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Zona Franca de Manaus perdeu 24 mil empregos em dois anos, aponta Suframa

Desde maio de 2015, última vez que o PIM registrou mais de 100 mil empregos, um quarto dos postos de trabalho desapareceu 06/07/2017 às 07:27 - Atualizado em 06/07/2017 às 08:16
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Central Sindical aponta como efeito da crise que derruba empregos no PIM o exemplo da Moto Honda (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Rebeca Mota Manaus

Em dois anos, entre 2015 a 2017, o Polo Industrial de Manaus (PIM) perdeu 24 mil empregos no total. De acordo com os Indicadores Industriais da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) as empresas atuavam com 107,9 mil trabalhadores em maio de 2015 e no mês deste ano com 84 mil.

E em maio de 2015 foi a última vez que o PIM apresentou número de trabalhadores superior a 100 mil diretos - considerando efetivos, temporários e terceirizados. De lá pra cá, o número de efetivos mantém queda mensal, ao passo que temporários e terceirizados apresentaram sensível alta.

A marca histórica de 100 mil empregos diretos foi atingida em 2005 e se manteve por dez anos. Hoje, segundo dados da Suframa, as fábricas de Manaus empregam aproximadamente 84 mil trabalhadores diretos.

Crise política

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, conta que existe uma cadeia produtiva que afeta o nível de emprego no Estado. Para ele, o pouco dinheiro afeta o consumo, a quantidade de produtos e o volume de pessoas na linha de produção.

“Para melhorar no Amazonas tem que haver mudanças em todo o Brasil de forma geral, pois são questões políticas que afetam a economia do brasileiro. Não tem nada a ser feito na sociedade hoje, tem que resolver a política, para resolver a economia”, enfatiza.

 O presidente da Força Sindical, Vicente Filizola, acredita que a crise econômica continua atingindo todas as empresas, desde as grandes até as pequenas. “O motivo é a falta dinheiro para povo. Essa crise levou as pessoas demitirem em todas as áreas, mas principalmente na indústria. Caso compararmos uma empresa como a Moto Honda, que já produziu, em média, 1,5 milhão de motocicletas e agora produz 600 e 800 mil, uma queda muito grande. Tudo leva a essa situação, são juros altos do crédito. No Brasil, por ano, já foram perdidos muitos empregos. E eu percebi isso. Até maio eu era funcionário da prefeitura. Hoje nos deparamos com pessoas em busca de emprego, em grandes filas do Sine”.

Desemprego

Em todo o Brasil, o desemprego ficou em 13,3% no trimestre encerrado em maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira, por meio da pesquisa Pnad Contínua. No período, o Brasil tinha 13,8 milhões de desempregados. Trata-se de uma redução em relação à taxa do trimestre encerrado em abril, que foi de 13,6%. Mas, na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o índice foi de 11,2%, o quadro foi de elevação (2,1 pontos percentuais).

A alta carga tributária

O economista e educador Financeiro, Gabriel Pozzetti, afirmou que o alto custo do Brasil é o principal fator para o aumento do número de desempregados no Amazonas.

“A alta carga tributária é o maior ‘vilão’ do empresário brasileiro, depois vem os encargos trabalhistas e os custos logísticos. A terceirização é uma ótima forma de reduzir principalmente os encargos trabalhistas, mas essa carga tributária atrapalha qualquer empresário”, explicou.

Para ele, entre as principais soluções apresentadas seria a redução de carga tributária. “Isto seria a redução de custos trabalhistas. Hoje é isso, se não mudar, a situação econômica vai continuar a mesma. Outra situação que contribui é a bagunça na política nacional, na verdade a falta de eficiência do governo atrapalha muito. Mas os fatores determinantes são tributos, impostos e encargos trabalhistas”, disse.

Trabalho

 “A crise do trabalho que se estende desde os anos 90”, diz a professora Iraildes Caldas. Ela ressalta que, a despeito de algum aquecimento na oferta de postos de trabalho no Governo Lula, a crise na oferta de empregos continua.

Ela avalia que, nesse panorama, o Polo Industrial tende a ser prejudicado. “Eu não vejo uma sobrevida na Zona Franca de Manaus quanto ao aquecimento (para criação) de novas vagas de emprego, ao contrário, vejo uma diminuição crescente”, pondera. “Acho que este modelo já se esgotou e, talvez, possa ser reinventado outro que venha atender o reajuste do capital atual”, complementa.

Iraildes afirma que o modelo poderia ter sido reavaliado. “Poderiam ter chamado um grupo de economistas, intelectuais e especialistas em indústria para fazer a avaliação deste modelo e propor novas estratégias de aquecimento”.