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Após ameaça da crise, Bois buscam meios de arrecadar recursos para 2017

A economia da Ilha Tupinambarana está diretamente vinculada ao Festival Folclórico. Além do grande número de empregos informais que surgem neste período de festividades, outros profissionais também conseguem uma renda complementar graças ao evento que reúne os bois Garantido e Caprichoso no Bumbódromo. 27/06/2016 às 21:08
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Fotos: Aguilar Abecassis
Rafael Seixas Parintins (AM)

Após um ano de dificuldades financeiras com o corte de repasses do Governo do Estado, com a ameaça de não realização do 51ª Festival Folclórico de Parintins (a 326 quilômetros de Manaus), os dirigentes de Caprichoso e Garantido já estudam meios de levantar recursos para a realização da edição do próximo ano sem depender de recursos estaduais. 

Na Baixa do São José, o presidente Adelson Albuquerque revelou que já está estudando maneiras de captar recursos para o Festival de 2017 por meio de órgãos federais. Do lado azul e branco, o vice-presidente, Rossy Amoêdo, informou que já existem novas formas de arrecadação para que os bois não passem pelas mesmas dificuldades desta edição.

“Existem outras formas de captação, mas ainda tudo é embrionário. Ainda haverá muitas conversas e reuniões entre as diretorias dos bois. Existe a forma de patrocínio, só que sem o Estado não conseguimos. Criar um órgão entre os bois para gerir o festival juntos também seria uma via. Ainda teremos muitas reuniões para discutir isso”, opinou.

Para Adelson, presidente do Boi Garantido, a festa atinge economicamente a população de Parintins como um todo. “Nesse período existe uma movimentação financeira de em torno de R$ 60 milhões. Isso afeta os hotéis, donos de embarcações e os próprios moradores, que montam um bar ou uma barraquinha de churrasco em frente da casa”, afirmou o gestor do Boi da Baixa do São José.

“Chegamos a achar que o festival pudesse não acontecer, porém, graças a Deus, as duas associações se uniram e conseguimos fazê-lo. Para o parintinense, perder essa festa seria como Manaus perder a Zona Franca ou como o Rio de Janeiro perder o Carnaval. Pensaram em eliminar a última noite, só que isso impactaria economicamente o município, porque seria uma diária a menos nos hotéis e um dia a menos que comeriam aqui”, complementou Albuquerque.

Festival e economia

A economia da Ilha Tupinambarana está diretamente vinculada ao Festival Folclórico. Além do grande número de empregos informais que surgem neste período de festividades, outros profissionais também conseguem uma renda complementar graças ao evento que reúne os bois Garantido e Caprichoso na Arena do Bumbódromo.

De acordo com o mototaxista Genival Ribeiro, 40, o evento traz muitos benefícios para a população local. “A cidade tem o seu movimento próprio, mas a festa nos beneficia. A minha renda aumenta 100% neste período. Em dias normais, eu faturo de R$ 70 a R$ 80 e de R$ 200 a R$ 300 na época do festival”, declarou o profissional, que cobra R$ 5 por corrida.

“Sem ele seria complicado, porque aqui em Parintins só tem emprego pela prefeitura ou pelo governo. Tem muita gente que depende do evento para complementar a renda pessoal”, acrescentou.

A vendedora de confecções Katiane Pessoa, 35, é uma das pessoas que aproveita para faturar um dinheiro extra. Ela montou uma barraquinha de tacacá na frente da Catedral de Nossa Senhora do Carmo. O investimento deu tão certo que chega a lucrar até R$ 500 por dia.

“Trabalho vendendo tacacá e artesanato, só que o meu ponto mesmo é no tacacá. O meu afazer é com confecção e o meu marido é soldador, mas a vida em Parintins não está fácil, por isso a gente tenta se ‘virar nos 30’. Fico no tacacá e ele no artesanato. O meu tacacá custa de R$ 5 (na cuia pequena) a R$ 10 (na cuia grande). Consigo faturar até R$ 500 por dia. Não teria como obter essa renda extra sem a festa”, garantiu.

Acostumado a transportar cargas de abacaxi, macaxeira, banana, farinha e peixe em seu triciclo, José Cícero, 50, deixa o seu veículo limpinho e enfeitado nessa época para transportar somente os visitantes que chegam ao município.

“Quando não tem corrida, a gente carrega banana, abacaxi, farinha e peixe. Nessa época, a gente pega os turistas e os levamos devagarzinho para os melhores pontos da cidade. A nossa renda aumenta uns 50% nas três noites. Se não tivesse, não teria como trabalhar”, relatou o senhor, que é conhecido como Louro da Ilha.

Faturamento

Segundo o subsecretário de administração de Parintins, Weber Cardoso Silva, 40, o município tem conhecimento que muitas pessoas esperam e dependem do evento para ganhar uma renda extra. Por isso, a prefeitura faz o trabalho de distribuição e venda de lotes rapidamente.

“Estimamos entre 50 a 60 mil pessoas para as três noites. A população de Parintins espera o ano inteiro o Festival, porque consegue um lucro alto em relação a qualquer outro mês de atividade na cidade”, disse o subsecretário, que responde pela Coordenadoria de Terra, Cadastro e Arrecadação de Parintins.

“A festa traz uma arrecadação para Parintins, dos bombonzeiros aos donos de pousadas, que se preparam o ano inteiro. O prefeito teve a sensibilidade de assumir o evento. O elogio vem de forma satisfatória, porque seria lamentável perder o festival”, complementou.