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Parintins
Itens do festival

Em sua estreia como Pajé do Caprichoso, Neto Simões fala sobre preparação

O universitário sonhava em ser artista de alegoria, mas ao completar 15 anos passou a ter um outro olhar sobre o item pajé 02/07/2017 às 17:22 - Atualizado em 02/07/2017 às 17:22
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(Foto: Evandro Seixas)
Laynna Feitoza Parintins (AM)

Tímido e com jeito moleque, Neto Simões surpreende os amigos toda vez que surge vestido de pajé. “Quem me conhece, quando me vê na Arena dançando, diz que eu fico irreconhecível, porque é completamente diferente do que eu sou. Não tenho muito a ver com o personagem”, conta ele. Mas basta o estudante de História incorporar o curandeiro da floresta que tudo muda de figura.

Este é o primeiro ano do jovem de 27 anos como Pajé do Boi Caprichoso, nascido no seio da família Brasil, tradicional parintinense. O universitário sonhava em ser artista de alegoria, mas ao completar 15 anos passou a ter um outro olhar sobre o item pajé. “Passei a vê-lo como um super herói, que lutava contra o mal”, conta ele.

Em 2009, Simões começou a dançar como pajé nos festivais folclóricos dos distritos de Nova Maracanã e Mocambo, situados nas proximidades de Parintins. “As pessoas já comentavam que eu era muito alto (risos). Sempre obtive as vitórias nos festivais. Isso fez com que eu recebesse o convite para ser Pajé do Caprichoso, que foi inesperado”, esclarece.

Neto só soube que seria pajé no dia da nomeação. “O atual presidente me ligou no dia, perguntando se eu estava disponível e disse que eu ia fazer um teste, me enganou (risos). Disse que se eu fosse aprovado viraria item. Ele me disse para ir à noite no curral do boi para conhecer o tema do ano e, quando cheguei na porta do curral, ele disse que eu era o novo pajé. Foi uma choradeira só”, relembra ele.

(Foto: Euzivaldo Queiroz)

Preparação

Simões começou a se preparar para o item há seis meses, por conta de uma apendicite que teve no ano passado. Para viver o líder espiritual da tribo azul e branca, leu livros de antropologia para sugar a essência do que é um pajé, e viu documentários e DVD’s de edições antigas do festival. “Queria ver o que poderia extrair no contexto do Festival de Parintins. Já que é folclore, eu tinha que saber dar uma mesclada, espetacularizada nisso”, comenta.

Depois da construção intelectual de pajé, Neto migrou para o porte físico. “Comecei a fazer treino funcional, ir para a academia. E, quando os trabalhos iniciaram, eu praticamente morava no galpão, conversando com os artistas. Os artistas sempre me perguntavam como eu queria as fantasias e eu dizia que gostava de costeiro grande, mas que não fosse tão pesado. Havia uma troca”, diz ele. Tamanho interesse dele por artes plásticas é justificável, visto que, entre os hobbies do pajé do Caprichoso estão desenhar protótipos de fantasias em casa. É ali que parte do espírito se manifesta, de alguma forma.