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Violência em Manaus provoca fuga de vítimas

Com medo da volta dos bandidos, vítimas de assaltos mudam de casa 16/07/2012 às 07:27
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Maria, depois de ver a casa invadida por bandidos e a filha estuprada, abandonou a casa, mas vive traumatizada
JOANA QUEIROZ Manaus

Acordar com uma arma de fogo apontada para a cabeça e a família feita refém está virando rotina na vida do manauense, que para preservar a vida é obrigado a atender todas as exigências do assaltante. A ordem é: “entrega tudo para não morrer”. A violência é traumatizante e tem levado muitas pessoas a mudarem de endereço, profissão e até de escola para preservar a vida, que é o bem mais importante. Depois de ter tido a casa invadida por ladrões e uma filha estuprada por eles, a cozinheira Maria da Silva (nome fictício), 45, foi obrigada, no dia seguinte, a abandonar a casa onde ela morava, no loteamento Santa Marta, na Zona Norte.

“Eu tenho medo que eles voltem como prometeram, e matem meus filhos”, justificou. Ela teve a casa invadida na madrugada de quinta-feira, por quatro homens, todos armados e com os rostos cobertos com a camisa. Os ladrões entraram pela janela de um dos banheiros da casa e renderam toda família, sete pessoas entre elas duas crianças e uma mulher grávida. Os ladrões exigiam dinheiro, armas e droga. As pessoas ficaram deitadas e com os rostos cobertos.

Horar de terror

Segundo a cozinheira, os assaltantes ficaram na casa por duas horas. Eles torturam fisica e psicologicamente as vítimas, comeram o que tinha na geladeira e no final arrastaram a filha dela, uma babá de 22 anos de idade, para o quintal e a estupraram. Depois, juntaram tudo que queriam, dinheiro e fugiram. A babá contou que os mesmos eram extremamente violentos, puxavam o cabelo dela, batiam enquanto a estupravam. Os assaltantes avisaram que se chamassem a polícia eles voltariam para matar todos.

Ao amanhecer, a primeira coisa que a cozinheira fez foi procurar uma casa para alugar e a tarde fez a mudança. Ela disse que sentiu-se insegura. Por várias vezes ligou para o 190 do Ciops e as chamadas não foram atendidas, telefonou também para o número 3632-6260 da viatura do programa Ronda no Bairro, que cobre a área onde ela morava, também não atendeu.

A polícia só foi aparecer, por volta das 7h. Na sexta-feira, a babá ainda estava amedrontada, segundo ela com medo de olhar na janela e de sair de casa. “Estou com medo de ficar sozinha em casa. Parece que de repente eles vão aparecer aqui”, disse a babá.

Como a cozinheira Maria, a família da garçonete Rosicléia da Silva Martins, 27, também foi obrigada a mudar de endereço. Ela teve a casa cercada por ladrões. “Eles vieram pelos fundos, subiram na laje e passaram para o quintal”, contou. A mulher disse que olhou pela brecha da janela e conseguiu vê-los. Rosicléia teve mais sorte que Marina. Ela ligou para a polícia e uma viatura não demorou chegar. “Se a polícia demorasse mais a minha casa tinha sido assaltada”, disse a mulher.

Medo obriga a mudanças radicais

Para outras vítimas da violência urbana o medo e a vontade de continuar vivendo obriga-as a fazer mudanças radicais. Maria Alcione Severo Batista, 47, moradora da Rua Egito, na comunidade Parque das Naçoes, Zona Centro-Sul, trabalhava na área de transportes de cargas, onde tinha um cargo de chefia. Há sete anos, ela teve a casa invadida por assaltantes. Os ladrões renderam toda a família e foram violentos com as vítimas. Ela conta que quando acordaram, os assaltantes já estavam dentro de casa.

“A gente fica sem saber o que fazer. Há um sentimento de impotência porque não temos a quem recorrer”, disse Alcione. Por conta da violência que sofreu ela passou a não querem mais sair de casa, passava a noite acordada temendo que os ladrões voltassem e como consequência disso ela teve uma profunda depressão que a levou a pedir demissão do trabalho e ficar dentro de casa.

Para preencher o tempo das noites não dormidas, Alcione passou a desenhar peças de decoração no papel que, depois de passadas para a madeira, se tornaram quadros para paredes e molduras para espelhos. Há um mês, a casa dela voltou a ser invadida pelos ladrões, mas eles foram menos violentos.

Com medo da onda de violência, um dona de casa que não quis ter o nome revelado, resolveu pedir a transferência do filho, o adolescente de 16 anos, do Centro Educacional de Tempo Integral Áurea Pinheiro Braga, no bairro Compensa, zona Oeste, após ele ter sido espancado quando saía da aula por seis homens não identificados.