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Editorial

Produção cresce e preocupação permanece

15/05/2018 às 21:48 - Atualizado em 15/05/2018 às 23:07
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O setor de duas rodas do Polo Industrial de Manaus (PIM) apresenta os primeiros resultados de aquecimento após amargar um período de retração. Os números divulgados ontem indicam crescimento de 14,42% nos primeiros quatro meses deste ano quando o período é comparado com o do ano passado.

A produção aquecida representa manutenção de postos de trabalho e possibilidade de abertura de novas vagas, o que é saudável para todos. É o que o empresariado do PIM aguarda e, em especial, o de duas rodas o que tornaria real a dinamização das atividades industriais em Manaus que têm no PIM a principal fonte geradora de divisas e de parte dos empregos no Estado do Amazonas.

Dependente da política da Zona Franca, Manaus e os demais municípios amazonenses sofrem em nível imediato as consequências de enfraquecimento do modelo de desenvolvimento econômico e do redirecionamento que vem sendo feito nos últimos anos. A produção de motocicletas é um exemplo dos efeitos da instabilidade, basicamente concentrada em Manaus, a atividade experimentou períodos de dificuldades, com números em queda tanto no mercado nacional quanto no latino-americano. Os sinais de melhoria desafogam o setor, mas não afastam as preocupações dos empresários centradas na política.

De um lado, um governo frágil e com baixa credibilidade. De outro, o processo eleitoral deste ano que atinge a economia em busca de cenário onde possa apostar seus investimentos e que tipo de negócio poderá ser feito. Há, na opinião da maioria dos empresários, incerteza quanto ao perfil de futuro politico do Brasil pós-eleições de outubro. As indefinições político-eleitoral atinge duramente os agentes econômicos e de desenvolvimento interessados em saber, bem antes, quais serão as características do futuro governo brasileiro. Na política, o tempo é outro e se faz a partir da necessidade de definir candidatos e alianças que possam ser controladas. A economia e as finanças jogam outro campo e tem mais pressa em obter resultados, saber em que tipo de terreno está pisando. Até que esses aspectos sejam respondidos a ZFM vive os altos e baixos, o desemprego é mantido em escala forte e as condições de salário e de trabalho seguem precarizadas. Outro dado é o clima de preocupação e medo da demissão que acompanha trabalhadores e familiares.