Quarta-feira, 03 de Junho de 2020

O Amazonas do pós-pandemia

Por Marcelo Ramos; advogado e deputado federal pelo PL-AM


02/05/2020 às 17:44

Em meio ao drama que o Amazonas e o mundo atravessam, é natural que a preocupação e esforços de todos se voltem à resolução dos problemas imediatos que se apresentam em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Um problema que passa pela aflição dos que estão em casa respeitando o isolamento social na tentativa de evitar o avanço da contaminação. Pelos que já foram contaminados e agora lutam pela vida nos hospitais. Pelos que se vêem em dificuldade pra levar comida pra casa. Pelo rico e pelo pobre. Um problema que chegou a todos, em todas as esferas da sociedade e de diversas formas. 

Mas é preciso que, sem prejuízos à resolução de problemas imediatos, se pense no futuro. De que forma vamos reconstruir o Amazonas quando tudo isso passar? Quais serão as nossas bases econômicas que nos farão um Estado mais forte e capaz de implementar políticas públicas que atendam satisfatoriamente às necessidades do povo amazonense? Particularmente, tratarei dos equívocos de percepção que atrapalham ou até inviabilizam a exploração econômica dos nossos recursos minerais e da biodiversidade.

Nosso Amazonas é rico. Ao menos em tese, podemos admitir que essa riqueza serviria agora para melhor enfrentarmos essa gravíssima pandemia. Mas por que isso não ocorre na prática? Basicamente, porque nossa riqueza não foi adequada e suficientemente explorada, ao ponto de transformarmos, de maneira ótima e sustentável, um imenso potencial econômico em ganhos de fato. 
Em outras palavras, somos ricos sim, mas não dispomos de uma estrutura hospitalar robusta e não temos como custear as despesas de saúde e de assistência social exigidas pela pandemia. Dificuldade comum a todos  os estados Brasileiros. Além dos medos que envolvem a COVID-19, muitas pessoas em nosso estado vivem em habitações inadequadas, carecem dos serviços de saneamento e, ainda, estão sem trabalhar e sem condições de bancar despesas essenciais. Tudo isso reflete ou agrava o quadro da pandemia.

As dificuldades que mencionei acima podem ser associadas a um entendimento equivocado e que vem se mantendo há algum tempo. Infelizmente, existe uma ideologia razoavelmente difundida e que afeta a percepção de muitos quanto às formas de exploração dos nossos recursos minerais e da biodiversidade. Essa ideologia quase nos leva a preservar a Amazônia no seu estado in natura. Seria uma espécie de “deixa assim, não mexe para não afetar o equilíbrio da natureza”! Se alguém duvida que isso seja real, sugiro que pesquise o nível de desinformação que existe em torno de projetos que envolveram a exploração de petróleo e gás em Urucu ou a indústria de fertilizantes em Autazes. Esses são apenas dois de muitos exemplos.

Quando nos deixamos levar por essa ideologia, desconsideramos que existem e são constantemente aprimoradas as tecnologias que nos permitem executar projetos de mineração, de manejo florestal e de biodiversidade de modo bastante seguro e sustentável. Isso implica gestões de impactos ambientais e de riscos sobremaneira eficientes. Além disso, existem e sempre podem ser aprimoradas as leis e as instituições de fiscalização e controle. Portanto, ficarmos presos a essa ideologia equivocada nos torna cegos a várias alternativas promissoras e, consequentemente, atrapalha ou retarda o nosso progresso.

O certo é que o desenvolvimento do Amazonas – ocorrendo em todo o seu potencial – será usufruído por todos nós. Estou falando aqui do maior dinamismo da economia por conta dos investimentos que podem vir para o estado, da maior oferta de empregos e dos maiores salários para uma mão de obra cada vez mais qualificada. Estou falando também da maior arrecadação de impostos, o que tem consequências diretas nas nossas condições de saneamento, habitação, segurança e, mais do que oportuno, em melhores condições de saúde pública! Assim, acredito que esteja claro que desenvolvimento e pandemia tem muito a ver. Todos devemos lidar com a nossa dura realidade atual e, de quebra, reconhecer a necessidade de refletirmos quanto às ideologias que estão por aí. 

O papel de um líder é pensar o pós-pandemia e se antecipar a graves problemas econômicos e sociais que decorrem da crise sanitária.

(Foto: Euzivaldo Queiroz)


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.