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Parintins
SURPRESAS

Caprichoso vai contar a construção estética e artística do Festival

Bumbá da Francesa vai mostrar, em três noites, as raízes do imaginário do parintinense que deu origem ao Festival 27/06/2017 às 08:19
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Alegorias gigantescas do bumbá da Francesa começaram a ser transportadas para o entorno do Bumbódromo (Foto: Márcio Silva)
Paulo André Nunes Parintins (AM)

O Caprichoso pretende mostrar, nas noites de 30 de junho, 1º e 2 de julho, a construção estético-artística do Festival Folclórico de Parintins. Será a vez de vislumbrar o imaginário artístico parintinense, e  não há, para o Boi da Estrela, matéria-prima melhor que o próprio imaginário e as encantarias da floresta.

A “Poética do Imaginário Caboclo”, tema do boi neste ano, é um mergulho nas raízes, na ousadia do artista parintinense e de como essa festa ganhou o mundo partindo do folclore, no encontro com a arte, para se gerar uma cultura popular rica, diferente e muito peculiar.

E atenção que o azul e branco vai mergulhar no mundo das encantarias, revisitando mitos e revelando, de forma considerada inédita, outros. Vamos a algumas das surpresas que a associação folclórica vai apresentar no espetáculo que é o Festival da Ilha Tupinambarana.

Uma delas, tradicional, é a revisitação do mito da Cobra Grande, também chamada de “Boiúna” - ser gigantesco e ameaçador que abandona a floresta, passando a  habitar a parte profunda dos rios. E que, quando rasteja por terra firme, os sulcos se transformam em igarapés.

O bumbá promete três lendas novas nesta temporada: “Os Tesouros da Cabanagem”, “Dom Sebastião” e uma visão nova do “Eldorado”. O Caprichoso quer mergulhar, em “Os Tesouros da Cabanagem”, na lenda fantástica que nossos avós nos contam de visagens que aparecem nos sonhos à noite para desenterrar um tesouro que está no quintal da vizinha, ou no seu mesmo. Mas que se contar pra alguém essas jóias podem se transformar em besouros, insetos e,  as pedrarias, se desfazerem na sua frente, além de  ser amaldiçoado. A  toada que vai embalar o ato será “Tesouros da Cabanagem”, de Guto Kawakami.

Com “Dom Sebastião”, o Caprichoso quer levar para a Arena uma lenda da parte maranhense da Amazônia, onde há uma ilha de albinos e se acredita que o rei português Dom Sebastião atravessou o oceano para morar na encantaria com sua filha, no litoral. Nesse momento da apresentação, é a vez da toada “Touro Encantado e a Estrela de Ouro”, de Hugo Levy e Marcos Moreno.

A sete chaves

A nova leitura do Eldorado  está guardada a sete chaves, mas deverá ser apresentada possivelmente na última noite, tendo como fundo musical “Templos de Ouro”, de Ronaldo Barbosa Jr., filho do compositor e membro do Conselho de Arte do Boi, Ronaldo Barbosa. Além de falar de rituais e exaltações diferenciadas, o Boi-Bumbá Caprichoso vai rememorar a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, entendendo que ela é uma construção de barro, fé e muitas mãos, porque é a razão do Festival Folclórico de Parintins.

Nesse momento, a composição será “Barro, Fé e Catedral”, autoria de Simão Assayag, Neil Armstrong e Silvio Camaleão. A sinhazinha Valentina Cid e a mãe dela, Karina Cid, que também foi sinhá do boi, farão uma apresentação juntas em uma das noites.

Inspiração

O Conselho de Arte do Caprichoso foi buscar inspiração na obra “Cultura Amazônia, uma Poética do Imaginário”, para traçar seu planejamento para estes três dias de Festival de Parintins. “Precisávamos ter um tema que pudesse abranger ideais totalmente diferentes. Pensamos e fomos buscar e bebemos na fonte de João de Jesus Paes Loureiro, com ‘Cultura Amazônia, uma Poética do Imaginário’. E vimos que ali nós tínhamos respostas para os nossos problemas, para as nossas inquietações quanto ao tema”, comentou Ericky Nakanome, presidente do Conselho de Arte do Azul e Branco de Parintins.

Na busca pelo título, o Boi da Estrela vai firme, antropológico e histórico, como dizem seus membros. A galera azul e branca está na expectativa bastante positiva para ver isso tudo na prática.

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