Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Agressão virtual: isso não é normal!

Por Wanessa Magalhães – Professora do curso de Administração da Faculdade Estácio


03/08/2016 às 15:39

A Internet é um maravilhoso espaço aberto, no qual falamos o que queremos, quando queremos e para quem queremos. Esse ambiente serve para uma infinidade de objetivos, inclusive os mais repugnantes, como os de difamar, diminuir, agredir e disseminar mentiras, boatos e palavras de ódio sobre indivíduos. Sim, existe quem tenha esses objetivos. E, por incrível que pareça, há quem o faça pelo simples fato de acreditar em poderes adicionais de blindagem social, estando atrás de uma tela de computador ou de celular, compreendendo que, se não expõe sua face, brinca de esconde-esconde e não pode ser achado ou identificado. Funciona mais ou menos como aqueles casos em que você pergunta algo a alguém por telefone e acaba percebendo que aumentou as chances de levar um “não”. Não estar face a face amplia a coragem de assumir comportamentos abusivos, negativos e/ou contrários aos esperados pelo convívio em sociedade.

Além dos que o fazem somente por imaturidade ou pela fata de noção de consequências emocionais no indivíduo diretamente afetado pelas ofensas, há um outro grupo mais perverso, conhecido como haters (palavra de origem inglesa, traduzida livremente como “aqueles que odeiam”), que realizam críticas sem critérios ou sem filtros, intencionalmente, através de identidades virtuais falsas, com a única missão de chamar a atenção através do machucado no outro. O combustível dos haters é exatamente a resposta do ofendido ou de outras pessoas que partam em sua defesa, o que significa que quanto mais houver manifestação sobre sua publicação, mais interessado em continuar ele estará.

Independentemente de qual grupo seja a raiz das ofensas, ao que parece, o que faz com que ambos continuem a existir, é a mesma justificativa para o que ocorre no mundo real, com os crimes no mundo físico: a impunidade. Se ofendo, atinjo o meu objetivo, e não sou punido ou sequer identificado ou incomodado por minha ação, me torno reincidente, segundo o pensamento irresponsável ou doentio desses grupos.

Esperar somente a capacidade empática (colocar-se no lugar do outro) dos agressores, talvez não seja uma boa estratégia. É necessário denunciar os casos mais graves, como racismo, mas claro, se houver a certeza de que serão devidamente levados às consequências, caso contrário, serão somente a visibilidade que os ofensores almejam. Para os casos mais brandos, como xingamentos sobre preferências pessoais, cabe somente não dar audiência, não ceder atenção. E aguardar que essas pessoas consigam algo mais produtivo para fazer.


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