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Parintins
Itens do festival

Tripa e Amo do Boi Caprichoso falam sobre estreias distintas no Festival

Prince do Boi estreia pela segunda vez no Bumbódromo; já Alexandre Azevedo continua legado do pai 02/07/2017 às 18:09
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(Fotos: Evandro Seixas e Euzivaldo Queiroz)
Laynna Feitoza Parintins (AM)

Era 21 de abril de 2016. O cantor Herland Pena, 43, mais conhecido como Prince do Boi, estava em casa e recebeu, do nada, uma avalanche de mensagens de pessoas perguntando se ele estava bem. “Perguntei o que acontecia, ninguém falava nada. Todo mundo fazia a mesma pergunta e eu respondia que estava tudo bem”, diz ele. Prince ainda não sabia, mas estava sendo confundido com o cantor americano Prince, que havia falecido naquele mesmo dia. O cantor manauara fez então um texto nas suas redes sociais, dizendo que “não foi daquela vez que havia embarcado”.

“Muitas pessoas ficaram falando em grupos como se tivesse sido eu. Levei na brincadeira”, conta ele. Famoso por sua história no touro negro, Prince começou no Caprichoso por intermédio de Ariosto Braga, que o viu cantando em Manaus, e o convidou para o boi em 1996. Em 2007, ele virou Amo do Boi pela primeira vez e ficou na função até 2009. O cantor retornou em 2017 para mesmo cargo com a meta de levar uma concepção diferente para a Arena, em relação à primeira vez que ocupou a função.

“Hoje a diferença é musical. Estou com uma nova roupagem, concepção de Amo do Boi. Porque acho que nos outros anos eu vi pouco folclore e muita confusão, muita briga, coisa verbal, e acho que é errado para as pessoas que assistem na TV, porque elas ouvem palavras chulas”, diz ele, ressaltando que os versos de Amo fazem parte do Festival. “Mas se for levar para o lado do xingamento, perde-se amizades. Pode até existir na passagem de som, mas na festa, a mudança que vejo nessa minha nova época é uma concepção sempre partindo para o lado da arte e do folclore”, pontua ele.

O dono da festa

Na tradição do boi-bumbá, o Amo do Boi é o dono do touro negro – a razão principal da festa. E neste ano quem estreará como tripa oficial – a pessoa que conduz o boi na Arena - é Alexandre Azevedo, 33, filho do ex-tripa, Markinho Azevedo. “Comecei no boi desde que me entendo por gente, nasci nesse meio. Meu pai teve 26 anos de trajetória”, diz ele. A passagem de pai para filho foi um processo natural, segundo ele. “Aconteceu porque a idade chega para todo mundo. Ele disse que havia chegado a hora de eu assumir”, destaca.

Alexandre relembra o primeiro contato efetivo que teve com o boi, em 2001. “Meu pai estava no Boi de Rua e tropeçou, machucou o pé. Ele tinha uma viagem para Brasília um dia depois e não pôde mais ir. Eu disse que iria no lugar dele, que conseguiria. Foi assim que comecei a interagir com ele na Arena”, conta Azevedo. 

Na preparação física, o tripa do boi faz academia e funcional, visto que o boi-bumbá é o item que mais exige fisicamente. “O boi é o dono da festa, tem que ter todo o cuidado do mundo, porque não pode acontecer nada com ele. Quem está na Arena não sou eu ou meu pai: é o Caprichoso, a paixão de uma nação. Tenho que defendê-lo com dedicação”.