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Parintins
PARINTINS 2017

Garantido fecha participação no Festival 2017 focando na religiosidade e emoção

“Amazônia, Esperança e Fé” é o subtema que encerra a participação do Boi da Baixa neste festival 02/07/2017 às 20:22 - Atualizado em 03/07/2017 às 00:20
Paulo André Nunes Parintins

Na base da emoção, a religiosidade amazônica foi retratada no último ato do Boi-Bumbá Garantido neste 52º Festival Folclórico de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus) com o subtema “Amazônia, Esperança e Fé”. O “Boi do Povão” trouxe neste ano o tema “Magia e Fascínio no Coração da Amazônia” e tenta o bicampeonato.

Na base da emoção, o apresentador Israel Paulain entrou na arena do Bumbódromo junto com o dono da festa, o Boi Garantido. Como que encarnando o mestre Lindolfo Monteverde, fundador do boi, ele entoou toadas clássicas como “Boi de Pano”, um dos maiores hinos dos últimos tempos do vermelho e branco. 

O levantador Sebastião Júnior começou sua participação com a convidativa toada “Garantido Sou Eu”, chamando a galera vermelha e branca para brincar. E Israel arrematou co, “Mas quem é Garantido levante o braço!” 

Sebastião Júnior fez um solo de violão antes de cantar a toada “Geração Garantido”, antecedendo um dos hits do ano: “O Princípio da Festa”, toada que muito bem poderia ser de abertura do CD oficial e, de quebra, “cutuca” o boi contrário Caprichoso.

A Lenda Amazônica “Ypupiara,  o Bicho do Fundo do Rio”, trouxe a alegoria do artista Manoel Sorin  e equipe. Ela retratou a lenda dos bichos que vivem no mundo encantado do fundo dos rios está presente no imaginário dos povos da floresta amazônica. Nesse universo misterioso de potências espirituais e bichos encantados do fundo das águas, vive Ypupiara, ser gigantesco, misto de homem e de peixe, temido e respeitado pelos ribeirinhos. A morada de Ypupiara seria uma cidade encantada, associada à mitológica Atlântida,que existiria nas profundezas das águas dos rios da Amazônia. Segundo a lenda, Ypupiara é uma entidade protetora da vida no reino das águas. É ele que surge quando os peixes e bichos do fundo são ameaçados pelos abusos dos predadores.

Foto: Márcio Silva

Numa alegoria que representava uma arraia gigante veio a cunhã-poranga Rayssa Bandeira. Da estrutura surgiu um colossal lendário Ypupiara com braços e cauda em forma de peixe.

Uma imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade de Parintins, antecedeu a apresentação da Celebração Folclórica “Romeiros da Fé”, alegoria do artista Emerson Brasil e equipe. E a aposta na religiosidade deu certo, ao emocionar todos os presentes no Bumbódromo quando a artista Márcia Siqueira cantou a música “A Padroeira”, de autoria da conhecida cantora Joanna, ao passo que formou-se uma grande procissão dentro da arena. Muitas pessoas foram às lágrimas naquele que foi um dos grandes momentos deste Festival Folclórico.

Da base da santa gigante veio a Sinhazinha da Fazenda Djidja Cardoso, num vestido e sombrinha vermelho e branco. Ela fez afagos no Boi Garantido e mais uma vez mostrou leveza em seu bailar. E era a hora de chamar o Boi Garantido para evoluir ao som de Quinta Evolução junto com a Vaqueirada, momento tradicional e que nenhuma modernidade foi capaz de acabar. Detalhe: a copa das lanças trouxe a imagem de Nossa Senhora, reforçando a religiosidade da noite.

No momento tribal apareceu o Pajé André Nascimento, à frente e comandando as tribos coreografadas que dançaram ao som de “Índio do Brasil” e “A Dança do Fogo”.

O Garantido trouxe como Figura Típica Regional o “Ceramista da Amazônia”, cuja estrutura alegórica foi do artista Vandir Santos e equipe. Ela representou a atividade ceramista por parte dos caboclos e dos índios, com os personagens retratados de forma gigantesca, movimentando cabeças e braços.

A estrutura trouxe imensos bonecos de cerâmica, mas dois itens em especial: a porta-estandarte Edilene Tavares – que estreava no item – e o Boi Garantido. A estreante, que foi anunciada na tarde deste domingo, arrancou muitos aplausos da galera vermelha e branca. Ela foi a terceira a se apresentar neste Festival pelo boi da Baixa do São José: a item oficial Daniela Tapajós passou mal após a apresentação da última sexta-feira (30) e foi substituída por Nabila Barbosa, que por sua vez acabou sendo substituída por Edilene Tavares.

O Boi Garantido foi pra galera literalmente, ao subir para a arquibancada e interagir com seus torcedores. Ele foi acompanhado por garrotes que também “fizeram a festa”.

A celebração tribal foi outro grande momento da associação folclórica neste domingo quando indígenas travaram uma batalha entre si e, de forma surpreendente, apareceu a Rainha do Folclore, Isabelle Nogueira, para, por meio de uma encenação, mostrar sua liderança e apaziguar os ânimos selando a paz entre as tribos.

O mito do Eldorado, uma herança que permanece na memória dos povos da floresta amazônica andina e brasileira, que sofreram o terror da violência da colonização, foi o tema do Ritual Indígena “O Eldorado”, com alegorias de Emerson Brasil e equipe.

O Garantido recriou o ritual descrito por Muiziquitá, no qual o Pajé, Zipa na cultura indígena Inca -  e representado pelo item André Nascimento - é investido como líder espiritual da aldeia. O ritual acontece num lago sagrado, para onde o Pajé é levado numa "jangada cerimonial". Seu corpo é todo coberto de ouro em pó, representando o filho do deus Sol, Pacha Capac. Na cerimônia os índios fazem oferendas, em ouro e pedras preciosas, para a deusa Pacha Mama, Deusa Mãe ou Mãe do Mundo, na cosmologia indígena. Na recriação do ritual, o Pajé invoca o espírito de Athauallpa, morto pelos espanhóis porque não revelou os segredos do Eldorado, de onde os índios extraíam ouro.

Após o ritual, o Garantido se despediu da Arena ao som de Vermelho, diante de uma galera apaixonada e com os gritos de "Bi-campeão" na voz de um empolgado Israel Paulain.