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Parintins
PARINTINS 2017

Caprichoso encerra o Festival 2017 com tradição, ousadia e resgates históricos

Touro Negro 'abusou' do guindaste e alegorias grandiosas na última noite do Festival 02/07/2017 às 23:32 - Atualizado em 03/07/2017 às 03:01
Lídia Ferreira Parintins (AM)

A religiosidade católica parintinense deu o tom de abertura da última noite do bumbá Caprichoso, que encerrou o 52º Festival Folclórico de Parintins na noite de hoje. Para o último dia de disputa, o bumbá azul e branco chegou à Arena com o subtema “Arte – A criação cabocla”.

O apresentador Edmundo Oran abriu a apresentação ao lado da Marujada de Guerra e do levantador de toadas David Assayag que interpretou a toada “Amazônia, Catedral Verde”. A fé do caboclo parintinense marcou os primeiros momentos do azul em cena com a representação da Padroeira  da cidade, Nossa Senhora do Carmo, que surgiu suspensa  acima  da estrutura do Bumbódromo.

A Catedral de Parintins, ícone do município amazonense, foi representada na apresentação, que é inspirado na batida da marreta do calafate sobre a talhadeira na construção de barcos na seca.  O módulo  compôs  a alegoria “O Calafate”, do artista Ney Meireles, inspirada nos carpinteiros navais responsáveis por talharem a madeira na construção de embarcações regionais.

Em um barco típico da região chegou o Amo do Boi, Prince do Boi, que teve como cenário a vida ribeirinha da ilha tupinambarana. A alegoria se transformou na Exaltação Folclórica  “Barro, Fé e Catedral”. O coral em Libras do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro preencheu a fachada da Catedral.

O apelo visual foi forte na última noite, com projeções em cena e muitos adereços na Galera, entre eles máscaras com a face da Nossa Senhora  do Carmo. Em um momento emocionante de homenagens, o apresentador Edmundo Oran fez menção ao ex-presidente César Oliveira, falecido na manhã deste domingo. 

O módulo da Catedral se abriu e se transformou na representação do cenário dos primeiros festivais realizados. O bumbá trouxe o idealizador do festival folclórico para a Arena, Zé Preferida, de 88 anos.  Ainda remetendo à religiosidade parintinense, surgiu outra imagem de Nossa Senhora suspensa  e interpretada por uma mulher, que trouxe comoção ao ser apresentada ao som da música “Nossa Senhora”, cantada no formato acústico.

Após a retirada do figurino da santa, surgiu a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid. Com a indumentária predominantemente branca e detalhes azuis, ela apareceu com vestido luxuoso e brilhoso, sobrinha nas  mãos e uma perfomance que utilizou efeitos visuais.

Apostando em alegorias grandiosas e suspensas, a aparição do próprio Caprichoso veio acompanhada do `Bonitão’, que surgiu a 15 metros por trás da cena principal e depois percorreu até a área central do bumbódromo, momento marcado por relembrar a brincadeira do boi de pano com as fitas de cetim.  A exaltação folclórica, inspirada nos festejos juninos do Nordeste, trouxe a Porta Estandarte, Marcela Marivalva, do alto de um balão de São João.

A vaqueirada do Caprichoso foi chamada para arena pelo berrante, ao vivo, do Amo do Boi, Prince do Boi.

O item 11, Toada, Letra e Música teve a toada “Viva Parintins”, de Adriano Aguair, foi defendida por  David Assayag que teve um coro da Galera ao fundo que coloriu a arquibancada azul. O pajé Netto Simões chegou na celebração tribal “Viagem Xamânica” e ao lado dos Tuxauas evoluiu em uma homenagem aos povos do Alto Rio Negro.

As “Icamiabas”, módulo alegórico criado pelo artista Pojó Carvalho, colocou na área as indígenas guerreiras  que fizem parte dessa mitologia. No centro do ato, as ex-cunhãs Daniela Assayag e Jeane Benoliel surgiram como índias e foram ovacionadas pela galera. Elas saíram de cena e deram lugar a atual representante do item, Marciele Albuquerque. Ela foi içada em uma lua, em uma bela jogada cênica do Touro Negro.

A lenda amazônica “Tesouros da Cabanagem” revelou a Rainha do Folclore Brena Dianná, que surgiu de um escorpião que integrava uma gigante alegoria, com vários modulos e muita mobilidade. Compunham o cenário ainda vários 'drones', que voavam pela arena "fantasiados" de espíritos, dando o tom de suspense do momento,

O ritual indígena mostrou a “Transcendência Tariana”, obra de Ozeas Bentes. A  alegoria trouxe a história dos povos Tariana, seus costumes, tradições e lendas que nunca foram aceitas.  O pajé Netto Simões evoluiu acompanhado das tribos indígenas, usando uma indumentária que simulava um gavi. Os módulos gigantescos foram tirados às pressas a 14 minutos do encerramento da apresentação.

Ao som de “Somos Marujada de Guerra” o Caprichoso encerrou o Festival Folclórico de Parintins ovacionado pela Galera Azul acompanhada a capela por David Assayag.