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Editorial

Serviço de água caótico no interior do Amazonas

10/01/2017 às 20:26
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A enorme disparidade entre a capital e o interior é uma das características do Amazonas. Um exemplo é o abastecimento de água, ruim em algumas regiões de Manaus e muito pior no interior. Lamentavelmente, existe uma vala entre a capital e os municípios, principalmente os mais afastados, de modo que a população sofre todo tipo de privações resultantes do vazio institucional, clama por melhorias, mas as vozes do interior se perdem no caminho e não ecoam em Manaus, onde estão as instituições que podem encaminhar soluções. Um sofrimento silencioso, conhecido pelos cidadãos vitimados pelo problema, mas ignorado na capital, que parece olhar apenas para si própria.

O cenário descortinado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), por meio de auditoria, é muito preocupante porque tem a ver com  saúde pública.

O panorama é de caos: infraestrutura precária, salas de administração improvisadas, reservatórios sem manutenção, poços sem proteção e expostos à contaminação, veículos sucateados... A lista de irregularidades encontradas nos 17 municípios inspecionados pelo TCE é grande e deve ser muito parecida nos demais municípios onde a auditoria não chegou.

O imbróglio começa nas bases legais do serviço. Em Tabatinga, por exemplo, a Cosama explora os serviços há 32 anos sem qualquer cobertura legal, pois nunca foi firmado qualquer convênio ou similar entre o município e a companhia.

O resultado se vê na qualidade do serviço prestado e da água entregue à população, um risco perene à saúde pública. Um exemplo é o que está acontecendo em Manacapuru, onde, recentemente, dezenas de moradores foram parar nos hospitais e postos de saúde por ingerir a água de péssima qualidade distribuída pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto do município. Medidas urgentes são necessárias. O interior, assim como a capital precisa ser atendido de forma adequada, com água de qualidade e tratamento de esgoto. Essa é uma das obrigações do poder público, que pode ser executado diretamente ou por meio de concessionários. Uma área extremamente delicada e que não pode ser deixada em segundo plano. As medidas emergenciais propostas pelo TCE são um primeiro passo, mas não resolvem o problema, que precisa ser abordado pelo poder público de forma estratégica.