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Vila da Felicidade completa 50 anos entre a alegria e a apreensão em Manaus

Moradores do vilarejo localizado à beira do Rio Negro, no bairro Mauazinho, Zona Leste, temem serem expulsos de suas casas por conta da construção de um porto 28/07/2014 às 12:35
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A Vila da Felicidade fica localizada próximo ao porto da Ceasa, no bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus
Juliana Geraldo ---

Há 50 anos, um pequeno grupo de pessoas, principalmente pescadores que trabalhavam próximo ao porto da Ceasa, se reuniram para formar um pequeno vilarejo dentro do bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus. Entre o porto, o Rio Negro, o Distrito Industrial e a mata virgem, nasceu a Vila da Felicidade.

Porém, as alegrias vieram apenas depois. Os primeiros comunitários moraram durante anos em casas feitas de papelão e lona. Foi necessário tempo para que eles passassem para moradias melhores e garantissem estruturas básicas de saneamento como rede de esgoto e postos de saúde.

Conhecido como Cacá da Ceasa ou Carauari, o pescador Raimundo Souza Dias, 61, é um dos moradores mais antigos do vilarejo. “Eu morava em um flutuante quando soube desse lugar e vim para cá com a minha esposa. Não tinha nada aqui. Era só uma estradinha e o terreno onde as pessoas começavam a erguer suas casas”, lembra.

A esposa de Cacá, Marlene Correia da Silva, 49, também recorda que o crescimento da vila, que hoje conta com duas mil famílias, pode ser medido pelo número de comércios na área. “O lugar foi crescendo e cada um começou a abrir algum tipo de mercadinho. Quase toda casa vende alguma coisa”, conta.

Acidente

Um fato marcou a história do vilarejo. Segundo o morador e dono do restaurante Moronguetá, localizado na vila, João Prestes, 56, um acidente envolvendo a Petrobrás mudou a vida dos moradores. “Foi em 1999. Uma tubulação que pertencia à estatal rompeu causando derramamento de óleo nos três lagos que rodeiam a vila. Uma ação foi movida contra a empresa para ressarcimento dos prejuízos”, relata o morador.

De acordo com João, a empresa foi obrigada a investir no vilarejo. “Com um investimento de R$ 600 mil eles ergueram o posto de saúde, construíram um poço artesiano e fizeram o centro social que funciona para a capacitação e para esportes”, detalha.

Apesar dos investimentos, a vila não é feliz por completo. Embora tenha vantagens em relação a outros bairros como segurança e proximidade entre os moradores, itens como a falta de saneamento básico, incomodam as famílias do local.

Outra pendência que afeta as famílias da vila é a insegurança em relação à construção do Porto de Siderama, na área do Distrito Industrial, que obrigaria as famílias a se retirar do local. Uma ação corre na justiça para garantir a permanência dos moradores.