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ENSINO SUPERIOR

'A educação serve para diminuir desigualdades', diz reitor sobre Manaus

Gerenciando uma das maiores universidades do País, Sylvio Puga destaca papel da educação no desenvolvimento da capital 24/10/2017 às 11:30 - Atualizado em 24/10/2017 às 11:35
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Sylvio Puga é reitor da Universidade Federal do Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Sou Sylvio Mário Puga Ferreira, 46 anos, reitor da Universidade Federal do Amazonas desde 4 de julho deste ano. Sou natural de Manaus assim como meus pais. Minha mãe estudava no Colégio Auxiliadora e era interna quando, durante uma das apresentações de teatro que eram realizadas na escola, meu pai que também frequentava as apresentações a conheceu. O papai era engenheiro agrônomo formado no Instituto Agronômico do Norte, em Belém, e solteiro e havia retornado para Manaus. E a minha mãe, nesse tempo, estava terminando o que seria hoje o equivalente ao ensino médio. Minha única irmã, a professora Lúcia Puga, é manauara também.  

Minha trajetória escolar começou primeiro no Jardim da Infância Nossa Senhora de Lourdes (Jinosel), que fica atrás do posto de saúde Castelo Branco, no Parque Dez. Depois no Pingo de Gente, que ficava na Comendador Clementino em frente a casa da minha avó. Posteriormente fui aluno da escola Aderson de Menezes, no Parque Dez, da 2ª até a 4ª série. Depois no Ida Nelson de 5ª a 8ª e em seguida o chamado Científico no Instituto Christus. Fui da última turma do Christus. Aí eu vim para a Universidade.  Sou formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), depois eu saí e fui fazer mestrado na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo e doutorado na Unicamp e aí voltei para a Ufam onde estou há 19 anos como membro e professor da Faculdade de Estudos Sociais do Departamento de Economia e análise da Universidade Federal do Amazonas.

Sou casado e tenho duas filhas, Sylvia Beatriz, de 12 anos, e a Gabriela, que tem 5 anos, que são manauaras também.

O que eu mais gosto em Manaus é o Teatro Amazonas, um grande símbolo, que representou a nossa riqueza da borracha, e o Encontro das Águas, que é um símbolo natural. Sempre que eu posso estou no Largo São Sebastião, pois é um local que guarda um pouco das minhas primeiras lembranças da cidade. Morei no Parque Dez desde o início do conjunto, onde meus pais moravam, mas como meus avós tanto maternos quanto paternos moravam no Centro, nós sempre estávamos por aquela área. E como é um prédio famoso na cidade, eu sempre tive a memória do Teatro Amazonas.

O que eu menos gosto na cidade, na verdade que nos incomoda, são as desigualdades. Mas claro que esse não é um problema só de Manaus, é de qualquer cidade. Mas é claro que aqui, enquanto universidade, nós trabalhamos com a Educação exatamente para diminuir essas desigualdades, e penso que esse é um trabalho que a Ufam faz. A Educação é um grande instrumento nesse combate à desigualdade. Nós avançamos muito. Vou dar um exemplo bem pessoal: quando eu estudei no primário, as nossas escolas não tinham ventilador, e ar-condicionado nem pensar. Estou falando de, pelo menos, 40 anos atrás. E hoje as escolas têm climatização. A própria faculdade, quando eu fiz, não tinha climatização. Então, realmente as condições de oferta, melhoraram, e claro, também, a qualificação de professores. Quando eu olho pra trás e comparo, você vê que muitas melhoraram, sim.

Uma lembrança em Manaus que muito me marcou foi quando eu saí pra fazer Mestrado em São Paulo e fiquei nove meses fora. Foi o período que eu fiquei mais tempo fora daqui na minha própria história de vida. Saí em 1992 eu fiquei de outubro daquele ano até julho de 1993 fora daqui, porque eu estudava fora, não tinha bolsa, e não havia essas facilidades como milhas aéreas, enfim. Foram nove meses que eu fiquei fora. Foi um período que me marcou muito porquê a gente ficar fora, longe da família, da cidade, dos amigos, e esse reencontro foi como se eu tivesse reconhecendo a cidade de Manaus. Depois eu não fiquei tanto tempo longe.

Quando eu era criança gostava de ir até a Ponte da Bolívia. E na Ponta Negra também. Íamos muito, tenho fotos lá, inclusive. Muito bonito lá. Atualmente gosto mais do Largo, do Teatro Amazonas. Já morei 1 ano no Centro,  no último andar do edifício Cidade de Manaus, no coração do Centro, em 2011. Eu via a cidade do alto na famosa avenida Eduardo Ribeiro.

Meu prato favorito é o jaraqui frito com baião-de-dois, que eu gosto muito, além da caldeirada de tambaqui. Sempre que posso peço esses dois pratos.

A experiência de ser reitor de uma instituição como a Universidade Federal do Amazonas é um desafio, sem dúvida, mas tem sido muito gratificante. Estou muito feliz na função que eu exerço de reitor, trabalhando com uma equipe de pró-reitores, diretores, assessores, no sentido, sempre, de elevar o nome da nossa instituição. Trabalho com essa direção de ensino, pesquisa e extensão. Já estamos há quase 105 dias aqui e eu me sinto muito feliz nessa função. Tenho percebido que nós estamos conseguindo cumprir as nossas metas e o que nós nos comprometemos perante a comunidade. E vamos avançar cada vez mais.

A Manaus que eu desejo é uma cidade cada vez mais feliz, de pessoas cada vez mais felizes. Essa que é a grande tônica dessa existência: ser feliz. Aí, o que é felicidade cada um vai ter a sua resposta, que pode ser pra mim uma forma de olhar, e para o outro uma outra forma. Nunca pensei em morar longe daqui, gosto muito de Manaus. Tive oportunidades de não estar mais morando aqui, mas e sempre quis voltar, ficar".

Perfil

Nome: Sylvio Mário Puga Ferreira

Idade: 46 anos

Profissão: Reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) 

Natural de: Manaus

Curiosidade: Formado em Ciências Econômicas pela Ufam, mestre pela PUC-SP e doutor pela Unicamp-SP,  ele assumiu a reitoria da Ufam no dia 4 de julho deste ano.