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Editorial

Drama de passageiros de ônibus

06/12/2017 às 22:45
Show transporte 123

O sistema de transporte coletivo de Manaus já é em si a realização diária da violência contra a maioria dos usuários. Ônibus lotados, panes frequentes, tempo de espera demorado são parte dos relatos frequentes de passageiros. A outra face da história de quem anda de ônibus na cidade está cada vez mais vinculada aos assaltos.

Todos os dias, em algum lugar de Manaus, passageiros de ônibus são assaltados dentro desses veículos. Em oito meses deste ano, foram registrados 3.231 assaltos a ônibus de acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) divulgados na edição de ontem de A CRÍTICA enquanto no mesmo dia novos assaltos com passageiros feridos foram realizados.

A questão que se coloca é: os passageiros continuarão a mercê dos assaltantes? Pagam um valor que não é baixo para utilizar o transporte público com o mínimo de garantia e passaram a ser vítimas frequentes dos assaltantes sob o risco de perderem a vida. Qual deve ser a atitude dos governos do Estado e do Município no combate dessa violência? Por que as ações de prevenção e de punição demoram a acontecer?

A instabilidade e o pânico que afetam número cada vez maior de passageiros ameaçam se tornar problema mais grave que irá exigir por parte do governo aplicação de mais recursos financeiros no tratamento das doenças advindas desse estado psicológico. O foco da ação não será sobre a causa e sim, se ocorrer, sobre as consequências deixando as causas mais uma vez a margem, sendo agravada.

Mais ainda a permanecer o ritmo de assaltos na escala atual, se assistirá em pouco tempo outras modalidades de confronto e de práticas de Justiça. Passageiros poderão a se rebelar diante da lentidão e inércia dos gestores públicos e implantar seus próprios instrumentos de combate aos assaltos a ônibus. Quando medidas dessa natureza são tornadas reais é porque o Estado se retirou e abriu mão de suas responsabilidades para com as pessoas. A sensação em Manaus relatada por passageiro é essa, de abandono. Motoristas e cobradores sentem o mesmo. Todos citam a vulnerabilidade a que estão submetidos. Os que já foram vítimas de assaltos e são obrigados a continuar utilizando o ônibus convivem com silenciosamente com o drama produzida por  essa violência.