Aprovada no edital da Rede Transformar, a Depósito Verde de Manaus vai implementar Ecoponto Inteligente com tecnologia para rastrear e valorizar recicláveis, gerando renda para famílias de catadores
Projeto da Depósito Verde selecionado pelo Floresta em Pé - meta de elevar em 20% a renda de famílias de catadores de recicláveis (Foto: Divulgação)
A Rede Transformar anunciou os projetos selecionados na terceira edição do edital “Floresta em Pé”. A iniciativa reúne empresas para apoiar cadeias da sociobiodiversidade, fortalecer a bioeconomia e incentivar a conservação da floresta. As propostas selecionadas atuam em dois eixos: Meio Ambiente, com foco na redução do desmatamento e enfrentamento das mudanças climáticas; e Desenvolvimento Econômico, voltado à geração de trabalho e renda e ao fortalecimento do empreendedorismo local.
Na terceira edição do “Floresta em Pé, foi aprovado no Amazonas o projeto Ecoponto Inteligente: Logística Reversa na Amazônia. A iniciativa é da Depósito Verde, uma startup de Manaus (AM). Premiada como TOP 3 Startup do Ano no Prêmio Jaraqui Graúdo 2025, a Depósito Verde utiliza tecnologia para rastrear e valorizar recicláveis na Amazônia. A startup aposta na escalabilidade e integra gamificação e práticas ESG para profissionalizar a reciclagem e gerar renda para famílias de catadores.
Com o apoio do “Floresta em Pé”, a startup irá implementar a unidade piloto do Ecoponto Depósito Verde. O objetivo é fortalecer a economia circular na região Norte. O sistema de compactação automatizada visa triplicar a logística, enquanto o uso de IA e Visão Computacional garantirá 100% de rastreabilidade. A meta é elevar a renda de famílias parceiras em 20% e, assim, consolidar um modelo escalável de alta tecnologia no coração da Amazônia.
Os projetos aprovados irão receber aporte financeiro para execução em até seis meses. “Nesta edição, foram inscritas 145 propostas, o que evidencia o interesse e o engajamento das comunidades em iniciativas que promovem o desenvolvimento sustentável. Esse volume de inscrições reforça a importância de iniciativas colaborativas que valorizem soluções locais e contribuam para fortalecer os territórios onde atuamos”, afirma Priscilla Alvarenga, gerente de Transformação Social da Votorantim Cimentos.
A terceira edição do edital “Floresta em Pé” é uma das frentes da Rede Transformar que conta com a participação das empresas Ambipar, Analista Brasil Comércio de Artigos, Auren Energia, Braslog, Calmom, Conceptum, Enaex Brasil, Fagundes Construção e Mineração, GCP Brasil, GreenChem, Haver & Boecker, Headservice, Instituto Impactarte, Klabin, Magotteaux, Manserv, MC Química, MMC Metalúrgica, Orica, PMI Montagens Industriais, Sinoma Brazil, Sodexo, Instituto Sotreq, Sulaço, Xavier, Fundação Salvador Arena e Votorantim Cimentos.
Projetos apoiados em edições anteriores do edital “Floresta em Pé” já apresentam resultados no Amazonas. Um deles é o “Cesta Panc – Conectando a Floresta ao Mercado Business to Business”, idealizado pela Amazônia Socioambiental. A organização desenvolveu um modelo de assinatura mensal de cestas e promoveu capacitações para agricultoras da Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus (AM).
Segundo a coordenadora do projeto “Cesta Panc”, Priscila Lima, atualmente, 60 mulheres agricultoras participam do projeto. “Mais de 80% das participantes tinham renda inferior a um salário-mínimo. “Hoje, o que mais mudou foi a forma como elas enxergam o próprio trabalho. A produção deixou de ser apenas o que sobra para vender e passou a ser planejada. Além disso, houve fortalecimento da identidade coletiva porque as agricultoras passaram a se reconhecer como parte de um grupo produtivo estruturado. A mudança não foi apenas econômica, foi também de posicionamento e autoestima produtiva”, disse Priscila.
Outro destaque é o projeto “Caramuri Sustentável: Floresta Revitalizada, Futuro Agroflorestal”, da Associação Comunitária Agrícola São Francisco do Caramuri, que implantou sistemas agroflorestais e ampliou a diversificação da produção. Também foram oferecidas capacitações para sensibilizar os agricultores sobre a importância da recuperação de áreas degradadas. O diretor presidente da Associação, Daniel Leandro, diz que a região é uma das principais produtoras de abacaxi, cupuaçu e pitaya, além melancia, maracujá e hortaliças. As atividades desenvolvidas com o apoio “Floresta em Pé” ajudaram a ampliar os horizontes dos agricultores, que aprenderam a agregar outras culturas como: açaí, andiroba, cacau, café, castanha e caramuri - fruto nativo da região.
“Antes, os ribeirinhos não enxergavam alternativas para manter a floresta e gerar renda. O edital ‘Floresta em Pé’ veio, portanto, ao encontro da necessidade da comunidade e da nossa missão de ajudá-las a compreender o seu papel para a am de que podem conservar o meio em que vivem e desenvolver uma economia sustentável. Nossa meta é seguir com esse trabalho para ampliar e manter o nosso território conservado”, afirma Daniel Leandro.
Também recebeu apoio do edital “Floresta em Pé” o Instituto de Desenvolvimento Ambiental Raimundo Irineu Serra (Idaris), com o projeto “Apoio à Casa de Produção Agroecológica”. O Idaris desenvolve ações sociais desde 1997, no município Pauini (AM), na Vila Céu do Mapiá e em comunidades da Floresta Nacional do Purus - uma Unidade de Conservação da Amazônia brasileira. Ao ser contemplado pelo edital “Floresta em Pé”, o Idaris proporciou autonomia hídrica para a Casa da Produção Agroecológica (CPA) por meio da perfuração de um poço artesiano. A medida gerou impacto social imediato com o abastecimento da Cozinha Geral, que provê refeições aos mutirões comunitários, e o atendimento a famílias vizinhas que anteriormente não possuíam acesso à rede. A ação eliminou ainda a dependência de bombas movidas a combustíveis fósseis, reduzindo custos operacionais e a pegada de carbono da unidade.
A diretora técnica do Idaris, Joana Rosa Araújo da Silva, ressalta que outro benefício que será proporcionado à CPA com o apoio do “Floresta em Pé”, é a entrega de uma sala de beneficiamento, prevista para março de 2026. O espaço irá consolidar um ciclo completo de bioeconomia, do plantio em Sistemas Agroflorestais (SAF) ao produto final. “O edital ajudou a consolidar a base necessária para a comunidade não apenas produzir riqueza, mas também gerar e compartilhar conhecimento. Dessa forma, podemos capacitar os jovens para liderar a implantação de novas agroflorestas, garantindo que o desenvolvimento econômico da Floresta Nacional do Purus caminhe de mãos dadas com a regeneração da floresta”, afirma Joana.
- Inscrição de 145 propostas nos estados do Amazonas, Pará e Tocantins
- 14 iniciativas finalistas
- 5 projetos selecionados
- 2 finalistas do Amazonas | 1 projeto aprovado no estado
- Desde a primeira edição, em 2023, o edital já apoiou 15 projetos