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‘Vou poupar. Quero uma máquina enxuta’, diz Artur Neto

Um dos líderes do PSDB, sigla de oposição ao Governo Dilma Rousseff , Artur Neto (candidato à Prefeitura de Manaus) diz que, se eleito, pretende ter  entendimento elevado com a Presidência da República 30/09/2012 às 16:10
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Candidato Artur Virgílio Neto (PSDB) afirma ter os pés no chão
Lúcio Pinheiro Manaus (AM)

Candidato a prefeito pela coligação “O futuro é agora”, o ex-senador Artur Neto afirmou que, se for eleito, buscará parcerias estaduais, nacionais e internacionais para fazer os investimentos em Manaus exigidos pela Copa do Mundo de 2014. Um desses investimentos, segundo o candidato tucano, é a revitalização do centro histórico da cidade. “A prefeitura não tem dinheiro para isso tudo”, enfatizou o ex-senador.

Prefeito de Manaus de 1989 a 1992, Artur Neto prometeu, caso eleito, fazer uma administração “pé no chão”, mantendo projetos da atual administração como o Leite do Meu Filho e o Bolsa Universidade, que passará por uma triagem. “Para ver se não tem gente rica lá”, explicou o candidato que, na entrevista concedida para A CRÍTICA, abaixo, afirma que tem “maturidade suficiente para não virar o interventor de Manaus”.

O monotrilho é um projeto viável para Manaus?

Eu vejo o BRT como mais praticável. Mas é uma determinação do Governo do Estado. Meu papel será procurar integrar os dois tipos de transporte, argumentando a favor do BRT, que, embora não seja barato, é o mais barato dos meios de transporte de massa contemporâneos. O monotrilho não, a tarifa é muito alta.

Com será o seu relacionamento com os empresários do sistema de transporte público atual?

É cumprir com as obrigações de cada um. Essa tarifa de <br/>R$ 2,75, que eu julgo alta, foi feito acordo de que os R$ 0,05 iriam para a SMTU para modernizar o sistema. Já chega a R$ 10 milhões essa dívida e o acordo não é cumprido. Vou fazê-las (empresas) cumprir com tudo aquilo que elas se comprometerem comigo.

Quais são os seus projetos para a educação infantil?

Educação infantil começa na barriga da mãe. Ela tem direito a sete atendimentos pré-natais, direito a um parto seguro, direito ao aleitamento. Vou manter o (programa da administração do prefeito Amazonino Mendes) “Leite do meu filho”. E vou oferecer reforço para Português e Matemática, que é a chave para aprender tudo.

E creches? É possível construir quantas?

Eu não vou entrar nessa guerra de quem constrói mais creches. O Governo Federal alocou recurso para a administração atual fazer um número relevante de creches. O que vou fazer com a maturidade e a experiência que se espera de uma pessoa que passou pelos cargos e desafios que passei? Antes de construir qualquer creche, vou colocar para funcionar aquelas que o prefeito atual possa vir a me entregar. Agora, a manutenção das creches, que é uma coisa cara, eu pretendo partir para a iniciativa público-privada.

É necessário hoje administrar com a presença do setor privado?

Sim. Entendo que você tem que economizar no custeio para que sobre para o investimento. Pretendo entendimento alto e elevado com a Presidência da República, que vai contar com toda minha colaboração. Só não vai contar com o meu silêncio. Se aprovar tablet para São Paulo, não espere que vou ficar quieto, porque não vou ficar. Tenho experiência para saber como lidar com bancos internacionais. Vou buscar parcerias para regenerar o Centro de Manaus. Não dá para fazer só com o dinheiro da Prefeitura. Mas será parceria com entes confiáveis.

O programa Bolsa Universidade será mantido?

Sim. Mas vou fazer uma triagem para ver se não tem gente rica lá. Vamos oferecer ainda 10 mil bolsas de idiomas por ano. Manaus precisa se tornar uma cidade bilíngue. A Copa de 2014 está chegando e as providências não estão sendo tomadas. Vou criar 10 mil bolsas pós-graduação, também por ano, que podem servir para reciclar servidores e para beneficiar gente de fora e de dentro do Bolsa Universidade.

No seu programa eleitoral, o senhor garante que vai acabar com a falta de abastecimento de água em Manaus. Como?

Esse limite da tarifa social de 10 metros cúbicos para consumo não serve para Manaus. Nós precisamos de mais de um banho por dia. É uma cidade de calor. O terrível é que quando passa 1 metro cúbico, a tarifa quase quadruplica. Então, há uma fraude e nós vamos observar essa empresa (Manaus Ambiental). Vamos ser muito claro com ela. Vamos dizer: Olha, você tem todo o direito de procurar a Justiça. Vai me atrapalhar por um tempo, mas você tem alguma ilusão que ao longo do meu mandato eu te tiro daqui se não se portar bem?

Qual o seu plano de governo para as favelas de Manaus?

Daqui para frente não toleraremos mais invasões. Agora, as áreas que são de ocupação recente, procuraremos dar conforto e dignidade para as pessoas que estão lá.

Como o senhor vai lidar com as  pressões por conta dos preparativos da cidade para a Copa de 2014?

Os grandes investimentos vêm do BNDES e de órgãos internacionais. A prefeitura não tem dinheiro para isso tudo. A prefeitura terá limites claros. Ela vai caber no seu orçamento. E vai buscar parcerias estaduais, nacionais e internacionais. A prefeitura vai ser muito pé no chão.

Que modelo de atendimento básico à saúde o senhor pensa para Manaus? Ou está satisfeito com o atual?

Tenho maturidade e idade suficiente para não virar o inventor de Manaus. Nos últimos 20 anos, sucessivas administrações melhoram, sim, o atendimento na saúde. Caiu mortalidade infantil, materna. Mas agente ainda convive com várias mazelas e eu quero derrotar isso. Manaus precisa de 700 equipes da saúde da família. Mas não vou dizer que vou criar as 700. Vou estabelecer uma meta, 325, que vai aumentar em muito a área de abrangência.

O senhor sabe como andam as finanças de Manaus?

O orçamento deste ano foi de R$ 2,3 bilhões. De 2013 vai ficar em R$ 3,5 bilhões. A capacidade de investimento vai beirar os R$ 600 milhões. A capacidade de endividamento, teoricamente, é de 120%. Mas a capacidade de pagar não permite que a prefeitura se endivide nesse montante. Vou poupar ao máximo. Quero uma máquina enxuta.

Que garantias o senhor tem de que conseguirá formar parcerias com os governos do Estado e Federal?

Poderia dizer que seria pela amizade que tenho com o governador (Omar Aziz). Mas digo que é a garantia da responsabilidade pública dele e minha com Manaus. Por outro lado, não lembro de nenhum governador ou prefeito tucano que tenha tido queixas do (ex-presidente) Lula com relação à liberação de recursos. Menos ainda da (presidente) Dilma (Rousseff). Alguém supor que a presidente não vai ajudar o governo de alguém por não ser do partido é desrespeitar a inteligência dela. Na democracia, o atendido é o povo. Não é o governador ou o prefeito.

O senhor tem o apoio do prefeito Amazonino?

Não. Ele não é candidato. Se fosse candidato estaria brigando pelo segundo turno e seria meu adversário. Ele não manifestou voto a mim e deixou as pessoas livres. E as pessoas estão procurando por afinidades o seu candidato.

Quando o senhor foi prefeito retirou os camelôs do Centro. Se for eleito, o que fará com eles?

Governávamos sob uma crise brutal do Governo Sarney com inflação de 89% ao mês. Comerciantes inescrupulosos colocavam camelôs nas ruas para explorá-los, e são explorados até hoje, para não vender com nota fiscal. A arrecadação caía e eu tendo que pagar professor, investir em saúde, em tapa buracos, limpeza pública. Tomei uma medida que na hora foi apoiada por 84% da população, segundo o Ibope. Mas cometi um erro grave. Teria que ter construído mais minishoppings como o da Compensa. Houve retirada de camelôs e depois exageros por parte da Guarda Municipal. Demiti 1.200 guardas. Como não sou de empurrar problema com a barriga e fugir de responsabilidades, assumi a responsabilidade sobre isso.

A sete dias da eleição, o senhor pretende fazer alguma mudança nos rumos de sua campanha?

É difícil dizer, porque você nunca sabe o que pode acontecer. Numa campanha, esse tempo é muita coisa. Mas estou achando tudo tão bom. Estou tão zen e tranquilo. Percebo uma cristalização do voto em torno da gente. Não somos afeitos a tolices e armações.

As pessoas conhecem a gente. É aquela velha máxima do futebol: em time que está ganhando não se mexe. Quem mexe de um lado pro outro é time inseguro, que está com falhas na defesa e com ataque inoperante. Aí, começa com as armações e episódios mais tristes que a gente só lamenta e repudia.

Perfil

Nome: Artur Virgílio Neto

Idade: 66 anos

Estudos: Bacharel em Direito e Diplomata

Experiência: Deputado federal pelo PMDB, de 1983 a 1987; prefeito de Manaus, de 1989 a 1992; deputado federal pelo PSDB, de 1995 a 1998 e de 1999 a 2002; senador de 2003 a 2011. Em 2006 disputou o Governo do Amazonas e foi derrotado. Não se reelegeu em 2010.