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CBF afasta Marin e retira seu nome da fachada da sede do órgão

Denúncias sobre a Fifa também originaram pedido de CPI na Câmara dos Deputados e até uma possível abertura de investigação na Polícia Federal 28/05/2015 às 11:54
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Fachada do prédio da CBF no Rio de Janeiro
Agência Brasil ---

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou o afastamento do ex-presidente José Maria Marin de seu quadro diretivo. Ele era vice-presidente da entidade e já foi presidente na gestão anterior. Marin é um dos presos na investigação feita pelos Estados Unidos e Suíça sobre corrupção e fraudes na Federação Internacional de Futebol (Fifa), onde Marin também integrava o comitê executivo.

O afastamento de Marin vale até a conclusão definitiva da investigação do FBI, polícia dos EUA. O nome de Marin havia sido dado ao prédio da CBF no Rio e, hoje (28), o órgão decidiu retirar o nome do ex-presidente da fachada do edifício. A CBF também afirmou que já havia decidido reanalisar contratos vigentes e remanescentes da gestão anterior, a de Marin.

Criação de CPF contra a CBF

O senador Romário (PSB-RJ) protocolou ontem (27) o requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da CBF, com 52 assinaturas de apoio dos colegas. Eram necessárias o número mínimo de 27 assinaturas.

A CPI da CBF foi motivada pela investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre a participação de dirigentes da Fifa e empresários em uma fraude na escolha dos países-sede das duas próximas Copas do Mundo (Rússia, 2018, e Catar, 2022).

Segundo as autoridades norte-americanas, durante as investigações foram encontrados indícios de práticas ilícitas em outros países. No Brasil, as suspeitas recaem sobre contratos de patrocínio e de transmissão da Copa do Brasil assinados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A pedido da procuradoria de Nova York, a polícia da Suíça efetuou prisões de sete dirigentes da Fifa em um hotel de Zurique, onde acontece um evento da entidade. Entre os presos, está José Maria Marin. Os dirigentes foram indiciados por extorsão e corrupção pela procuradoria de Nova York, que investiga o caso.

Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, 14 réus, entre eles os dirigentes da Fifa presos hoje, são acusados de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro em "um esquema de 24 anos de enriquecimento por meio da corrupção no futebol".

Mais cedo, o senador Zezé Perrela (PDT-MG) também anunciou a intenção de coletar assinaturas para a CPI. Com O requerimento do senador Romário, Perrela poderá participar como membro da nova comissão.

Investigação na PF

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse hoje (28) que a Polícia Federal já está analisando os fatos investigados pelas autoridades norte-americanas para identificar onde há indícios de crimes cometidos por dirigentes esportivos também tipificados na legislação brasileira.

“Só podemos investigar delitos que são tipificados na legislação brasileira. Vamos investigar e identificar, pois é provável que tenha. Solicitei que a Polícia Federal analisasse os fatos para verificar se eles são qualificados como ilícitos [no Brasil]. Temos que nos apropriar dos fatos para que possamos, se configurado crime, fazer uma apuração por meio de inquéritos que, sem sombra de dúvida, serão abertos”.

Cardozo disse que o governo brasileiro colaborará “no que for necessário” com as investigações. “Daremos total colaboração para tudo aquilo que for necessário”.

O ministro pretende conversar com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para “unificar” o entendimento do Ministério Público Federal e da Polícia Federal no caso. “Farei contato com o [Procurador-geral da República, Rodrigo] Janot, para que possamos unificar o entendimento sobre essa questão. Ter a Polícia Federal e o Ministério Público alinhados para verificar em que plano existe a necessidade e o dever de apurar”, disse Cardozo.