Publicidade
Editorial

Perto do Natal, Manaus aparece triste, sem brilho e com pesada carga de problemas

03/12/2017 às 21:27 - Atualizado em 03/12/2017 às 21:31
Show show 1

A 20 dias para viver o Natal a cidade está em pedaços. Fora pouquíssimos condomínios e centros comerciais que investiram em ornamentações natalinas, Manaus aparece triste, sem brilho e com pesada carga de problemas na sua constituição. Encerra-se um ano de forma melancólica onde a gestão pública encontra-se alheia e quase ausente do dia a dia da cidade e dos anseios dos moradores.

O mês de dezembro é um desses períodos em que boas parcerias podem gerar resultados positivos e bonitos, o que não significa necessariamente deslocar volumes expressivos de recursos financeiros. São as parcerias que viabilizam melhorar espaços públicos, incentivar proprietários a reformar espaços, recuperar áreas e criar ambiente mais confortável, com pessoas sentindo-se animadas em superar problemas e reorganizar seus espaços de vivência. É possível promover uma atmosfera dessa natureza e, com ela, incentivar o exercício da solidariedade entre as pessoas e das pessoas com o lugar onde elas vivem.

O perfil da política administrativa e da política em geral, ao contrário, produz o desalento, reduz a esperança e ataca a perspectiva de mudanças produzindo um sentimento de que “é assim mesmo” e “não tem jeito”. Há formas de promover outras sensações que mobilizam as pessoas em torno de questões fundamentais para a sociedade, principalmente em época de desalento e de violência exacerbada. Os gestores públicos mais preocupados nas contas eleitorais e em concretizar reformas sob suspeição quanto aos efeitos para reduzir desigualdades e fazer o País avançar preferiram bancar votos no legislativo que cuidar das pessoas e dos ambientes onde elas vivem. Uma conduta que no geral reforça a condição de violência que marca a vida da população.

Manaus perde a chance de ter e usufruir da atmosfera provocada pelo período natalino que, em outros locais, é atração turística de sucesso, ajuda na humanização, transforma ambientes, desobstrui a imagem ruim da cidade e amplia motivações para as pessoas a visitarem, revisitarem, registrar cenas e encontros mediados pelo sentimento de amizade e de respeito.A cidade ressente-se do descaso que expõe em cada rua e em cada praça a ausência do cuidado e da alegria. O que é alimentado é o individualismo que, por sua vez, amplia as barreiras da convivência cordial e determina a vigência em grau extremo da desigualdade, onde uns poucos se beneficiam e a maioria sofre as consequências desse tipo de benefício.