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Mercado Amazônia reunirá 50 marcas sustentáveis na COP30 em Belém

Edição especial do FIINSA destaca negócios de impacto da Amazônia e reforça a integração entre ciência, comunidades e indústria para fortalecer a bioeconomia.

acritica.com
25/10/2025 às 13:30.
Atualizado em 25/10/2025 às 13:30

Além do Mercado Amazônia, a programação do FIINSA inclui painéis, rodas de conversa, experiências culturais e gastronômicas (Divulgação Idesam)

Um dos principais destaques do Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA), edição especial COP30, que será realizado no dia 10 de novembro, é o Mercado Amazônia, espaço que reunirá 50 marcas da floresta, com exposição de produtos e serviços. O evento acontecerá no Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA), Campus Alcindo Cacela 2, em Belém (PA).

Os empreendimentos participantes do Mercado Amazônia integram o portfólio de negócios apoiados pelo programa de aceleração “Lab de Impacto”, executado pelo Impact Hub Manaus, pela AMAZ Aceleradora de Impacto, coordenada pelo Idesam, e terá curadoria da Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia (ASSOBIO).

“A ASSOBIO reúne pequenas e médias empresas comprometidas com impactos positivos ambientais, sociais e econômicos na região amazônica. Participar do FIINSA é fundamental, pois reforça nosso papel de dar visibilidade e gerar oportunidades comerciais para nossos associados, além de fortalecer parcerias com instituições que compartilham desse compromisso. A nossa participação marca um novo momento que mostra a potência e o crescimento da rede, reafirmando nossa missão de valorizar a economia da floresta em pé”, comenta Carol VilaNova, liderança da frente de eventos da ASSOBIO.

Essas iniciativas promovem impacto socioambiental em diferentes territórios amazônicos, atuando em segmentos como alimentação, biocosméticos, gestão de resíduos, logística, entre outros.

De acordo com Marcus Bessa, fundador do Impact Hub Manaus e um dos organizadores do evento, o Mercado Amazônia tem se consolidado como um espaço essencial para dar visibilidade e fortalecer os negócios da sociobioeconomia.

Segundo ele, a cada edição do FIINSA cresce não apenas o volume de vendas, mas também as conexões entre empreendedores, investidores e parceiros. Foram R$ 14 mil em vendas na primeira edição (2019), R$ 62 mil na segunda (2022) e R$ 115 mil no ano passado — resultados que demonstram o potencial dos negócios amazônicos para movimentar a economia e gerar impactos positivos.

“O FIINSA é um ponto de encontro entre quem sonha, investe e faz a Amazônia acontecer. Acreditamos que cada negócio de impacto carrega uma semente de transformação, e nosso papel é criar o ambiente certo para que essas sementes cresçam e se tornem referências de sustentabilidade e inovação no país. Quanto mais agentes estratégicos estiverem conectados, melhor para a região”, afirma Bessa.

Mais sobre o FIINSA

O Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA) é uma realização do Idesam e do Impact Hub Manaus, com correalização do CESUPA. Possui patrocínio do Fundo Vale, Soros Economic Development Fund, Bemol, CNP Seguradora e Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) da Suframa. O apoio é feito pelo Instituto Sabin, Bezos Earth Fund, Carbon Disclosure Project (CDP) e Amazon Investor Coalition. São parceiros o Projeto Saúde e Alegria, Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio), Rede Amazônidas pelo Clima (RAC), Centro de Empreendedorismo da Amazônia, Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus), Instituto Arapyaú e Casa.

Avanço da bioeconomia requer integração em rede

Conectar ciência e tecnologia, produção comunitária dos territórios e infraestrutura industrial demanda inteligência em novos modelos de governança para que bionegócios ganhem escala e prosperem na floresta. São crescentes as iniciativas de biohubs, clusters e outras formas de agrupamento do setor, analisadas por estudo inédito do Idesam como subsídio a políticas e investimentos na Amazônia, sob as luzes da COP 30 do clima em Belém.

Em cenário de emergência climática, destravar a bioeconomia é chave na busca de modelos de desenvolvimento compatíveis com a floresta em pé – um potencial global de US$ 7,7 trilhões até 2030, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na Amazônia, a agenda tem atraído políticas e investimentos, mas a complexidade do desafio impõe uma nova fronteira de governança: a interação em rede. Uma maior convergência e cooperação entre bionegócios comunitários, instituições de ciência e tecnologia e indústrias se evidencia como premissa estratégica para romper barreiras, compartilhar soluções, acessar mercados e acelerar o uso sustentável da biodiversidade, com protagonismo das populações locais.

A atual expansão de biohubs, núcleos, centros, pólos e outras formas de agrupamentos na Amazônia reflete essa tendência, que começa a ser mapeada e estudada como forma de subsidiar programas de governo, prioridades de financiamento e ações de empresas. “Faltam elos mais fortes de conexão entre academia, demanda de mercado, políticas públicas e populações tradicionais, de modo a catalisar resultados e otimizar investimentos”, afirma Carlos Koury, diretor de inovação em bioeconomia do Idesam – ONG voltada ao desenvolvimento sustentável da Amazônia que concluiu estudo para maior entendimento dos modelos de interação já presentes nos territórios amazônicos.

Cenário favorável

Financiado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), o trabalho inédito analisa conceitos e apresenta referências que inspiram inovações para uma governança mais interativa da bioeconomia amazônica. O tema é bola da vez da agenda, no contexto de novas regulações e políticas públicas, como o Plano Nacional da Sociobioeconomia, em construção pelo governo federal com apoio de diversas organizações. A iniciativa, que colocará em prática as diretrizes da Estratégia Nacional de Bioeconomia, anunciada em junho do ano passado, se soma a políticas estaduais, como a do Pará, sob as luzes da COP 30 do clima que acontecerá em novembro, em Belém. A cúpula deverá colocar a Amazônia no centro do debate global sobre a mitigação das emissões de carbono e o financiamento para manter o planeta em níveis seguros.

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