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Parintins
Itens do festival

Tempo de carreira e polivalência marcam estradas do Tripa e Amo do Boi Garantido

Denildo Piçanã é artista plástico no Carnaval carioca, e Tony Medeiros respira arte e política 02/07/2017 às 18:15 - Atualizado em 02/07/2017 às 18:17
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Tony Medeiros é também vice-prefeito de Parintins (Fotos: Evandro Seixas)
Laynna Feitoza Parintins (AM)

Quando pequeno, Tony Medeiros era uma criança um pouco difícil de agradar. Por volta dos sete ou oito anos, a “manha” do menino o levou a um amor imensurável. “Nós brincávamos de boi na casa de dois estivadores e eles perguntavam o que eu queria de presente, e eu dizia que queria o Garantido brincando na porta de casa. Eles fizeram uma fogueira e o Garantido veio brincar na porta da minha casa”, relembra ele, graduado em Artes pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O tempo passou e Tony, hoje com 52 anos e 22 só de boi-bumbá, admira-se do caminho trilhado. Vice-prefeito de Parintins, ele também é Amo do Boi - o dono do Garantido no Auto do Boi. Mas a sua caminhada começou quando ele passou a compor toadas para o bumbá, por volta de 1985. “Nesse ano, ganhei o Festival da Canção de Parintins e comecei a compor para o Garantido nessa época. Tenho dezenas de sucessos, divididos por momentos. Na década de 90, todo ano tinha cinco toadas de boi. Meu maior sucesso individual foi a ‘Dança do Banzeiro, que vendia mais de 100 mil CD’s na época”, conta ele.

Sempre versador, Medeiros, que é Amo do boi vermelho desde 95, destaca que o ano do centenário foi o mais marcante da sua vida. “Eu praticamente dei a vitória para o Garantido, porque a maior diferença de pontos entre todos os itens era minha”, ressalta ele, que, apesar de ter sido deputado, secretário e agora vice-prefeito, não mistura as coisas. “Cumpro meu papel como Amo do boi porque é minha válvula de escape, é o momento que esqueço dos problemas”, conta o católico e parintinense apaixonado. “Andei por 30 países, mas há muito tempo acho que vivo no melhor lugar do mundo”, declara.

O tripa

O boizinho que o Amo do Boi vivido por Tony Medeiros tanto exalta é aquele que Denildo Piçanã carrega há 24 anos no Festival de Parintins. Aos 44, ele relembra a trajetória, iniciada em 95, quando o Garantido estava sem tripa – a pessoa que carrega o boi na Arena. “A diretoria resolveu fazer o concurso. Como eu já trabalhava nos galpões de artes, o Valdir Santos e Jair Mendes me ‘empurraram’ para fazer o tripa, dizendo ‘vai, você consegue’. Não sabia para onde ia, como era feito o boi. Fiquei em segundo lugar no concurso, mas como eu tinha um pouco mais de experiência, o presidente na época me passou o cargo”, destaca.

Duas semanas após o fim do Festival, Denildo viaja ao Rio de Janeiro, para trabalhar na confecção das alegorias do Carnaval carioca. “Em 95 começamos a trabalhar na Salgueiro, quando a escola de samba representou o Amazonas. O samba-enredo dela falava de Parintins e eu fui para lá representar os dois bois”, pontua ele, celebrando o respeito que recebe dos artistas cariocas. “Somos respeitados no Rio pelo movimento que concedemos às alegorias. Lá eles ficam impressionados sobre como tudo fica real”, completa ele.