Publicidade
Minha Manaus
BELEZA NATURAL

Joaquim Neto exalta o Rio Negro e mantém tradição da 'Peixaria do Joka'

Além de conhecedor de peixes, Joaquim é compositor e já teve músicas gravadas por ícones da música amazonense 24/10/2017 às 13:48
Show joka1
Joka Loureiro diz que uma das coisas que mais gosta em Manaus é a vista que ele tem do restaurante: a imensidão do rio Negro (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Sou Joaquim Loureiro Neto, tenho 67 anos de idade e sou proprietário da Peixaria do Joka há uns 30 anos. Moro aqui mesmo na área da peixaria, no Beco São José, no São Raimundo. Sou casado há 46 anos com a Maria do Carmo, e sou pai de James, de 42 anos, Hudson, 36, e Jamille, de 40. Nasci em Acajatuba, uma localidade de Iranduba, aqui pertinho de Manaus. Mas sempre morei aqui. O que aconteceu é que meu pai foi visitar a sogra dele, e a minha mãe me pariu lá. Sempre morei na beira-mar do São Raimundo. Meu pai é português, se chama Joaquim Loureiro Filho, e minha mãe índia amazonense, é Aurora Fernandes Loureiro. O papai trabalhava em estaleiro no rio Negro e eles se conheceram por lá, pois o pai dela também era português. E depois se casaram. Somos em total de oito irmãos: quatro homens e quatro mulheres.

O que eu mais gosto em Manaus é dessa minha vista, da morada que eu tenho, aqui de frente para o rio Negro. É maravilhosa. Sempre gostei de morar assim de frente para o rio. Já fui muito a balneários, mas hoje maneirei um pouco. Eu frequentei muito a Ponte da Bolívia, Parque Dez, do Tupé. Hoje a situação está bem diferente. Tenho até medo de sair de casa. Muita maldade, muita violência.

Eu não tenho nada do que reclamar da minha cidade, não. Mas a violência, isso é o que mais tem. É um perigo. E cliente chato eu mando embora, pois a casa é minha. Aparece pouco, pois esses já me conhecem. Às vezes sim. É igual àquela música do Júlio Iglesias: ‘Às vezes sim, às vezes não’ (risos)

No início a peixaria era um barzinho de madeira bem pequenininho onde o cara pisava na tábua e ela vinha na cara do camarada. Era assim. Depois  comecei a vender o peixe frito e as pessoas começaram a gostar. Conheço peixe porque o meu pai era dono de barco de pesca também, e teve uma época que eu viajei por algum tempo em um barco desses. E fiquei conhecedor de peixe e o pessoal gosta. Aí resolvi fazer a peixaria, com portão fechado, para não vir aqueles caras chatos que eu não gosto. Isso para evitar aqueles bêbados chatos. Às vezes vinham aquelas pessoas dos banhos, balneários, as mulheres de biquínis querendo entrar aqui e aí vira puteiro, não é? Eu dei uma regrada para evitar isso, agora o negócio é bem familiar e as pessoas podem vir com suas esposas, filhos, netos, avós.

Minha comida predileta é o peixe. São vários e não apenas um que eu gosto. Gosto de jaraqui, tambaqui, pirarucu, tucunaré, pescada, todos eles. São os peixes que eu vendo aqui. Só não vendo peixe liso e de couro porquê eu não gosto. Sou ainda do tempo em que as pessoas não gostavam de comer peixe liso.

Os momentos marcantes da minha vida foram as várias vezes em que personalidades locais e artistas vêm para Manaus e visitam a peixaria. Já veio o (grupo musical) Os Pholhas cantar aqui, governadores como o Amazonino Mendes que já freqüentou aqui várias vezes, juízes, promotores. O Gilberto Mestrinho também já veio várias vezes aqui. Sou compositor e o cantor (já-falecido) Abílio Farias já gravou muitas músicas minhas, como ‘Essa Noite É Só Nossa’.

Canto até hoje lá no Bar Caldeira, aos domingos, de 18h às 20h, quando estou com a garganta boa e lubrificada. Mas gosto de frequentar o local todos os dias. Faço parte da ‘Velha Guarda do Caldeira’, que na minha opinião é o bar mais comentado e muito bom. Lá é o meu canto favorito na cidade. Gosto também de interpretar artistas como do próprio Abílio, Waldick Soriano, Nelson Gonçalves. Tenho 67 anos e não vou cantar músicas das quais eu não entendo porra nenhuma. Só imoralidade.  Quando o Abílio Farias morreu é claro que foi uma perda muito grande pra mim. Ele veio três dias antes de morrer pegar as músicas que ele ia gravar em Recife, e queria que eu fosse com ele. Viajamos muito e eu já fiz muitas vezes pré-shows dele. Cansei de fazer shows antes dele. Ele estava muito gordo também.

Meu melhor amigo na vida foi meu pai, mas o Abílio foi um cara legal também. Era tipo um irmão. Quando canto no Caldeira é como se, às vezes, eu fizesse uma homenagem pra ele. Sempre eu falo no nome dele.

A Manaus que eu queria é aquela dos anos 1960  e1970, quando a pessoa andava livre e onde não havia problema nenhum com a bandidagem. Hoje não se respeita mais ninguém, o negócio está muito sério. Eu tinha um amigo que ele vinha me pegar em casa à meia-noite para fazer serenata. Era muito legal, a gente andava pela rua à noite. Hoje, se o cara pegar um violão e sair à noite ele vai pegar porrada da polícia, ou o bandido vai levar o violão dele, é assim. É preciso um cuidado maior com a cidade, mas está muito difícil. O mundo está muito imundo, não é parceiro? Não é só em Manaus. Não dá pra voltar aquela cidade. Eu tenho pena desses que estão nascendo agora, dessa moçada de hoje. A juventude de hoje está muito perigosa por causa da droga. É um caso sério!

Perfil

Nome: Joaquim Loureiro Neto, o Joka Loureiro

Idade: 67 anos

Natural de: Acajatuba, localidade de Iranduba

Profissão: Proprietário do restaurante Peixaria do Joka

Curiosidade: Além de dono da peixaria, Joka Loureiro é casado com Maria do Carmo e pai de James, de 42 anos, Hudson, 36, e Jamille, de 40. E nas horas vagas é compositor e cantor.