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Viúva do delegado Oscar Cardoso, executado a tiros, garante que já perdoou os assassinos do marido

Ela falou com exclusividade para A CRÍTICA  sobre a família, a fé que tem em Deus e da vida que durou 28 anos ao lado de Oscar 15/03/2014 às 18:34
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Viúva do delegado de Polícia Civil Oscar Cardoso garante que já perdoou os assassinos do marido
Joana Queiroz Manaus (AM)

“Quem fez isso com o meu marido? Eu não quero saber. Eles  (os criminosos) já têm o nosso perdão. Falo isso do fundo do meu coração. Desejo que eles encontrem a paz como nós encontramos.” A frase é da assistente social Nazaré Cardoso, 48, viúva do delegado de Polícia Civil Oscar Cardoso Filho, 61, executado a tiros no domingo passado. Ela falou com exclusividade para A CRÍTICA  sobre a família, a fé que tem em Deus e da vida que durou 28 anos ao lado de Oscar.

Nazaré continua residindo na mesma casa, localizada no bairro de São Francisco, Zona Sul, onde morava com o delegado, havia mais de 28 anos e onde também guarda todas as condecorações que ele recebeu pelos trabalhos de destaque que fez como delegado, assim como os diplomas, ofícios, e demais documentos de agradecimento e reconhecimento.

De acordo com a assistente social, no momento não existem planos para mudar de endereço. Ela e os filhos estão em paz e não estão sofrendo nenhuma ameaça.

Quanto a viatura com policiais fortemente armados que, desde o dia que o marido foi assassinado, estava parada próximo de sua casa, a viúva explicou que o fato é porque seu filho mais velho é oficial da Polícia Militar.

Ameaças

Dias antes de ser assassinado, o delegado Oscar Cardoso esteve no Sindicato dos Policiais Civis do Amazonas e confidenciou para alguns colegas que estava com medo por estar recebendo ameaças de morte. Ele manifestou o desejo de ser transferido para uma cidade do interior do Estado, se fosse possível para um dos mais longe da capital.

Entranto, a mulher do delegado disse que seu marido não estava sendo ameaçado de morte por ninguém. “Isso que andam dizendo por aí é mentira. Se ele tivesse recebido algum tipo de ameaça teria falado pra mim, e ele não fez isso”, disse Nazaré. Segundo ela, ele realmente pretendia trabalhar no interior, mas em um município próximo.

O desejo de ser transferido, segundo a explicação da viúva,  era por conta da gratificação da titularidade de uma delegacia no interior que é de R$ 4 mil. Como estava tendo muitas despesas com advogados  para provar que era inocente das acusações de extorsão, Oscar tinha pretenções em ser o delegado do municio do Careiro.

Nazaré fez questão de ressaltar que, para ela e os filhos, o caso da morte de Oscar está encerrado. Eles não querem saber quem foram os assassinos do delegado e nunca pensaram em vingança. Ainda segundo ela,  Cardoso eram um homem de paz e não gostaria que alguém agisse com violência. Ele estava provando a inocência dele.

“Se eu um dia eu ficasse frente a frente com eles (os assassinos), pediria que procurassem Deus todos os dias para terem paz”.

Nazaré afirmou que jamais irá a Secretaria de Segurança ou a Delegacia Geral da Polícia Civil para cobrar a prisão dos assassinos do marido. Ela disse que ainda chora a morte do marido, sente falta dele, mas ao mesmo tempo consegue agradecer a Deus pela família.

“Apesar dele estar fazendo muita falta porque era um grande homem, honrado, trabalhador, honesto, não me importa o que o mundo fala, esta casa está cheia de paz e de amor como sempre foi,” declarou.

A força para superar a dor e ainda ajudar os filhos vem da fé que tem em Deus. Católica praticante, ela diz que desde quando casou com o delegado, há 28 anos, vai as missas todos os domingos. Depois da morte do marido, vem realizando reuniões de oração em sua casa.