primordial nas suas primeiras vias públicas.

A rua São Vicente, hoje, Bernardo Ramos, é o marco do início da urbanização da capital amazonense. Foi por ela que começou, há cinco anos, o processo de revitalização do Centro. Ela foi mantida com o piso original e chama atenção pela originalidade das mais antigas residências do período provincial, como a sede da maçonaria e a primeira casa da cidade devidamente preservada.

Assim como a Bernardo Ramos, a rua Frei José dos Inocentes - antiga rua da Independência - tem  sua maior referência no casario original.  Porém, o mesmo não pode ser visto numa das principais artérias da cidade, a avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, construída no contexto “Belle Époque” manauara. Até a década de 70, a avenida tinha no entorno dela prédios ecléticos em estilo europeu, mas eles bruscamente deram lugar a estabelecimentos comerciais modernos.  A Eduardo Ribeiro é uma das poucas vias que não mudou de nome. Até uma medida para impedir o tráfego de veículos, com o objetivo de preservá-la está em fase de análise na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Progresso

No entanto, muitas da vias deram lugar a outras edificações o que impediu de continuar na memória dos manauaras, a exemplo da rua Visconde de Porto Alegre, que passa entre o antigo 27ª Batalhão de Caçador, atual Colégio Militar e o campo de futebol da instituição. Antes, a Visconde dava continuidade a rua José Clemente, mas sofreu interrupção com a construção de um ponto de ônibus, para o acesso de usuário do transporte coletivo na avenida Epaminondas.

O aposentado Antônio Russo, 75, morador da rua José Clemente, lembra da época repleta de boas lembranças. “Meu pai tinha uma loja na esquina da rua Epaminondas e a José Clemente, era tudo mais tranquilo, não tinha essa loucura e sujeira nas ruas. Era um lugar bem familiar, pais, mães e até netos, habitam a mesma rua por muitos anos. Esse lugar esconde boas histórias, especialmente da família de umas das moradoras mais antigas”, comentou o aposentando que mora numa casa de modelo provincial ainda preservado.

Modernidade

Diferente das antigas ruas do Centro, a avenida Constantino Nery, uma das principais vias de ligação dos bairros com o  Centro, mudou de nome por cinco vezes. Foi mais de meio século de constantes mudanças. A avenida já se chamou Olavo Bilac e João Coelho, este último, em homenagem ao então governador do Pará, João Antônio Luiz Coelho.

Considerado um dos maiores corredores do trânsito da cidade, a Constantino Nery  encontra-se em relativo  abandono pelo poder público manauense, piso sem asfalto em alguns trechos, falta de sinalização e plataformas de ônibus deterioradas. Outra importante via a Djama Batista, também passou por transformações na estrutura dela e na denominação. Antes a avenida se chamava João Alfredo, primeiro ministro da República em 1888. Na extensão da avenida há instalação de prédios, shopping, viadutos e passagem de nível. 

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