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Parintins
HISTÓRICO

Memórias do Festival: Pop da Selva e a 'recriação' do Caprichoso

O ex-apresentador Arlindo Júnior recorda momento marcante após temporal que atingiu Parintins em 1993 28/06/2017 às 17:36
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História de vida de Arlindo se confunde com a do Caprichoso
Jhonny Lima Parintins

A história do cantor, apresentador e levantador de toadas Arlindo Júnior está diretamente ligada ao Boi Caprichoso. Conhecido como o “Pop da Selva”,  foi nos anos 90 que ele esteve mais envolvido no bumbá. E dentre as muitas apresentações, algumas se destacaram devido ao grau de importância que tiveram naquele momento, como um forte temporal que atingiu o Bumbódromo em 1993.

Já passava da metade da apresentação - na época o Caprichoso era apresentado por Gil Gonçalves e apresentado por Marquinhos (ex-tripa do boi) - e, no momento do ritual, começou a chover forte. O boi de pano, que na época era feito de esponja, ficou encharcado e quebrou, lembrou Arlindo.

Naquela época,  os bumbás tinham apenas um “boi” para os três dias de disputa e o Caprichoso se viu com a “estrela” da festa sem condições de se apresentar. Sem falar nas fantasias de itens, tribos e outras indumentárias que haviam sido danificadas pela chuva. Foi quando aconteceu algo que marcou Arlindo. “No dia seguinte eu saí no carro de som, chamando a galera que tivesse em casa qualquer coisa que pudesse ajudar a recuperar as indumentárias. Quando voltei para o galpão foi uma emoção muito grande: ele estava lotado de voluntários e doações”, lembrou.

Com essa ajuda de peso, o Caprichoso conseguiu levar o Boi para a Arena na segunda noite, em uma apresentação emocionante. “Entrei com uma música do Chico da Silva que fala de Mãe Natureza, incertezas e  o choro de um povo. Era uma choradeira. Quando a Marujada entrou, eu cantei: ‘Ninguém gosta mais desse boi do que eu’. Foi  muita emoção. Coisas como essa a gente nunca vai esquecer e tenho certeza que a galera também não”.

Noite inesquecível da galera

Outro fato marcante aconteceu sete anos depois. Desta vez, foi problema técnico. Ocorreu um apagão, depois somente a iluminação voltou a funcionar e o áudio falhou na hora em que a sinhazinha se preparava para evoluir.  Arlindo Júnior era o apresentador e Renato Freitas o levantador de toadas.

“Ficou só a Marujada, comandada pelo mestre Zé Carlos. Não dava pra parar. Nós continuamos a apresentação e eu comecei a cantar. Subi na mureta onde fica o camarote e comecei a cantar a música de lá. A Marujada tocava, fazíamos o solo com a boca e a galera começava a cantar na parte de baixo, até chegar na galera. A sinhazinha se apresentou, foi até com a toada ‘Rostinho de Anjo’”, lembrou.

Arlindo conta que pediu para a Marujada abaixar o volume do som para a galera dos camarotes entender o que ele queria falar. Depois, a torcida começava a cantar, contagiando toda a nação azul e branca. “Foi emocionante. Todo mundo chorando, entoando a mesma alegria. Foi muito show. Quando a galera estava terminando a toada, veio a energia. Você imagina como é que foi. Parecia um gol da Seleção, foi um negócio empolgante, envolvente. Todo mundo que estava na Arena pulou de alegria. Foi uma das coisas mais emocionantes que aconteceu comigo na Arena e que a galera até hoje não esquece”, destacou.

E a interação da galera não parou por aí. Nesse mesmo dia aconteceu, na arquibancada, a “briga” dos Muras e Mundurucus. A galera foi dividida ao meio. De um lado ficaram os Muras e, do outro, os Mundurucus. Na Arena, as duas tribos faziam o combate e, na arquibancada, a nação azulada reproduzia o confronto.