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Editorial

Crescer ou crescer

01/12/2017 às 22:23
Show temer

A economia brasileira dá sinais tênues de que está saindo do fundo do poço, mas ao mesmo tempo expõe suas fragilidades em face da instabilidade política representada por um governo que não consegue aprovar reformas necessárias para a volta do desenvolvimento pleno dos setores produtivos.

A Reforma da Previdência, que está em discussão na Câmara Federal, é apenas o exemplo recente da fluidez do governo da União, que já desidratou o quanto pode o projeto encaminhado ao Congresso, mas ainda não conquistou os votos necessários para levá-lo a votos. De acordo com o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ), a previsão de votar em plenário, na próxima semana, o relatório aprovado na Comissão Especial se tornou irreal nos últimos dias, apesar dos esforços pessoais do presidente Michel Temer (PMDB).

Temer chegou a oferecer um jantar para 308 possíveis aliados, mas somente pouco mais de 100 estiveram presentes no convescote no qual se pretendia amarrar a aprovação da Reforma da Previdência. Entre as ausências ilustres estavam os deputados do PSDB, partido que estava na primeira fila da posse de Temer, comandou cinco ministérios, mas que ameaça desembarcar oficialmente do poder central também na próxima semana, quando o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deverá ser eleito presidente do Diretório Nacional em substituição ao enrolado senador Aécio Neves (PSDB/MG). São complicadores que vão demandar do governo muita articulação política, que em momentos semelhantes do passado só se tornaram possíveis quando os cofres da União foram abertos para a liberação de emendas parlamentares.

Enfim, de nada adiantará a economia brasileira entrar em um ciclo de crescimento pífio, pois é preciso muito mais. No ritmo atual o País deveria estar crescendo a níveis chineses, coisa de 5% do PIB a cada um dos próximos cinco anos, para garantir a sustentabilidade do tecido social nacional, tão abalado por quase três anos de recessão.

Num cenário realista, os atores políticos apostam que mudanças reais e profundas nas estruturas econômicas nacionais só serão possíveis com a eleição de um novo presidente em outubro de 2018. Será a chance do povo escolher entre o futuro e passado.