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Editorial

Suframa enfraquecida

05/12/2017 às 21:02 - Atualizado em 05/12/2017 às 21:15
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A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) já foi uma das instituições mais respeitadas e prestigiadas da Amazônia Ocidental. As reuniões do Conselho de Administração, o CAS, eram sempre muito disputadas e o cargo de superintendente inspirava muito respeito. Mas isso deixou de ser verdade há algum tempo. A instituição vem perdendo relevância gradativamente no cenário econômico em um processo que parece ter se acelerado nos últimos meses.

As ameaças constantes que pairam sobre a Zona Franca - como a recente perda de incentivos fiscais na produção de concentrados para bebidas - exige atuação técnica firme da autarquia, mas não é isso que se vê. Sem autonomia, a Suframa vem se reduzindo a um posto de arrecadação para o governo federal. E a Zona Franca vem se transformando em uma Zona “fraca”.   Lideranças empresariais do Amazonas se ressentem dessa apatia institucional.

O superintendente atual não tem culpa por essa situação, afinal, ele é uma indicação política que levou em conta critérios no mínimo questionáveis. A maior responsabilidade é do próprio governo federal, que tem se apropriado de uma fatia importante dos recursos gerados na Zona Franca por meio do contingenciamento. 

Com quase R$ 2 bilhões contingenciados pelo governo, a autarquia não tem condições de desenvolver projetos de interiorização do desenvolvimento no Amazonas e nos demais estados da área de influência da autarquia, como acontecia no passado. Esta, aliás, é uma das missões da instituição, ser um fomentador de desenvolvimento regional.

O resultado é que a instituição perde totalmente a importância que tinha para Roraima, Rondônia, Amapá e Acre já que a Suframa não gera qualquer benefício para esses estados. Políticos e empresários desses estados torcem o nariz para o modelo de desenvolvimento que ficou limitado à cidade de Manaus e não fazem o menor esforço para barrar ataques à Zona Franca na Câmara e no Senado.

 Lastimável que isso ocorra exatamente no momento em que a instituição precisa de empoderamento para fazer frente à crise econômica que já reduziu em mais de 30% o número de empregos nas fábricas e limitou novos investimentos. Mais do que nunca, é preciso união e competência para resgatar a Suframa.