Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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Luz no fim do túnel

Por Renata Moreira Barros - Economista E-mail: barros.renatam@gmail.com


05/04/2019 às 16:55

Considerando os dois últimos anos, vemos a economia brasileira mostrou avanços em alguns setores, e amargou recuos em outros. O setor de serviços, por exemplo, mostrou um desempenho positivo a despeito da crise, ao passo que a indústria continua em passos reticentes. Esse resultado é bastante compreensível, uma vez que a área de serviços demanda menos investimento se comparada à indústria e consegue reagir mais prontamente em face do aumento da demanda. Já na indústria, que nos últimos anos, aguardou – e ainda aguarda – sinais mais robustos de recuperação econômica, não houve investimentos significativos na estrutura produtiva, com reflexos evidentes nos resultados observados.

De qualquer forma, já é possível afirmar que superamos a recessão. Após 2014, o Brasil passou por dois anos seguidos de uma recessão severa: quando o PIB brasileiro caiu 3,51% em 2015, e repetiu o mau desempenho no ano seguinte. Sentimos isso na pele com a Zona Franca de Manaus. Por aqui, o principal motor da economia amazonense reduziu sua força de trabalho pela metade: a marca histórica de 120 mil trabalhadores diretos empregados nas fábricas caiu para pouco mais de 60 mil. Um contingente muito grande de pessoas perdeu o emprego e foi para a informalidade. Sem expectativas de retomada, a maioria das fábricas segurou investimentos e se manteve na corda bamba, aguardando sinais de dias melhores.

A partir de 2017 e também em 2018 rompemos o ciclo de recessão e a economia deu sinais de recuperação, mas infelizmente ainda de forma muito tímida. O crescimento do PIB brasileiro foi de 1,1% (PIB brasileiro) em 2017, e 2018 de 1,3% no ano passado. Recuperamos um pouco da perda de PIB de 2015 e 2016, mas não tudo. Fechamos 2018 com o PIB brasileiro 5 pontos abaixo do patamar em que estávamos no primeiro trimestre de 2014.

Porém , embora o crescimento não seja espetacular, estamos em processo de recuperação. O desafio do Brasil em 2019 será acertar as contas públicas e acelerar o crescimento da economia brasileira, acreditando que o novo governo acerte nas reformas fiscais e que, com a reforma da Previdência, consiga neutralizar o déficit previdenciário. Por outro lado, o enxugamento da máquina pública por meio das privatizações e as concessões já anunciadas podem tornar o Estado mais eficiente. Além disso, há o desafio da reforma tributária, que se for levada a cabo, pode aumentar a produtividade, alavancando a economia.

É possível que a economia brasileira acelere o crescimento a partir deste ano. Poderemos ter um crescimento em 2019 de algo de 2,8% no PIB. Tal resultado daria respaldo ao governo federal, que ampliaria sua capacidade política para articular no Congresso Nacional medidas de ajuste que, embora necessárias, ainda enfrentam resistência entre os parlamentares. Só assim, considerando um horizonte de pelo menos dois anos, poderemos ter finalmente a expectativa de ter as contas públicas em ordem.

Vamos torcer para essa “nova forma de fazer política” funcionar, e para que o País tenha condições de acelerar seu crescimento com uma inflação sobre controle e um desenvolvimento sólido e sustentável.

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