Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020

Enquanto isso no SUS...

Por Humberto Figliuolo / Farmacêutico


29/07/2020 às 11:18

Estava eu a pensar com meus botões na problemática da saúde e suas dolorosas consequências que, sem dúvida, atingem seu maior ponto de gravidade. Esta mácula se estende a todos os quadrantes do País e a imprensa escrita ou falada divulga exaustivamente os muitos erros e os poucos acertos dos nossos governantes sobre esse assunto tão delicado.

A população não pode ficar imóvel diante dessa situação que cresce a olhos vistos. Observem o périplo de Maria: ela não estava passando bem e resolveu, então, se dirigir a uma Unidade de Saúde ou qualquer outro nome que se dá, pois são tantas as terminações que chegam a confundir.

Neste dia, Maria se levanta às 4h45 e seus obstáculos começam a partir do momento que sai de casa. O tempo estava enfarruscado. Fica no ponto a espera do ônibus, que demora uma “eternidade” para chegar, expondo-a aos constantes assaltos que acontecem numa cidade grande.

Finalmente, às 5h45 Maria chega à Unidade de Saúde e pega a senha número 17 para marcar a tão esperada consulta. É a quarta vez consecutiva que ela vai ao local sem ser atendida. Nas últimas vezes, o médico não compareceu por ter “outros compromissos” e na mais recente, ouviu a famosa desculpa de que o “sistema caiu”.

Agora, na nova espera, sente as pernas trêmulas e aquela sensação de fome invade seu corpo. Ela sai e come um salgado com refrigerante e se sente melhor. A atendente com ar superior vai chamando um ou outro paciente. Às 10h, enfim, o nome de Maria é anunciado. Ela dirige-se ao balcão e ouve da “gentil” funcionária que o paciente anterior foi o último a ser atendido. Isto é, “por hoje não temos vagas”.

E Maria e os demais pacientes não atendidos, terão a voltar outro dia, sujeitos às mesmas dificuldades encontradas hoje. O problema da Unidade de Saúde foi resolvido, mas, principalmente o de Maria continuará pendente.

Último mundo

Qualquer habitante de um país de primeiro mundo ou mesmo de países de porte médio onde a saúde é levada a sério, ficaria atônito ou incrédulo com esta situação. Provavelmente ele teria de verificar in loco para testemunhar a veracidade de um fato como esse.

Se ele não quisesse se dar esse trabalho, bastaria que ele ligasse a TV em qualquer noticiário, e poderia ver casos bem mais graves que o mencionado acima. São doentes espalhados pelos chãos das Unidades de Saúde do País inteiro por falta de leitos onde “pessoas humanas” são tratadas como objeto sem valor algum. Enquanto isso, inúmeras vidas são ceifadas por pura negligência, descaso ou omissão de tratamento.

A desigualdade social existe no mundo inteiro, porém em alguns países ela é exageradamente grande. Imensas fortunas se concentram nas mãos de poucos em detrimento da maioria carente da população. Fica no ar qual seria a possível solução ou mesmo a amenização deste crucial problema.

Talvez uma repartição de renda mais justa e, principalmente, que a montanha de dinheiro arrecadado com os impostos seja mais bem distribuída entre todas as classes sociais, independentemente da raça, cor ou religião.

Como sugestão final, poderia ser criado o Dia dos Doentes. Neste dia, as autoridades deveriam fazer exatamente a via-crúcis executada por Maria. Quem sabe assim, eles modificassem a maneira de pensar e passassem a agir em “igualdade” com os seres humanos que vivem à míngua atrás de um medicamento ou simplesmente de uma consulta.


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