Domingo, 09 de Maio de 2021

Homenagem: Arlindo Jr e Paulinho Faria merecem 'batizar' arquibancadas do Bumbódromo

Por Dante Graça, jornalista, editor do acritica.com e apaixonado pelo Festival de Parintins


30/04/2021 às 18:30

30 de abril de 2021. Ontem, o folclore e a música do Amazonas lamentaram o aniversário de um ano e quatro meses da passagem de Arlindo Júnior, um ícone e nome memorável do Boi Caprichoso. Hoje, o Garantido celebra mais uma Alvorada, mas, pela segunda vez, sem o tradicional calor humano das ruas de Parintins. E, pela primeira vez, sem a presença de um de seus criadores, Paulinho Faria, neste plano.

Os nomes de Arlindo, o Pop da Selva, e de Paulinho, o 'Garotinho de Ouro', caminham lado a lado na história de uma festa que era apenas de um município do interior do Estado. E, por isso, está na hora de receberem uma homenagem à altura do que fizeram em vida. Paulinho foi figura absolutamente necessária para que o boi-bumbá começasse a ganhar força e público em Manaus. E Arlindo, por sua vez, foi fundamental para que este ritmo ganhasse o País e se modernizasse, sem perder a tradição e a raiz.

Hoje nenhum destes está entre nós. Arlindo nos deixou em dezembro de 2019, antes da pandemia de coronavírus explodir no Brasil. Descansou depois de uma árdua batalha contra um devastador câncer, que certamente tornaria difícil uma eventual luta contra a Covid se entre nós ele estivesse. Paulinho foi um dos mais de 12,5 mil amazonenses mortos até agora por este vírus que não escolhe suas vítimas por nome ou trajetória de vida. Ele nos deixou em 22 de fevereiro, mas sua criação, a Alvorada, e seu puro amor pelo Garantido sempre permanecerão.

A pandemia deixou o Festival Folclórico de Parintins de luto em todos os sentidos. Foram nomes das mais variadas  gerações e das mais diversas funções afetados pelo vírus.  J. Carlos Portilho, Emerson Maia, Rafael Marupiara, Klinger Araújo, Roci Mendonça, Irlani Lima, Júnior de Souza, Mário Uchoa, e tantos outros que deixaram o folclore mais pobre. E a Ilha em silêncio, caminhando, até aqui, para o segundo ano consecutivo sem Festival, algo inédito na história.

Mas o luto há de passar e, em homenagem a todos estes que se foram, o tambor há de voltar a tocar - e não apenas pela internet, em lives. E quando ele voltar, toda contagem feita antes da entrada do Garantido irá lembrar Paulinho. E  todos os hinos do Caprichoso e qualquer interação com a galera  azul e branca irá lembrar Arlindo.  E como eles marcaram a história, eles merecem algo mais para que jamais, sob qualquer hipótese, sejam esquecidos.

Ambos dominavam como poucos os torcedores. Qualquer palavra deles para a galera era vista como um verdadeiro mandamento. O espírito e a energia de Arlindo Júnior e Paulinho Faria sempre irão habitar naquelas arquibancadas. E, justamente por isso, elas merecem carregar os nomes deles.  A arquibancada vermelha e branca merece se chamar Paulinho Faria. A arquibancada azul e branca merece se chamar Arlindo Jr.

É a melhor forma de fazer que eles vivam para sempre na memória do Festival que ajudaram a tornar único e gigante - do tamanho que eles são. 

 


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