Publicidade
Editorial

Investigação eficiente

28/11/2017 às 21:58
Show mpe

O Ministério Público do Amazonas (MPE-AM) colocou em prática, ontem, os ensinamentos recebidos, durante várias fases de treinamento, dos promotores que trabalham na Operação  Lava Jato e conseguiram uma vitória sobre a corrupção ao prender o prefeito do Município de Tapauá, um dos menores do Amazonas.

Conforme a instituição, o prefeito chefiou uma quadrilha que desviou recursos da ordem de R$ 60 milhões em contratos e convênios firmados com  a iniciativa privada. É um montante bastante significativo em face de que, até setembro deste ano, o município recebeu somente R$ 31 milhões. Ou seja, a quadrilha deu um tombo duas vezes maior do que a capacidade orçamentária de Tapauá.

 Trocando este valor em números, pode-se afirmar que o golpe tirou do bolso de cada um dos cidadãos do município quase R$ 4 mil, um acinte com a população pobre residente naquela cidade.

A boa notícia, além da prisão da quadrilha e da suspensão do mandato de vários vereadores locais, é que os instrumentos de investigação usados são realmente efetivos e alcançaram o objetivo de fornecer as provas necessárias para que a Justiça atue e possa, ao final do processo, condenar aqueles que tiverem culpa e participação no esquema.

Usando técnicas apreendidas com a Lava Jato, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Delegacia Especializada na Repressão ao Crime Organizado (DRCO), realizou a chamada ação controlada  a partir da colaboração do empresário Walter Maia. Ele, identificado pela quadrilha como Waltinho, foi filmado entregando dinheiro de propina a um integrante da Câmara e pedindo que este apoie as ações promovidas pelo prefeito. A conversa entre as partes é esclarecedora do sentimento de impunidade que agentes públicos, cobertos pelo manto do voto popular, podem ter quando estão longe dos holofotes dos grandes centros. Até mesmo a política de repatriação de recursos implantada pelo governo federal para legalizar dinheiro de brasileiros guardados em bancos dos estrangeiros foi tratado como uma espécie de 13º salário de propina. Um acinte completo!

Por fim, então, podemos salientar que, com mais um prefeito preso acusado de corrupção, os olhos dos eleitores deverão ficar atentos na hora de escolher seus candidatos nas eleições.