Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Modulação hormonal: mito ou verdade?

O que você precisa saber para não entrar numa FRIA.


21/05/2016 às 22:58

da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) vem a público manifestar seu repúdio e alertar a população contra um novo modismo que vêm sendo praticado em Manaus, e em outras cidades do país, por alguns profissionais médicos das mais diferentes especialidades, sob o nome de ‘’modulação hormonal’’ ou ‘‘ tratamento antienvelhecimento’’ (anti-age). Esse tratamento afirma combater os mais variados sintomas, desde fadiga crônica, diminuição da libido, até um desânimo ou desmotivação para prática de atividade física, usando termos médicos desconhecidos ou inexistentes na pratica clínica convencional como ‘’ fadiga adrenal’’ e ‘’ tireopausa’’. Segundo o que é publicado, o objetivo seria “ equilibrar” os hormônios , com a administração de pequenas doses, que não seriam como as que se usam para compensar uma glândula deficiente. Segundo a SBEM, a falácia de tudo isso é que a redução desses hormônios é fisiológica e, normalmente, não ficam abaixo dos valores normais.

A partir desse diagnóstico duvidoso, prescrevem princípios hormonais ativos, produzidos em farmácias de manipulação, sob o nome de ‘‘ hormônios bioidênticos’’, que nada mais são do que princípios hormonais já sintetizados em larga escala pela indústria farmacêutica e vendidos por um preço bem menor do que o cobrado na formulação artesanal, além de que, a indústria farmacêutica sofre uma fiscalização muito mais rigorosa que os produtos manipulados, para garantir a eficácia, tolerabilidade e duração efetiva da ação medicamentosa (estabilidade farmacocinética). Os prescritores de “modulação hormonal” afirmam que os melhores hormônios são produzidos em farmácias de manipulação (e, obviamente, indicam a farmácia que deve ser procurada)

O uso indiscriminado dessas formulações em pessoas sem disfunção hormonal bem documentada e embasada por profissionais sem especialização em Endocrinologia, área da medicina que trata dos distúrbios hormonais e metabólicos, vêm provocado alterações hormonais em pessoas previamente sadias, que passam a ter disfunções hormonais, seja pelo uso desnecessário de hormônios tireoidianos (triiodotironina, levotiroxina) e até gotas de iodo (lugol); hormônios adrenais (hidrocortinosa), que pode levar ao aparecimento de acne, pelos faciais, oleosidade da pele, aumento da pressão arterial, edema generalizado, e até algumas fórmulas contendo ocitocina, um hormônio responsável pela contração do útero no momento do parto e pela liberação do leite em mulheres na fase de amamentação; um absurdo!

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia alerta à população que a chamada “modulação hormonal”, divulgada como terapia antienvelhecimento, não tem comprovação científica e não é recomendada pelos endocrinologistas. As terapias hormonais substitutivas só se justificam nos casos de deficiências hormonais comprovadas laboratorial e clinicamente. As modificações dos níveis de hormônios que ocorrem normalmente com o envelhecimento só devem ser tratadas quando se acompanham de queixas compatíveis com a carência hormonal em questão.


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