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Parintins
Itens do festival

David Assayag relembra maiores emoções vivenciadas no boi-bumbá

O boi-bumbá entrou em sua vida por volta de 1988, ao conhecer José Carlos Portilho, que lhe conduziu aos primeiros passos nos ritmos da toada. “Fui resistente porque era muito jovem", conta 02/07/2017 às 17:51
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(Foto: Euzivaldo Queiroz)
Laynna Feitoza Parintins (AM)

Primeira noite do Festival de Parintins de 2012. David Assayag chega no camarim e um bombeiro coloca um cinto na sua mão, dizendo ao levantador do Caprichoso que ele seria hasteado a metros de altura e desceria num guindaste, no meio da Arena. Assim, de supetão: David não sabia de nada. “Essa foi a emoção mais forte que vivi no Festival. Mas confiei no que o bombeiro me falou, e fiquei tranquilo. A reação do povo lá de cima, das alturas, comigo sentindo a recepção da chegada, foi maravilhosa”, relembra Assayag, aos 48 anos.

Naquele ano, David foi homenageado com a toada “Sensibilidade”, cuja letra fala da sensibilidade artística que ultrapassa os limites de sua deficiência visual, ocasionada devido a um acidente de carro em Belém (PA), aos 16 anos. Ele perdeu totalmente a visão aos 19. Antes disso, por volta dos 14 aos 16 anos, David Assayag cantava os ritmos que eram sucesso no Brasil. “Cantava rock nacional, e forró mesmo”, conta ele, aos risos.

O boi-bumbá entrou em sua vida por volta de 1988, ao conhecer José Carlos Portilho, que lhe conduziu aos primeiros passos nos ritmos da toada. “Fui resistente porque era muito jovem. Aí comecei nesse ano com o José, em uma banda na qual ele me convidou para ser parte de um vocal, na época do Arlindo Jr.”, declara. Depois, o grupo de David fez parte de uma gravação de vinil com as melhores toadas do Caprichoso.

“Desde lá eu comecei a gostar de toada. Em 93, recebi um convite do Garantido para cantar no boi. Fui uma noite, e não fui mais. Fui para o Caprichoso, onde entrei no grupo Canto da Mata, e depois voltei para o Garantido, quando fui oficializado levantador de toadas e fiquei 16 anos no Garantido, de 94 a 2010”, coloca o levantador.

Após esse período, ele se tornou levantador do Caprichoso, onde está até hoje. David se considera um homem muito família, que adora ficar em casa. “Para mim, sair só quando tem um show, um compromisso”, diz ele, que se emociona ao falar da mãe, Dona Flor, falecida em 2014. “Ela sempre torceu muito pelo Caprichoso. Mas sempre me apoiou, mesmo quando eu estava no Garantido”, comenta. Um fato curioso é que a mãe de David – que tinha o sonho de ver o filho cantar no Touro Negro – só passou a ir aos currais do Caprichoso quando Assayag virou levantador de toadas do boi.

O amor de Assayag pelo Caprichoso, aliás, rompe qualquer sentido. “Todo festival eu choro cantando. Eu ainda cheguei a ver o primeiro festival no Bumbódromo. Em proporções menores, mas vi”, afirma. Hoje em dia, ele deixa a imaginação voar para decifrar o que há na Arena. “Sempre pergunto da pessoa que me acompanha na Arena o que está acontecendo”, conta ele, assim como diz sua toada: sentindo o que os outros não veem.