Publicidade
Multimídia
Multimídia

Soluções para o meio ambiente são discutidas em Encontro de Reitores no RJ

O tema foi debatido nesta terça-feira (29), no encerramento, do 3º Encontro de Reitores da Rede Universia, no Centro de Convenções do Rio Centro, no Rio de Janeiro. A produção de conhecimentos multidisciplinares é o caminho destacado 30/07/2014 às 12:28
Show 1
Reitor da UEA, Cleinaldo Costa, considerou fantásticas as trocas de experiências trazidas pelo evento
Gerson Severo Dantas ---

A Universidade do terceiro milênio deverá produzir conhecimentos multidisciplinares se quiser resolver graves problemas do meio ambiente, como o aquecimento global e produção na economia sustentável. O tema foi debatido ontem, no encerramento, do 3º Encontro de Reitores da Rede Universia, no Centro de Convenções do RioCentro, no Rio de Janeiro. “Esses problemas não serão resolvidos se continuarmos tratando-os, do ponto de vista científico, de modo compartimentalizado”, alertou o reitor da Universidade Federal do Ceará, Jesualdo Pereira Farias, que coordenou o debate. “É preciso ter diferentes abordagens, abordagens multidisciplinares”, afirmou.

Jesualdo citou como exemplo da nova abordagem, a experiência que teve na Universidade de Israel no trato de um assunto essencial para o País do Oriente Médio. “Num laboratório multidisciplinar, eles tinham umas 30 pessoas debatendo o tema água, eram geógrafos, filósofos, cientistas sociais e gente da área mais técnica, da hidráulica e da hidrologia”, contou. “Nesse ambiente, muitas vezes, o pesquisador de uma área distante do problema pode contribuir bastante para o entendimento do problema e chamar a atenção do pesquisador da área mesmo para coisas que ele não vê. É uma experiência enriquecedora e será a chave para as questões do meio ambiente”, completou.

Outro aspecto abordado por Jesualdo remete a burocratização da administração públicas brasileira, que obriga as universidades a terem um discurso político em defesa do meio ambiente, mas ao mesmo tempo não exercitar esse discurso. “As universidades tem de ser e dar o exemplo nas nossas próprias instalações. Se nós vamos construir um laboratório, essa obra tem de ser completamente sustentável, mas para isso teremos de gastar mais e como nós reitores temos de contratar uma obra dessa pelo menor preço, como manda uma Lei das Licitações dos anos 80, nós fazemos o laboratório de maneira convencional. Portanto, temos um discurso diferente da nossa prática”, finalizou.

Alerta

Um dos ouvintes do debate, o Embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano, ponderou que politicamente as universidades e os povos da América Latina precisam ficar atentos ao discurso fácil dos povos desenvolvidos de defesa do meio ambiente. “Temos que pensar o meio ambiente para vivermos bem, não para ouvirmos o europeu, o norte-americano chegar aqui na Amazônia e dizer: não derrubem esta árvore”, afirmou o embaixador. Justiniano considera um “atrevimento” dos países ricos querer ensinar sustentabilidade aos povos da Amazônia. “Acho mesmo um atrevimento alguém que destruiu seu meio ambiente e consumiu todos ou quase todo os seus recursos naturais de maneira voraz, agora vir aqui ensinar o homem amazônico a cuidar da Amazônia, quando ele vem fazendo isso há 10 mil anos”, afirmou.

Para o embaixador, as universidades precisam produzir ciência e tecnologia ambientalmente adequadas para garantir o bem mais precioso: “O viver bem”. “O homem é sujeito e é objeto nesse trabalho”, afirmou.

Neste ponto, tanto o embaixador quanto o reitor da UFC concordaram que a universidade tem um papel importante a cumprir no uso sustentável dos recursos naturais, mas não são as únicas instituições a terem essa missão. “É um trabalho que deve ser feito em todas as etapas da educação, deve começar na pré-escola”, afirmou Jesualdo.

 “Nossos desafios são imensos”, diz Cleinaldo Costa em entrevista

Um dos reitores participantes do 3º Encontro de Reitores da Rede Universia, Cleinaldo Costa, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), disse sair do Rio de Janeiro com mais perguntas do que respostas em função dos desafios que as universidades têm pela frente neste milênio.

O senhor participou da plenária sobre a Universidade e os professores, ou como eles são vistos pelos estudantes. Qual a sua conclusão?

Que não estamos nada bem e precisamos avançar muito. Os alunos, como muitos disseram aqui, nascem digitais e muitos professores não. Mas nós temos feito muito na UEA para mudar essa situação, agora mesmo estamos implantando um programa que dará a cada um dos 1,5 mil professores um tablet e estamos dotando todas as unidades da UEA de redes wi-fi. É um passo, mas têm muitos outros. Considero que a UEA está no mesmo caminho trilhado pelas universidades participantes, e isso é um ponto bom.

Uma palavra-chave dita por quase todos os participantes é internacionalização. Como estamos na UEA neste aspecto?

Temos mais de 100 alunos no programa Ciência sem fronteiras e mantemos parcerias e cooperações técnicas com diversas universidades do mundo para programas de mestrado e doutorado.

Sobre o Ciência sem fronteiras, muitos relataram as dificuldades para o reconhecimento dos cursos feitos pelos alunos fora do País, pois há muita burocracia nas nossas instituições...

Mas temos de fazer uma limonada deste limão. Se alguém mé dá um limão eu faço uma limonada, há dois anos não existia sequer essa possibilidade de um aluno ir estudar fora. Agora tem essa possibilidade e nós vamos ter que fazer algo que não gostamos muito: planejar. Planejar para saber como enviar esse aluno para uma universidade fora do país e planejar a recepção dele na volta. Com isso os problemas acabam. De alunos que participaram eu conheço histórias boas, outras mais ou menos e outra ruins, por isso é preciso o planejamento.

Qual a história ruim?

O aluno foi selecionado e tinha, antes de viajar, adiantar uma prova em uma disciplina complementar. O professor não adiantou a prova, ele viajou e foi reprovado na disciplina. Quando voltou teve que fazer a disciplina de novo. Ou seja, faltou planejamento, pois o coordenador do curso poderia ter resolvido este problema. É preciso que as instituições conversem, que saibamos que disciplinas ele vai fazer lá, qual o currículo e saber recepcioná-lo na volta, pois vai teoricamente voltar desperiodizado.

Qual a validade de encontros como esse?

As trocas de experiências são fantásticas, você encontra outro reitores, conversa sobre programas, cooperação e oportunidades. Eu ouço muito, conversei agora com o reitor da universidade da Ilha da Madeira, disse-lhe que tenho uma viagem agendada para ir à Universidade de Coimbra, em Portugal, e ele imediatamente me convidou para ir até lá, conhecer seus programas e cursos. Oportunidades serão geradas.