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Manaus
CHACINA

Vítimas do massacre no Compaj foram forçadas a comer olho humano

Antes de serem mortos, detentos passavam por torturas. Inclusive, um dos executores do massacre ficou conhecido como “O Açougueiro” 24/11/2017 às 17:57 - Atualizado em 24/11/2017 às 22:27
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Foto: Jander Robson
Vinicius Leal e Joana Queiroz Manaus (AM)

Muitos dos 56 detentos mortos na chacina do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, ocorrido em 1º de janeiro deste ano, foram torturados fisicamente e psicologicamente antes de morrer. Segundo o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), alguns foram até forçados a comer olho humano e outros obrigados a testemunhar o assassinato brutal dos colegas.

“Há uma gama de torturas desde obrigar o cara a comer olho humano. Tiveram pelo menos três (pessoas), declaradamente, que foram obrigados a ingerir, a comer, olhos humanos. Para vocês verem as cenas grotescas desse processo”, explicou o promotor de justiça Edinaldo Medeiros, autor da denúncia criminal do MP-AM sobre a chacina apresentada nesta sexta-feira (24) à Justiça. No total, 213 presos foram denunciados. A somatória das penas aplicadas a cada um deles equivale a 2.162 anos.

“Boa parte (das vítimas) foi obrigada a assistir a matança dos outros, como forma de tortura e outros (passaram por) torturas físicas mesmo. Os agentes de socialização sofreram esse tipo de ameaça e tortura (psicológica) e estão relacionados como vítimas que sobreviveram”, completou o promotor Edinaldo Medeiros.

Conforme o promotor, muitos detentos foram mutilados ainda vivos, isto é, mortos aos poucos. “Foram decapitações com pessoas vivas, que eram puxados e cortados no pescoço. Alguns mutilados cortando pé e a mão, vivos. Os executores ainda gravavam nas mídias com narrativas do tipo ‘é pra ele sofrer mesmo’”, disse Edinaldo.

De acordo com o promotor, dos 56 mortos no massacre, 26 foram torturados e 46 tiveram os cadáveres vilipendiados, ou seja, após já estarem em óbito os corpos ainda foram cortados e esquartejados, como o que teve o olho retirado e “comido” por outro detento. “Vilipendiavam os cadáveres. Uma coisa macabra”, disse Edinaldo.

O ‘açougueiro’

Um dos executores do massacre ficou, inclusive, conhecido como “O Açougueiro” devido ao “bom” desempenho dele no esquartejamento dos corpos. “Teve um cidadão que até então era conhecido no mundo criminoso como ‘Cururi’. Mas ele foi rebatizado devido ao massacre como ‘O Açougueiro’. E vocês imaginam o porquê”, questionou Edinaldo Medeiros.

Segundo o promotor, tal detento era “chamado” para fazer a “finalização” dos corpos após as mortes. “Na hora que havia as decapitações, as mutilações dos corpos, ele era chamado para a ‘finalização’, o ritual macabro, tirar e cortar os órgãos dos corpos. Ela que extraía coração, fígado. Ia lá e fazia o corte”, disse. “Para vocês verem o nível de perversidade”.

Poupados pela Bíblia

Apesar das 56 mortos na chacina, alguns dos detentos escaparam de morrer por vários motivos, como por serem conhecidos como “religiosos” e estarem segurando Bíblias durante o massacre, ou aqueles que foram poupados por serem reconhecidos como cliente de “boca de fumo”.