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Saúde Manaus

Vidas que dependem de equação

Soma de falta de condições de trabalho com longas filas é igual à descaso 19/04/2012 às 09:31
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Fila de espera no Hospital e Pronto Socorro da Criança da Zona Leste
Jornal A Crítica Manaus

Entre as primeiras notícias de 2012 no jornal A CRÍTICA, o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Vianna, afirmava que “a melhoria na assistência médica à população está vinculada a melhores condições de trabalho para os profissionais e a um salário melhor”. A afirmação indicava uma equação: aos médicos desmotivados soma-se a uma grande demanda de pacientes em longas filas de espera e chegase um resultado negativo, ou seja, falta de humanização no atendimento, que é o principal problema enfrentado por quem necessita dos serviços públicos de saúde na capital.

Um dos indicativos dessa desmotivação, são as acusações de negligência médica. Em fevereiro, o caderno Cidades noticiou, em menos de uma semana, a morte de dois bebês nas maternidades estaduais Balbina Mestrinho e Ana Braga. No mesmo mês, um paciente do Hospital Universitário Francisca Mendes denunciou um esquema de venda de equipamentos que, por lei, são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A Prefeitura de Manaus, incansavelmente, anuncia investimentos milionários em unidades de saúde espalhadas por todas as zonas da capital. Entretanto, no mês passado, moradores do bairro da Glória, na Zona Oeste, reclamavam da fila quilométrica para receber atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS). Em entrevista veiculada no dia 9 de abril sobre as críticas da população ao sistema público de saúde na rede estadual, o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, afirmou que o grande vilão do atendimento é a atenção básica de saúde oferecida pelo município. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), por sua vez, anunciou em janeiro um investimento de mais de R$ 500 milhões para melhorias na atenção básica para este ano. O secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, admitiu que os desafios são grandes e que, aos poucos, serão superados. Enquanto isso, a população adoece lentamente por um mal que o senso comum chama de “descaso”.

Nelson Fraiji - médico

“Os centros de saúde funcionam precariamente, as unidades básicas de saúde não atendem a capital, não há resolutividade nas unidades de urgência e nem nas unidades básicas, são poucos os serviços de referência, há poucos leitos hospitalares. Há uma distorção muito grave na saúde em Manaus”.

Confira no Jornal A Crítica, a matéria na íntegra sobre o assunto no Caderno Especial de 63 anos de A Crítica.