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Manaus
Desastre

Moradores decidem reconstruir casa após deslizamento que matou 4 no Nova Vitória

Família afirma que não recebeu ajuda prometida pela prefeitura. Chuva forte do dia 27 de dezembro causou deslizamento de barranco, que deixou mãe e três filhas mortas 11/01/2017 às 05:00 - Atualizado em 11/01/2017 às 11:21
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Em meio aos escombros, Samir procura materiais para reerguer sua casa (Foto: Antônio Menezes)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Há duas semanas sem ter onde morar depois de ter a casa destruída em um deslizamento de terra e sem receber a ajuda prometida pela prefeitura, por meio do pagamento de auxílio aluguel, o autônomo Samir Menezes de Castro, 40, decidiu começar, sozinho, a reconstrução da casa no mesmo lugar onde o soterramento matou a mulher dele, Maria do Socorro Protásio, 42, e as três filhas do casal, no dia 27 de dezembro: ao lado de um barranco, na rua Abraão, Nova Vitória 2ª etapa, Zona Leste.

Das seis pessoas da família que estavam na casa, sobreviveram apenas o filho Sami Costa Castro, 13 e Sabrina Costa Protásio, 17, enteada de Samir, que conseguiram sair correndo quando ouviram os primeiros estrondos na estrutura da casa. Samir estava trabalhando quando o deslizamento aconteceu. Além dos três, a cadelinha de estimação da família, chamada de Esmeralda, também sobreviveu.

Desde o incidente, Samir, Sami, Sabrina e Esmeralda estão sendo acolhidos por vizinhos, que ajudam como podem. E que, segundo ele, têm sido a única ajuda nesses dias.

“É revoltante ver que fomos totalmente esquecidos. Perdi minha esposa e minhas filhas, que tinham um lindo futuro pela frente. Ouvi na TV promessas de indenização a família de presos que foram mortos no massacre na cadeia, mas a minha família não é digna de nada”, lamentou.

Cansado de esperar pelo pagamento do auxílio aluguel ou mesmo o cadastro em outros programas sociais, Samir decidiu juntar os materiais que ainda podem ser aproveitados em meio aos entulhos de sua antiga casa para começar a reconstrução, contando ainda com doações de vizinhos. O risco ele diz saber que existe, mas alega ser a única alternativa para poder abrigar o filho e a enteada que sobreviveram.

“Hoje estamos morando de favor, de casa em casa dos vizinhos, porque não recebemos nenhuma ajuda do poder público, apesar das promessas”, reclamou. 

Condenadas

O problema, segundo o líder comunitário do Nova Vitória 2ª etapa, Carlos Silva, é que tanto a área onde Samir está reerguendo sua casa quanto as residências onde ele está se abrigando, na vizinhança, foram condenadas pela Defesa Civil do Município.

“Esses moradores estão preocupados, pois a qualquer momento outra parte do barranco pode desabar. Quando ocorreu o desastre, os órgãos da prefeitura vieram aqui e informaram que essas famílias iriam receber um auxílio aluguel social, mas até o momento nada foi feito. Se não fosse pelos vizinhos, essa família estaria morando na rua. E o mesmo pode voltar a acontecer: o risco é iminente em toda esta área”, alertou.Ocupações

Ocupações

Pelo menos 180 famílias que moram nas margens do igarapé Abraão, onde dar continuidade a rua do mesmo nome. Samir Menezes de Castro, 40 também é um dos moradores mais antigos do local. Desde que chegou na comunidade com a família, nunca tinha presenciado alagação deste local, mas desde o desastre que vitimou a própria família, todas as vezes que chove na cidade, a rua Abraão fica totalmente alagada.

Boa parte dos moradores da comunidade está totalmente assustada e com medo de que outro desastre venha ocorrer, pois eles afirmam que a região fica totalmente alagada e isso pode colaborar com que outra parte do barranco venha desabar. O líder comunitário, Carlos Silva irá realizar um levantamento de todas as moradias e deve nos próximos dias apresentar uma solicitação de ajuda para prefeitura de Manaus.          

Resposta

A Prefeitura de Manaus informou em resposta que cestas básicas, roupas, colchões e outros itens de primeira necessidade foram doados não apenas a família do senhor Samir, como também aos outros moradores da área. Do total de famílias que foram prejudicadas pelas alagações, dez decidiram permanecer no local e, com isso, iriam receber benefícios eventuais nesta quarta-feira (11).

Segundo a prefeitura, o dinheiro do Auxílio Aluguel, benefício concedido a 88 famílias prejudicadas pela chuva do dia 27 de dezembro, já está sendo liberado na manhã desta quarta-feira (11), estando as famílias cientes dos procedimentos necessários para o recebimento e permanência no auxílio.

Em relação a construção de casas no local afetado, a Defesa Civil de Manaus informou que o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) deve ser acionado para impedir a construção de novas moradias no local que já foi condenado.