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Manaus
Cotidiano, Segurança Pública, Comunidade, Assaltos

Vítimas de assaltos, moradores de conjunto em Manaus, se mobilizam para reforçar a segurança

Constantes ataques no conjunto Campos Elíseos fez com que moradores do lugar utilizem até a internete para se proteger de ladrões 11/02/2012 às 10:40
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Moradores criaram comunidade no Facebook que avisa sobre presença de carros suspeitos, reuniões e registros de assaltos
Joana Queiroz Manaus

Os constantes assaltos a residências no conjunto Campos Elíseos, no bairro Planalto Zona Centro-Oeste de Manaus, estão tirando a tranquilidade e espalhando medo entre os moradores, principalmente na hora de sair ou chegar em casa, momento em que os ladrões estão aproveitando para atacar.

Segundo um dos moradores, Hamilton Casara, toda semana uma casa é assaltada, inclusive a dele já entrou nas estatísticas. O clima de intranquilidade e insegurança levou os moradores das ruas Luxemburgo, Rio de Janeiro, Manila, Varsóvia e Cairo a se organizarem para garantir a segurança de suas famílias.

Eles já vêm se reunindo há quatro semanas com o objetivo de buscar uma solução, pagando do próprio bolso já que o poder público se faz ausente. Eles fazem planos para contratar uma empresa de segurança privada, cuja cotação de preços estão sendo realizada.

As reuniões acontecem nas casas dos moradores, onde são delegadas tarefas a serem cumpridas e até mesmo uma comunidade no Facebook já foi criada com o intuito de informar quando algum veículo suspeito for visto na rua, os assaltos registrados e as datas das reuniões.

“Não queremos competir com a polícia. O que queremos é viver de forma segura e tranquila, porque do jeito que está não dá pra continuar”, disse um dos moradores, o funcionário público Epitácio do Vale.

De acordo com eles, toda semana tem uma casa assaltada. As crianças já não saem mais para brincar nas calçadas e para saírem ou chegarem em casa, os moradores adotaram a tática de observar a rua antes, para ver se há alguém desconhecido ou em situação suspeita.

A dona de casa Antônia Silva de Oliveira, 65, teve a casa assaltada há duas semanas. Segundo ela, o crime aconteceu por volta das 7h. Os ladrões aproveitaram para entrar na casa no momento em que o marido dela abriu o portão para colocar o lixo para fora.

Dois homens armados o renderam, entraram na casa, trancaram todos em um banheiro e reviraram tudo.

“Eles ficaram uns 20 minutos dentro de casa, e levaram dinheiro e joias. Eu agradeço a Deus pelo fato de o meu netinho de 3 anos não ter acordado”, disse a dona de casa.

Segundo Antônia, desde que aconteceu o assalto, ela e a família estão com medo de abrir o portão da casa, temendo outra ação de ladrões.

Investida
“Estamos vivendo com a sensação de insegurança. O que a gente vê são assaltos constantes. Acredito que a polícia está tentando resolver, mas não tem estrutura suficiente. Na semana passada, por volta das 6h, quatro assaltantes entraram na minha casa, no momento em que a empregada chegava. Seis pessoas foram rendidas. Eles nos colocaram deitados no pátio e depois nos levaram para um dos quartos. Ele cobriram o meu rosto e o som de uma arma apontada para a minha cabeça impediu que eu olhasse para o rosto deles. Eles fizeram a mudança. Levaram tudo que podiam”, desabafa o morador do conjunto, Hamilton Casara.

Neste sábado (11), os moradores vão fazer uma rua de lazer na rua Cairo, para descontrair, principalmente, as crianças, que nos últimos dias vivem trancadas em casa.  

Reforço policial
Nessa sexta-feira (10), o comandante da Polícia Militar, coronel Almir David, prometeu melhorar a segurança do conjunto Campos Elíseos.

“Hoje (ontem) nós vamos começar a reforçar a presença da polícia no local”, disse o comandante.

O comandante do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), coronel George Chaves, disse que já tinha sido informado da situação e que designou uma oficial para participar das reuniões dos moradores e anotar as necessidades deles para que sejam tomadas providências.

George Chaves disse que motocicletas da Polícia Militar circularão pelas ruas do conjunto. A ideia é saturar o local com a presença da polícia.